Diz BofA

Otimismo de gestores com relação à Bolsa brasileira diminui; risco de recessão é apontado por 38%

Pesquisa do BofA Merrill Lynch indica que gestores pretendem aumentar posições em ações neste mês, mesmo com perspectivas mais baixas para o Ibovespa

SÃO PAULO – Apesar de um menor otimismo com o desempenho do Ibovespa em 2019, investidores ainda enxergam valor no mercado de renda variável brasileiro. É o que mostra a última pesquisa de confiança “LatAm Fund Manager Survey”, elaborada pelo Bank of America Merrill Lynch com gestores de recursos.

De acordo com o levantamento, 54% dos participantes veem o benchmark superando os 110 mil pontos até dezembro, ante 44% no mês de agosto. O patamar representaria uma alta de 6,5% em relação aos preços atuais. Diferentemente da pesquisa anterior, contudo, nenhum entrevistado espera que o Ibovespa encerre o ano acima dos 120 mil pontos.

Ainda segundo o BofA, 40% dos consultados veem o Ibovespa entre 95 mil e 110 mil pontos ao fim de 2019 e, em contraste com o mês anterior, alguns gestores chegam, inclusive, a estimar o principal índice de ações do Brasil abaixo dos 85 mil pontos até o fim do ano, portanto com queda na comparação ao patamar atual, na casa dos 104 mil pontos.

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Questionados se pretendem aumentar a alocação em ações, 35% dizem que sim, ante 29% no último mês. Entre as principais posições overweight (acima da média do mercado), estão as de consumo discricionário e de commodities e materiais básicos, que inclusive desbancou o setor de finanças na carteira dos investidores em setembro. Na sequência, aparece o setor de utilities.

Com relação à Selic, a maioria trabalha com a expectativa de juros abaixo de 5,5% ao fim do ano. Já as previsões para a cotação da moeda americana tiveram alta, para a faixa de R$ 3,81 a R$ 4,0 até dezembro. Em agosto, 66% dos entrevistados previam o dólar abaixo de R$ 3,80, fatia que caiu para 16%, neste mês.

Como fazer o Brasil crescer?

Com a proposta da mudança na Previdência no Senado, os gestores querem agora ver o avanço de outras reformas. Segundo o BofA, a maior parte dos entrevistados vê o retorno dos investimentos do setor privado como o mais efetivo para impulsionar a retomada do crescimento ao país, mas também vê valor nas privatizações e nas concessões.

Alguns acreditam ainda que a melhora do cenário externo possa contribuir, apesar de a guerra comercial entre os EUA e a China ser listada entre os maiores riscos para estratégias na América Latina.

A pesquisa do BofA com foco na América Latina foi elaborada entre os dias 6 e 12 de setembro e entrevistou 37 gestores, responsáveis pela administração de recursos no valor aproximado de US$ 96 bilhões.

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Cenário macroeconômico

Na pesquisa global, que contou com a participação de 182 gestores de recursos, há uma percepção de mais cautela do cenário externo, com os entrevistados optando por proteções contra uma possível grande queda do mercado de renda variável.

Isso porque a possibilidade de uma recessão continua a afetar o apetite ao risco dos investidores, com 38% dos entrevistados afirmando ver uma recessão nos próximos 12 meses – maior nível desde agosto de 2009, de acordo com a pesquisa “Global Fund Manager Survey”.

Por outro lado, quando questionados sobre a inversão da curva de juros nos EUA, 64% dizem não acreditar que esse indicador possa significar uma recessão no próximo ano.

Dentre os principais eventos elencados pelos investidores de pressão sobre os ativos, estão a guerra comercial entre EUA e China, uma impotência por parte das políticas monetárias, uma bolha no mercado de bonds e a desaceleração da economia chinesa.

Em ações, a maioria dos gestores segue com posições underweight. Aqueles que investem têm preferido ativos que consigam performar em um cenário de crescimento tímido e juros mais baixos. 

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