Onde investir a sua mesada?

Antes de escolher um investimento, jovem deve estabelecer objetivos e prazos para retirar esse dinheiro, afirmam especialistas

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SÃO PAULO – A prática de dar mesada aos filhos é comum entre as famílias brasileiras e incentivada por muitos educadores financeiros, que afirmam que os jovens começam a ter consciência de como gastar seus recursos e a economizar para comprar produtos que  os interessam.  

Com essa pequena remuneração, alguns já começam a fazer planos e passam a poupar para realizá-los. Mas a maioria dos jovens não sabe o que fazer para o dinheiro render mais e fica em dúvida  sobre qual aplicação pode ajudá-lo a atingir seus objetivos futuros.  Para o  coordenador do Investmania,  Thiago Pessoa, se o jovem tiver um objetivo já é um grande começo. “Antes de investir é preciso definir algum objetivo. Pode ser uma viagem no final do ano ou a compra de um carro quando esse jovem completar 18 anos. Definir uma meta ao lado dos pais é outro aspecto muito importante, pois eles é que vão guiar seus filhos”, afirma Pessoa.

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Onde investir?

A escolha do investimento deve levar em conta fatores como risco, rentabilidade e o prazo que o jovem tem para retirar aquele dinheiro. Uma opção sugerida por Edward Claudio, Consultor Financeiro do DSOP, são os CDBs (Certificado de Depósito Bancário). O certificado vem em forma de títulos nominativos emitidos por bancos e vendidos como forma de captação para a própria instituição.

 “Para quem tem conta em banco, o CDB é mais tranqüilo, mas caso os pais não conheçam, é importante procurar um profissional para auxiliar o jovem”, disse Edward.  Outra sugestão são os títulos públicos do programa Tesouro Direto. Da mesma forma que as instituições financeiras emitem os CDBs para captar recursos, o Tesouro Nacional emite esses títulos para financiar suas dívidas e outras atividades

 Existem títulos que acompanham desde a inflação até a Selic (taxa básica de juros), mas Thiago Pessoa aconselha os papéis pós-fixados atrelados à inflação, como a NTN-B (Nota do Tesouro Nacional série B).

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Ele dá um exemplo para um jovem que pretende comprar um carro em 4 anos. Supondo que esse adolescente receba R$ 500 mensalmente, ele deve guardar de 50% a 60%. Dessa forma, quando ele completar 18 anos, terá condições de comprar um carro semi-novo ou pelo menos dar entrada em um modelo novo.

Já se ele quiser fazer uma viagem de 2 meses, compensa fazer um curso fora do país, segundo Pessoa. Nesse caso, o ideal seria destinar 50% de sua mesada e dividir essa quantia em duas partes, uma para o Tesouro Direto e outra para comprar a moeda local, seja dólar, euro ou outra moeda, pois quando chegar o momento da viagem ele já terá uma boa reserva financeira.

Como se informar?
Atualmente, as informações podem buscadas pela própria internet. Sites de bancos e corretoras oferecem explicações sobre os mais diversos investimentos. E como já dito, os pais podem ser um diferencial nesse momento.

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“No caso dos títulos públicos, é possível procurar no site do Tesouro Direto. Lá o jovem encontrará todo o tipo de informação, além de simulações de uma forma bem didática”, sugere Edward Claudio.

A partir de quando investir?
Não existe idade certa para começar a investir, mas especialistas dizem que a partir dos 14 ou 15 anos de  idade  os jovens já têm mais noção de valores e podem administrar o próprio dinheiro mais facilmente.

“O fundamental, independente da idade, é guardar dinheiro. Além disso, os pais devem estimular seus filhos a fazer uma reserva e não apenas entregar um cartão de crédito para o filho sair gastando”, afirma Pessoa.

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E o mercado de ações?
Por ser um tipo de investimento mais arrojado, o mercado acionário pode não ser recomendável para alguns jovens, pois eles podem perder uma boa parte do seu dinheiro. Ao mesmo tempo, o jovem tem o tempo a seu favor e pode fazer aplicações de longo prazo na bolsa, sem se preocupar tanto com as oscilações de curto prazo dos papéis. De qualquer maneira, para investir em ações é necessário acompanhamento de um especialista, que pode ajudar na formação da carteira e diminuir as chances de perdas.

Para o coordenador do Investmania, o ideal é que os jovens apliquem, primeiramente, em renda fixa e mais tarde, com maior volume financeiro e mais conhecimento, peçam ajuda de um profissional para investir em ações. “O volume desses jovens ainda é pouco e não vale a pena pelos custos”, diz Pessoa.

“O importante é ter esse hábito de guardar, pois se ele mantiver isso vai conseguir mais coisas em sua vida profissional, além de manter um padrão de vida melhor”, conclui Edward Claudio.