Operando com ações no escuro: o que fazer quando o sistema trava?

Na última segunda-feira, as cotações deixaram de ser disponibilizadas para investidores do home broker durante algumas horas

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SÃO PAULO – A Bolsa de Valores de São Paulo passou por um dia difícil ontem (25), marcado pela forte queda do Ibovespa (Índice Bovespa, principal referencial do mercado brasileiro) e, principalmente, pelo “apagão” de cotações que durou boa parte do pregão.

A partir das 13h13, as cotações dos papéis deixaram de ser disponibilizadas para os investidores, que não tinham como saber em qual patamar as ações estavam sendo negociadas. O problema, segundo as corretoras, persistiu até o final da sessão. Com isso, o volume de negócios também ficou bem abaixo do normal, em R$ 3,65 bilhões. “No escuro não dá para fazer muita coisa”, justifica o estrategista da Futura Investimentos, Adriano Moreno.

O economista-chefe da corretora Souza Barros, Clodoir Vieira, concorda e diz que é praticamente impossível operar assim. “Nesses casos, o cliente precisa entrar em contato diretamente com a mesa de operações da corretora”, diz. O problema é que, muitas vezes, a mesa não dá conta de toda a demanda.  “Na prática, esses canais não conseguem dar suporte para todos os clientes, principalmente quando a demanda é tão alta”, diz Moreno.

Esse tipo de problema prejudica principalmente aqueles investidores que tinham posições em aberto e precisavam liquidá-las (vender as ações) no mesmo dia. É o caso dos day traders, por exemplo (investidores que compram e vendem o mesmo ativo no mesmo dia, com objetivo de ganhar com as oscilações de curtíssimo prazo do papel).

Segundo o gerente de operação de home broker da Souza Barros, Daniel Garcia, o movimento de clientes operando pela mesa aumentou bastante na última segunda-feira. “Ontem foi um dia particularmente complicado, com muita volatilidade. As ações da Petrobras caíram muito e a falta de cotações prejudicou as transações”, diz Garcia.

De acordo com ele, os investidores mais assíduos e que operam quase diariamente, usaram os operadores da corretora como alternativa. “Nossa cotação estava disponível pelo Mega Bolsa (o sistema eletrônico de negociação da Bovespa), mas o home brokers não tinham as cotações atualizadas. Neste caso, a função da mesa é justamente dar apoio aos clientes”, diz Garcia.

E quem se sentiu prejudicado?
A bolsa possui o Mecanismo de Ressarcimento de Prejuízos (MRP), disponibilizado pela BSM (BM&FBovespa Supervisão de Mercados), mas que não se aplica a esses casos. De acordo com a própria BM&FBovespa, este mecanismo só é utilizado em caso de algum procedimento inadequado por parte dos participantes do mercado (as corretoras), como a execução infiel de uma ordem, por exemplo.

De acordo com instrução da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), este tipo de problema com os home brokers (ausência de cotações, ou mesmo uma falha geral do sistema) está previsto e as corretoras devem disponibilizar atendimento adequado e suficiente ao clientes por meio dos outros canais. No caso do investidor se sentir prejudicado, a orientação é entrar em contato com a própria corretora e manifestar o problema. Em caso de dúvidas, a bolsa também disponibilza um ombudsman.

Diego Lazzaris Borges

Coordenador de conteúdo educacional do InfoMoney, ganhou 3 vezes o prêmio de jornalismo da Abecip