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SÃO PAULO – A Vale divulgou ao mercado o seu balanço referente ao segundo trimestre de 2012, após o fechamento do pregão da última quarta-feira (25). Muito esperado pelos investidores, os números tiveram um impacto imediato nas ações da mineradora.
Após a divulgação, a fase de negociação após o fechamento do pregão regular (after market, ou after hour) mostrou forte volatilidade nos papéis da Vale. Os ativos preferenciais da mineradora oscilaram entre R$ 35,54 e R$ 34,42 ao longo da sessão, encerrando a R$ 34,69 – queda de 1,22% em relação ao último preço da ação no pregão regular (R$ 35,12). Já os papéis ON da mineradora mostraram uma desvalorização mais significativa (-1,46%) para R$ 35,13.
Em Wall Street, o movimento negativo do mercado também ficou evidente, com os ADRs VALE – que representam as ações ordinárias da empresa – recuando 1,55% no after hours da NYSE (New York Stock Exchange), terminando a US$ 17,14.
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De acordo com especialistas, a valorização ou desvalorização de um ativo no after market é um indício de como o mercado interpretou a notícia sobre a empresa (seja o balanço, algum fato relevante ou comunicado ao mercado), mas esta oscilação não deve servir para o investidor como única base de análise sobre a notícia divulgada.
O diretor da Valore Investimentos Personalizados, Sérgio Quintella, afirma que em alguns casos, o after market pode não refletir realmente se o balanço foi bom ou ruim. “Se a ação for pouco líquida (tiver um volume baixo de negociação), o que não é o caso da Vale, apenar um grande investidor pode conseguir impactar de forma importante no preço do papel, para cima ou para baixo”, afirma.
Justamente para evitar grandes manipulações, uma das regras do after brasileiro é que a ação não pode oscilar mais do que 2% neste período. “Mesmo assim, ela pode cair ou subir até este limite influenciada por poucos investidores”, ressalta Quintella.
Nos EUA, no entanto, as regras são diferentes e as ações podem recuar ou subir sem que haja nenhum tipo de interferência. Por lá, é comum que as ações tenham picos após a divulgação de algum dado importante depois que o mercado já fechou. Ano passado, por exemplo, as ações da Alcoa recuaram mais de 4% no after da bolsa de Nova York após a divulgação de um resultado pior do que o esperado.
Pouco tempo para digerir
Outro ponto importante é que durante o after, muitas vezes o mercado ainda não teve tempo de digerir totalmente o balanço da empresa. Com isso, a ação pode subir ou cair baseada em uma análise muito rápida dos números que acabaram de ser divulgados. “Muitas vezes, poucas pessoas analisaram aquele balanço e já decidiram comprar ou vender, influenciando o preço da ação”, diz. “No dia seguinte, a maioria das corretoras faz um call (reunião) logo pela manhã com todos os analistas para analisar mais friamente estes dados, e aí a interpretação pode até ser diferente”, afirma Quintella.
Por isso, para aqueles investidores que estão posicionados na ação por acreditarem nos fundamentos da empresa, olhar a oscilação no after market pode até indicar algum sentimento inicial dos agentes, mas não deve ser tido como principal motivação para vender as ações ou achar que o balanço não veio de acordo com o esperado.
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“Quem compra uma ação para longo prazo, acreditando no potencial da empresa, deve agir como um sócio e analisar o balanço de forma criteriosa. Se não souber fazer, o ideal é esperar pela análise mais profunda das corretoras, para então tomar alguma decisão de se reposicionar em relação a este papel”, conclui.