Preocupação política

Para 67% dos gestores, descontrole fiscal é o principal risco do Brasil, aponta BofA

Pesquisa ainda revela que metade dos entrevistados vê o Ibovespa negociando acima de 110 mil pontos ao fim de 2020

mask for prevention of respiratory diseases, with the American flag painted. US pandemic concept. North america corona virus, risk of epidemic.
(RHJ/Getty Images)
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SÃO PAULO – Em meio às discussões sobre o teto de gastos, a preocupação com relação a um descontrole fiscal tem crescido entre gestores. De acordo com a pesquisa “LatAm Fund Manager Survey”, do Bank of America, a fatia de entrevistados que elencaram a questão fiscal como o principal risco no Brasil subiu de 53%, em julho, para 67% este mês. Ruídos políticos aparecem na sequência, com 15%.

A dúvida sobre o descumprimento da regra fiscal que limita o gasto público ocorre em meio a uma economia fragilizada pela pandemia de coronavírus, que tem levado a uma série de estímulos fiscais e monetários por parte do governo.

Ainda que as estimativas apontem para uma forte contração da atividade brasileira este ano, o percentual de gestores que enxergam queda de 5% ou mais do PIB em 2020 recuou de 84% para 71% este mês.

A avaliação de 56% dos gestores é de que o PIB voltará aos níveis de 2019 em 2022. A Bolsa, por sua vez, deve superar o patamar pré-crise já em 2021, segundo a pesquisa.

De acordo com o BofA, metade dos entrevistados vê o Ibovespa negociando acima de 110 mil pontos ao fim de 2020, o que implica potencial de valorização de 10,5% em relação ao fechamento do dia 17 de agosto.

Do total de entrevistados, 74% dizem acreditar que as ações são os ativos financeiros que terão a melhor performance no país nos próximos seis meses. Essa fatia de investidores, que subiu dos 66% no último levantamento, está acima da média histórica da pesquisa, de 70%.

No que tange às expectativas para a taxa Selic, 67% dos entrevistados esperam que os juros permaneçam no atual patamar, de 2,00% ao ano, enquanto 28% preveem novos cortes na taxa básica de juros – em linha com o esperado pelo BofA, que vê redução da Selic em outubro, para 1,75% a.a.

Coronavírus perde espaço entre principais riscos

Na América Latina, o coronavírus, que liderava as preocupações no último mês, com 34% das menções, foi destacado agora por apenas 10% dos entrevistados e deu espaço para os riscos em torno da tensão entre Estados Unidos e China, preços de commodities e eleições nos Estados Unidos, bem como com uma desaceleração da economia americana.

Como consequência da pandemia, a expectativa de 51% dos gestores é de que a inflação suba modestamente na América Latina. O percentual, contudo, está acima da fatia de 31%, de julho, e é o segundo mês seguido de revisão para cima do indicador.

Com relação aos portfólios, entre as maiores posições overweight (acima da média do mercado, ou equivalente à compra) estão os setores de consumo discricionário (46%) e materiais (31%). Na ponta underweight (posição abaixo da média do mercado, ou venda), as financeiras lideram, com cerca de 25%.

A fatia de investidores que afirmaram estar tomando mais risco que o normal em seus portfólios, por sua vez, recuou para 18%, abaixo da média histórica, de 24%.

Realizada entre os dias 7 e 13 de agosto, a pesquisa do Bank of America entrevistou 39 gestores da América Latina, com US$ 91 bilhões em ativos sob gestão.

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