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SÃO PAULO – Após ter ficado na posição de investimento mais rentável de 2012, pelo terceiro ano consecutivo, o ouro deve continuar em alta neste ano, conforme aponta o sócio-diretor da Tática Asset Management, Ernesto Rahmani. E a principal causa desse bom posicionamento é o atual cenário econômico de taxas de juros baixas e inflação nas alturas, tanto no Brasil como no resto do mundo.
“Esses dois fatores combinados são o caldo de cultura ideal para subir o preço de mercadorias como o ouro, que precisa de baixa atividade econômica e juro baixo”, afirma Rahmani. “E a recuperação das economias deve demorar um pouco ainda para acontecer. Muitas coisas precisam acontecer para esse ciclo em que estamos se reverter.”
Os juros baixos favorecem o ouro porque reduzem o custo de oportunidade de investir em um metal que funciona como uma reserva de valor, mas não paga juros ou dividendos. Já a inflação força investidores a buscarem proteção em ativos reais de forma a não perder poder de consumo.
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Outro fator que pode continuar a impulsionar a alta do preço do metal precioso nos próximos anos são os estímulos quantitativos dos governos de países ricos. O Federal Reserve (o banco central dos Estados Unidos) e os BCs da Europa e do Japão tem inundado esses mercados com liquidez por meio da recompra de títulos públicos. Esses programas de estímulos dos governos têm feito com que a base monetária se expanda, o que gera uma elevação no preço do ouro.
E no caso brasileiro, além do preço negociado no mercado internacional, o preço do metal também é balizado pelo dólar, moeda na qual ele é negociado mundialmente e que está em um patamar elevado no país. E esses dois componentes (preço no mercado internacional e câmbio) apontam para uma tendência de alta, de acordo com Rahmani.
Cenário decadente
A perspectiva dele para os próximos dois ou três anos é de que as economias permaneçam com baixa atividade e o quadro de juros baixos não se altere. Conforme já apontado pelo Fed (Federal Reserve), as taxas devem se manter em um ritmo decrescente até 2015.
“Aqui no Brasil o juro real está em 1% ou 2%. E em países europeus ele está negativo. E essa situação deve se prolongar ainda por um bom tempo”, pontua o especialista. “Mas, por mais que não vejamos uma melhora em um horizonte próximo, é claro que se a economia se recuperasse o ouro cairia”, ressalta.
Portanto, a sugestão de Rahmani é não manter todos os recursos em um mesmo ativo, como o ouro, por exemplo, pois sempre há a chance de uma reviravolta. “É essencial ter um seguro (hedge), caso o cenário previsto não se concretize”, conclui. O ideal é aplicar até 10% do patrimônio em ouro para se proteger da inflação e da desvalorização do real e que esse investimento esteja descorrelacionado de outros ativos da carteira.
Formas de investir
Para aqueles que desejam investir em ouro existe mais de uma maneira de fazê-lo. Além das já conhecidas jóias, também é possível comprar através da BM&FBovespa, de empresas especializadas na entrega do metal e até mesmo no fundo de ouro da companhia Órama, o único existente no Brasil até agora.
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No caso das jóias, Rahmani explica que essa não é a melhor maneira de se investir em ouro, pois sua liga é diferente das barrinhas convencionais, já que o metal utilizado para fabricar jóias precisa ser mais maleável e seu grau de pureza é menor, o que diminui seu valor quando o investidor a vende.
Já para os que decidem adquirir o metal precioso através da Bovespa, o especialista frisa que as barras de ouro ficam guardadas em um cofre da bolsa e para retirá-lo é preciso passar por todo um trâmite. Se o investidor decidir retira-las desse cofre, será preciso avaliar se não houve manuseio e algum dano nas barrinhas para conseguir vende-las.
Mas se o investidor prefere guardar o ouro consigo, é possível comprar em casas especializadas em comercializar as barras. Dessa maneira, o ouro é entregue na casa do cliente e ele se torna o responsável. E caso ele decida revender, a empresa pode recomprar, mas será feita uma avaliação para checar se não houve danos na peça.
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E, por último, o fundo Órama Ouro FIM tem 80% de seu patrimônio líquido aplicado no metal negociado na BM&FBovespa, acompanhando suas oscilações no mercado, enquanto os 20% restantes podem ser aplicados em títulos públicos, contratos derivativos, operações compromissadas ou em cotas de fundos de investimento . Nesse caso, o investidor não precisa se preocupar com o metal, pois ele é de responsabilidade da gestora. No entanto, ele precisa pagar uma taxa de administração (0,60% ao ano), já que haverá profissionais cuidando de seu investimento.