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Os melhores fundos de ações e multimercados em 12 meses até janeiro

Levantamento revela que 86% dos fundos de ações tiveram desempenho melhor que o Ibovespa em um ano; entre multimercados, 82% superam CDI

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(Shutterstock)

SÃO PAULO – Após quatro meses no azul, a Bolsa brasileira adentrou 2020 dando um pequeno susto nos investidores, diante de eventos internacionais que deixaram o mundo em alerta. Não bastassem as preocupações com a disputa entre Estados Unidos e Irã logo na abertura do ano, o surto de coronavírus elevou o nível de incerteza nos mercados, com efeito sobre as perspectivas de crescimento mundial.

Na dúvida e em meio à dificuldade de mensuração dos efeitos dos eventos, investidores reduzem a exposição a risco, isto é, correm para ativos tidos como mais seguros, como dólar, ouro e títulos americanos.

No Brasil, o estrago foi até pequeno. O Ibovespa caiu 1,63%, para 113.760 pontos, enquanto o dólar se apreciou em 5,92% em relação à moeda brasileira. Em 12 meses, o principal índice da Bolsa brasileira segue com alta, de 16,80%, enquanto a divisa americana acumula valorização de 16,91%.

Na renda fixa, o CDI, referencial das aplicações mais conservadoras, teve variação de 0,38% no mês de abertura do ano e acumula uma taxa de 5,79% em 12 meses.

E como os fundos estão se comportando neste ambiente?

Levantamento elaborado pela XP com base em dados da Economatica mostra que um total de 126 de 141 fundos de ações (ou 89%) teve desempenho melhor que o Ibovespa em janeiro. No acumulado dos últimos 12 meses, 122 fundos entregaram retornos aos cotistas acima do índice.

Na categoria de multimercados, no mês, 107 de 191 fundos (56%) tiveram valorização acima do CDI e 180 superaram o Ibovespa. Em 12 meses, 156 fundos tiveram variação acima do CDI, mas apenas 31 superam o desempenho do principal índice da Bolsa.

Para a análise, foram considerados fundos não exclusivos com a média do patrimônio líquido em 12 meses superior a R$ 100 milhões e mais de 99 cotistas, no fim de janeiro. No caso dos fundos de ações, foram excluídos os setoriais e monoações e, dentre os multimercados, não foram considerados fundos de crédito privado. Fundos espelho também foram eliminados do estudo.

Confira a seguir os dez melhores fundos de ações em 12 meses até janeiro, observando ainda seu desempenho no mês e a variação acumulada em até 36 meses. Retorno passado não é garantia de rentabilidade futura, mas é interessante analisar o desempenho histórico dos fundos para observar sua consistência.

Os melhores fundos de ações em 12 meses até janeiro

O fundo Mauá Capital Ações está entre os destaques deste levantamento, com valorização da ordem de 46% em 12 meses. Em janeiro, o fundo também teve um forte desempenho, com ganhos de 6%.

Segundo Renato Ometto, gestor do fundo, duas ações tiveram forte contribuição para a trajetória recente da carteira: NotreDame Intermédica e Magazine Luiza.

As ações da primeira tiveram a seu favor o anúncio de aquisição do Grupo Clinipam, em novembro, por R$ 2,6 bilhões e a captação de R$ 3,7 bilhões em nova oferta pública de ações, no mês seguinte.

A Magazine Luiza também realizou uma oferta de ações, no valor de R$ 4,7 bilhões, e Ometto ainda ressalta que as vendas na Black Friday contribuíram igualmente para a empresa.

“São posições que já temos há bastante tempo e que pretendemos manter”, diz o gestor, ressaltando que os dois papéis têm o maior peso na carteira. “Muita gente acha o papel caro, nós costumamos olhar de outra maneira, para quem é o líder tomando o mercado dos outros, ou quem ocupa o maior espaço na piscina que já é grande”, complementa.

Um terceiro nome que tem sido relevante para a Mauá é o da CPFL, em meio à percepção de um “trabalho excepcional” de redução de custos, com uma desalavancagem que pode permitir à empresa ser uma “super geradora” de dividendos nos próximos seis meses a um ano, com uma taxa próxima a 6% ao ano.

