Otimismo de gestores com a Bolsa local cai ao menor nível desde 2018, aponta pesquisa do BofA

Investidores que apontaram as ações como a melhor classe de ativos no Brasil caiu de cerca de 70%, em julho, para menos de 40%, em agosto
Brasil em queda/crise (Foto: Getty Images)
Brasil em queda/crise (Foto: Getty Images)

Publicidade

SÃO PAULO – Com uma deterioração do cenário fiscal brasileiro, ruídos políticos e preocupações globais pesando sobre os preços dos ativos domésticos, a convicção de gestores da América Latina com relação à Bolsa brasileira teve uma forte queda em agosto.

De acordo com a pesquisa “LatAm Fund Manager Survey”, do Bank of America (BofA), o percentual de investidores que apontaram as ações como a melhor classe de ativos no Brasil caiu de cerca de 70%, em julho, para menos de 40%, em agosto.

O percentual é o menor desde o início da pesquisa, em março de 2018. O levantamento do banco americano ouviu 31 gestores com cerca de US$ 89 bilhões em ativos sob gestão.

Guia gratuito

Onde Investir no 2º semestre

Por outro lado, com os prêmios pagos por títulos públicos em disparada diante do aumento de aversão ao risco, o percentual de investidores que diz ver os papéis emitidos pelo Tesouro atrelados à inflação como os mais atrativos no mercado cresceu de menos de 10%, no mês passado, para cerca de 25%, em agosto.

Leia também:
Tesouro Direto: com alta dos prêmios dos títulos públicos, vale a pena investir agora? Confira as recomendações de especialistas

Com os investidores mais cautelosos com ativos de maior risco, no mercado de renda variável, 49% dos gestores consultados disseram esperar que o Ibovespa termine 2021 acima de 130 mil pontos, ante 78%, no mês anterior.

A projeção representa um potencial de alta de 9,1%, em relação ao fechamento do último pregão. Em agosto, o índice acumula perdas de 2,2%, até ontem, enquanto, no acumulado do ano, o índice opera próximo da estabilidade, com alta de 0,14%.

Entre os principais gatilhos positivos para a Bolsa brasileira, os participantes da pesquisa citam o avanço da vacinação seguido pela reabertura econômica, bem como uma maior visibilidade com relação à continuidade das políticas econômicas.

Assim como no levantamento anterior, a maior parte dos gestores ainda espera um crescimento acima de 4% do Produto Interno Bruto (PIB).

Continua depois da publicidade

Com relação à taxa básica de juros, os entrevistados enxergam a Selic encerrando dezembro deste ano entre 7,50% e 8,25% ao ano.

Na avaliação dos gestores consultados pelo BofA, apenas uma Selic igual ou acima de 8,50% poderia reduzir o fluxo de investidores para a renda variável.

De olho no Fed

No escopo mais abrangente da América Latina, 39% dos investidores dizem monitorar como o principal risco para a região um possível erro de política monetária por parte do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

Continua depois da publicidade

Na sequência, aparecem fatores como a economia da China e o impacto para as commodities, citados por 20% dos entrevistados. O fortalecimento do dólar também aparece entre os riscos no radar.

Segundo a pesquisa, 26% dos gestores na América Latina planejam ampliar a alocação em ações nos próximos seis meses, abaixo da média histórica do levantamento, mais próxima de 35%.

Entre as maiores posições overweight (acima da média do mercado) nas carteiras dos gestores, aparecem setores de consumo discricionário, materiais e finanças. Já as maiores posições underweight (abaixo da média) estão em bens de consumo, utilities e industriais.

Continua depois da publicidade

Para os próximos seis meses, as principais estratégias dos gestores de América Latina consultados recaem sobre teses de investimento relacionadas à reabertura econômica pós-Covid. Na sequência, aparecem temas ligados a commodities e exportadoras.