O que priorizar nos investimentos: rentabilidade, liquidez ou segurança?

A sugestão dos especialistas é tentar manter uma média entre os três fatores

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SÃO PAULO – Com o leque de opções disponibilizado pelo mercado, fica difícil escolher um investimento que atinja todas as nossas expectativas. Portanto, em alguns momentos as pessoas se questionam o que é necessário priorizar: rentabilidade, liquidez ou segurança?

“Tudo depende do objetivo. O segredo é compensar os três pontos, de acordo com a sua meta”, afirma o Consultor da Planilhar Planejamento Financeiro, Erasmo Vieira.

Cada investimento costuma ter uma ou duas características mais presentes, mas antes de decidir qual priorizar, o investidor deve se conhecer um pouco melhor e ver o quanto de risco ele suporta. A dica dos especialistas é fugir dos extremos e respeitar o perfil de cada investidor.

Rentabilidade
No caso da rentabilidade, os ativos que possuem essa característica de forma mais acentuada são de renda variável, ou seja, também costumam oferecer um risco maior. De acordo com especialistas, o mercado acionário é um ótimo  investimento e pode oferecer uma boa rentabilidade no longo prazo. No entanto, os investidores que vivem do mercado financeiro devem ficar mais atentos, pois essa é a sua única fonte de renda e um passo em falso pode por tudo a perder, considerando que elas não possuem o fator segurança.

“Mesmo quem se diz muito conservador deveria ter um pouco de renda variável em sua carteira, ainda que em pouca proporção, para que ele possa procurar boa rentabilidade de outras aplicações”, exemplifica o Educador Financeiro e sócio da Mais Ativos, Álvaro Modernell. A mesma regra vale para os investidores mais arrojados. “Eles também deveriam ter uma parcela em renda fixa para garantir uma reserva”, pontua.

Para esse grupo, Modernell também sugere o mercado de imóveis.“Os investimentos em imóveis têm se mostrado uma boa opção para os que desejam ter uma boa rentabilidade. Acredito que em, aproximadamente, 3 anos esse mercado pode trazer grandes surpresas”, coloca. Mas é importante se atentar ao fato que é mais difícil vender um imóvel do que uma ação, ou seja, você tem baixa liquidez.

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Segurança
Já para os que não desejam se arriscar muito no mercado de renda variável e preferem ficar com uma segurança maior, em detrimento de uma maior rentabilidade, a melhor opção são os títulos do Tesouro Direto, que possuem o risco de crédito mais baixo do mercado, já que são garantidos pelo Governo. Para o curto prazo, a poupança também pode ser interessante, desde que a aplicação não ultrapasse R$ 70 mil – limite coberto pelo FGC em caso de quebra do banco.

“A poupança combina bons níveis de segurança com alta liquidez, mas deixa a desejar pelo fator rentabilidade, devido às baixas taxas de juros”, diz Modernell.Erasmo Vieira afirma que opções mais conservadoras podem ser uma boa opção principalmente para os jovens que estão iniciando sua vida e precisam de mais segurança nesse começo.

Desde o dia 4 de maio, o Copom (Comitê de Política Monetária) alterou as regras de rentabilidade da aplicação: toda vez que a Selic (taxa básica de juros) estiver em 8,5% ao ano ou menos, a poupança passa a remunerar seus aplicadores com 70% da taxa de juros mais a TR (Taxa Referencial). Se a Selic estiver em mais de 8,5%, permanece a regra anterior: TR mais 0,5%. Na última reunião do Copom,  a Selic foi cortada pela décima primeira vez seguida, chegando a 7,25% a.a.. De acordo com o Ministério da Fazenda, com a Selic neste patamar, o rendimento mensal da poupança fica em 0,41% mais TR, o que reforça o baixo rendimento atual da caderneta.

Liquidez
É sempre importante ter um investimento com um bom nível de liquidez. Em casos de emergência, nos quais o investidor precisa do dinheiro com urgência, essas aplicações podem servir como salva-vidas. E como já foi dito, a poupança além de oferecer segurança também proporciona liquidez. Outra aplicação que garante uma liquidez elevada é o CDB (Certificado de Depósito Bancário), que também possui garantia do FGC até R$ 70 mil.  “A liquidez deve fazer parte das prioridades de quem está se aposentando, porque, talvez, o dinheiro precise ser retirado com certa urgência”, afirma Vieira.

Na visão de Modernell, uma aplicação que consegue reunir uma boa dose destes três pontos são os títulos públicos do Tesouro Direto. “Os papéis têm segurança absoluta, liquidez semanal e boa rentabilidade. Além disso, existem títulos de diferentes modalidades que podem ser priorizados dependendo da atual situação da economia”, conclui.