O que você não deve esperar da Bovespa para este ano

Na opinião do economista e diretor da Norfolk Advisors, Ricardo Torres, você não deve esperar valorização do principal índice da bolsa

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SÃO PAULO – Em todo ano que se inicia os mais variados especialistas alertam sobre o que deve acontecer com o mercado acionário, quais devem ser os setores que vão se destacar, com quanto pontos a bolsa de valores deve fechar etc. Remando contra a maré, o InfoMoney questionou especialistas com o objetivo de saber o que não deve acontecer na Bolsa de Valores de São Paulo em 2013.

Na opinião do economista e diretor da Norfolk Advisors, Ricardo Torres, a conjuntura econômica local e internacional deve fazer com que a bolsa patine este ano e amargue perdas – citando o Ibovespa. Portanto, para ele, você não deve esperar valorização do principal índice da bolsa. “Em uma situação normal, os estímulos do governo juntamente da tendência de maior consumo criariam uma ambiente favorável para as ações, mas os investidores brasileiros estão com medo de aplicar”, aponta.

Torres afirma que o receio dos investidores com as intervenções do governo Dilma, que gerou perdas para muitos acionistas em 2012, têm criado um cenário de maior atenção, afastando os investidores da bolsa de valores. “A demanda da bolsa está ficando muito limitada devido a esse medo, o que não deve deixá-la crescer”.

Para o especialista da MoneyFit, André Massaro, também não se deve esperar um aumento no número de investidores este ano. Segundo o especialista, mesmo diante das taxas de juros nos níveis atuais (em um baixo patamar e com perspectiva de pequeno aumento) a renda fixa continua como uma aplicação vantajosa, desde que o investidor saiba escolher os melhores investimentos. “A não ser que ocorra algum movimento ‘explosivo’ na bolsa (para cima), não sinto muito ânimo por parte do pequeno e médio investidor”.

Outra crença de Massaro é que neste ano não haja muitas abertura de capital, por conta das incertezas na economia. No ano passado, apenas 3 empresas realizaram ofertas públicas iniciais na bolsa brasileira, mas para este ano, a consultoria Ernst & Young acredita que as aberturas de capital devem acelerar. O especialista da MoneyFit não compartilha desta opinião. “Creio que as empresas deverão continuar um pouco mais ‘contidas’ em seus investimentos”, pontua.

Para o analista da Omar Camargo, Felipe Rocha, o investidor já não pode mais acreditar que o Ibovespa (principal índice do mercado acionário nacional) seja um benchmark fidedigno da bolsa brasileira. “Atualmente, sua representatividade não é tão grande. A bolsa é maior do que o Ibovespa (atualmente o índice contempla as 70 empresas com maior liquidez do mercado). Basta ver o bom desempenho de papéis mais ligados à economia doméstica e outros drivers que estão indo super bem (e que não fazem parte do benchmark)”.

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Sendo assim, o investidor deve se descolar do índice para conseguir enxergar boas oportunidades e que nem sempre são as mais negociadas. 

Já o analista da Walpires Corretora, Leandro Martins, é mais enfático quanto a perspectivas de maneira geral. “Os investidores não podem esperar previsibilidade”, sinaliza. “Uma análise de longo prazo não vai ser muito realista, por isso é necessário estar sempre monitorando o mercado e se atentar às movimentações diárias”, aconselha o analista.

De acordo com Martins, o quadro atual não permite que alguém preveja o desenrolar do mercado de ações, devido ao cenário macroeconômico instável que tem rondado as economias nos últimos tempos. Portanto, é preciso estar atento às ações que estão dando gatilhos de compra neste momento para encontrar boas oportunidades no curto prazo.