No setor imobiliário, a preferência recai sobre as ações de Eztec e Cyrela, e a gestora ainda aderiu à oferta pública inicial de ações da Mitre. “Estamos entrando num ciclo positivo do mercado e Eztec e Cyrela aproveitaram os últimos anos ruins para fazer aquisições de terrenos, para ter um VGV compatível com a expectativa de demanda”, pontua Ometto.

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Hoje o fundo da Mauá tem 3% de caixa e tem aproveitado para fazer hedge para os próximos meses, via compra de puts (opções de venda) de Ibovespa, de olho nas turbulências mais recentes. As perspectivas, contudo, são otimistas para a Bolsa, ainda que o ritmo de crescimento do Ibovespa possa ser reduzido.

Os melhores fundos multimercado em 12 meses até janeiro

Entre os multimercados, três fundos da lista dos melhores desempenhos são do tipo “long biased”, portanto enquadrados na categoria multimercado, mas com tributação e foco em renda variável.

Fazem parte dessa categoria os fundos Alpha Key Long Biased CSHG, Opportunity Long Biased e Ibiuna Long Biased.

Na Alpha Key, o CIO Bruno Rignel conta que as ações da Copel estiveram entre os destaques que contribuíram para a valorização de 56% do fundo em 12 meses. Em meio à avaliação de transformação pela qual a empresa tem passado, o gestor chama atenção para o trabalho da nova gestão e para a certa demora do mercado em acreditar na nova tese. “O mercado praticamente jogou a toalha por 16 anos”, diz.

No segmento de locadoras de veículos, a gestora ainda tem posições em Locamerica e, dentre as blue chips, Vale e Banco do Brasil marcam presença no portfólio.

Em meio a preocupações com relação ao nível de preço das ações negociada em Bolsa, Rignel enfatiza que seu trabalho tem como foco a avaliação de empresas, não da macroeconomia. “Não nos preocupamos em fazer projeções de dólar ou de PIB. O que a gente procura entender é a dinâmica de crescimento de lucro das empresas. A animação vem muito mais das empresas do que com o Brasil”, diz Rignel.

Contribuição internacional

Com uma estratégia global, outro fundo que se destacou neste levantamento foi o Santander Select Global Equities, um fundo de fundos com foco em ações no exterior. Com objetivo de superar o índice MSCI World, que concentra a maior parte da alocação – cerca de 60% – nos Estados Unidos e 20% em Europa, o fundo não tem hedge, portanto o investidor capturar a variação de Bolsa e do dólar.

Segundo Renato Santaniello, head de soluções de investimento da Santander Asset Management, a gestão se pauta inicialmente pela definição de cenário para estabelecer a alocação regional e, na sequência, pela seleção dos fundos, que combinam gestão passiva e ativa, por meio da equipe da asset baseada no exterior.

“Neste mês [janeiro], geramos alfa por perder menos em Bolsa e pela contribuição do câmbio. Mas o desempenho na janela mais longa de tempo reflete a valorização das ações globais”, diz. O fundo teve alta de 6,4%, em janeiro, e de 31,5%, em 12 meses.

Com a maior posição no mercado americano, a gestora segue otimista com as bolsas, que vêm renovando as máximas e testando a confiança de investidores já há algum tempo. No cenário recente, a estratégia foi por aumentar a posição em caixa para proteger o portfólio do aumento do nível de incertezas, porém Santaniello destaca que a ideia é assumir uma posição estrutural maior em Estados Unidos, diante do viés positivo da economia e do mercado.

“Não tem pressão inflacionária nos Estados Unidos que justifique um aumento de juros. Com o crescimento nesses níveis e a inflação controlada, a liquidez vai continuar alta e vai sustentar ativos de risco”, assinala o executivo. “Por ora, não temos cenário de bolsa supervalorizada.”

Com cerca de 16 fundos na carteira, Santaniello ressalta que o fundo tem uma correlação muito baixa com o Ibovespa e que a recomendação para clientes da casa é ter uma pequena parcela do portfólio total dedicada a câmbio, fatia na qual a estratégia pode se enquadrar. “Daqui para frente a parcela talvez tenda a ser maior. Olhando para o mercado de juros, não tem tanto prêmio para capturar.”

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