mestre do investimento

O que aprender com Benjamin Graham, o guru de Warren Buffett

Conhecido como o pai do conceito de Valor (value investing) e da análise de risco (security analysis), Graham amparou sua filosofia vencedora em 3 principais preceitos, lembra planejadora financeira

Texto de Carolina Ciarlini Giovanella, planejadora financeira pessoal com certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros e CGA (Certificação de Gestores). Carolina é sócia da Portofino Investimentos.

As ideias propostas por Benjamin Graham são atemporais e essenciais para um sucesso de longo prazo. Talvez você nunca tenha ouvido falar nele, mas saiba que as mais importantes teorias modernas de investimentos derivaram dos seus princípios. Warren Buffett é a prova viva da validade delas. Tido internacionalmente como um dos mais bem sucedidos investidores do século XXI, Buffett, curiosamente, considera Graham como o grande investidor de todos os tempos. Conhecido como o pai do conceito de Valor (value investing) e da análise de risco (security analysis), Graham amparou sua filosofia vencedora em 3 principais preceitos, que hoje busco dividir com vocês.

O primeiro deles seria: “sempre invista considerando uma margem de segurança”. Este princípio pressupõe que, ao comprar um ativo, devemos adquiri-lo com significativo desconto no seu valor intrínseco, de modo a obter uma margem de segurança que ofereça conforto em momentos de baixa. O grande diferecial nesse conceito é que, para ele, o foco não deve estar somente em procurar barganhas, mas também oportunidades que tenham possibilidade de alto retorno, combinadas com baixo risco de desvalorização. Ou seja, uma posição ideal pressupõe baixo investimento inicial e ativos subavaliados.

PUBLICIDADE

Para Graham, estabilidade de ganhos e disponibilidade financeira são fatores essenciais para configurar um bom negócio. O investimento em empresas com valor de mercado inferior ao valor dos seus ativos, deduzidos de dívidas, seriam um investimento clássico amparado no preceito de margem de segurança. Afinal, se o mercado inevitavelmente reavalia preço, mais cedo ou mais tarde o valor dessa companhia será ajustado de modo a convergir para o seu valor justo.

O segundo princípio trazido por Graham resume-se a entender a importância e as implicações do fator “Risco”. Segundo ele, o investidor deve esperar volatilidade da mesma maneira que lucro nos seus portifólios. Investimento em ações pressupoõe volatilidade. Um investidor inteligente, vê momentos de stress como a oportunidade perfeita para ir às compras. Graham para facilitar o entendimento desse conceito, apresenta o seu sócio imaginário, o “Sr. Mercado”. O Sr. Mercado oferece aos investidores diariamente precificações, de modo que cada um decida por comprar ou vender. Às vezes, ele poderá estar otimista com relação às perspectivas futuras do negócio e tenderá a pagar mais caro pela companhia; em outros momentos, todavia, poderá estar pessimista, o que refletirá em uma precificação mais baixa. Enfim, a lição a ser tomada é a de que o mercado não pode ditar nossas decisões de investimento. Movimentos de mercado, pricipalmente aqueles que sejam bruscos, para cima ou para baixo, podem gerar decisões amparadas em emoções, o que pode ser fatal para uma carteira de investimentos.

Graham sugere, então, que, antes de fazer qualquer investimento, devemos estabelecer nossa própria estimativa de valor para uma empresa. O racional por trás disso é o de sempre amparar decisões em preceitos racionais e fatos. Sendo assim, só devemos comprar quando o preço oferecido pelo mercado vá de encontro ao valor que estimamos, e, por outro lado, vender quando o preço estiver acima do que consideramos o justo. Em suma, o mercado vai flutuar – por vezes de maneira insana – mas, melhor do que temer a volatilidade, é usá-la como vantagem para a compra de barganhas ou realização de lucros e para tanto, manter a racionalidade é fundamental.

De acordo com Gaham, existem 2 maneiras de mitigar os efeitos negativos da volatilidade do mercado: preço médio e diversificação. Se o investidor, disciplinadamente for comprando em igual montante de valor e em intervalos de tempo regulares, dificilmente cairá na armadilha de ter comprado todo o seu portifólio pelo valor mais caro, ou como no jargão de mercado chamamos de “comprar na máxima”. Sendo assim, inexiste a necessidade de arbitrar o momento mais favorável à montagem de posições. Outra estratégia que sugere é a diversificação. Segundo sua teoria, misturar ativos de risco com conservadores em uma carteira de investimentos é fundamental para preservação de capital em mercados de baixa.

O terceiro princípio aborda questões de Perfil de Investimentos. Segundo Graham, o auto-conhecimento também é fator fundamental ao sucesso nos investimentos. Para ele, o investidor tem 2 opções: a primeira é de comprometer tempo e energia para se tornar um bom investidor de modo a atingir retornos superiores ao mercado – este seria o investidor ativo -; a segunda é de assumir uma postura passiva e, possivelmente, contentar-se com retornos inferiores, mas com menos despêndio de tempo e trabalho.

O fato é que, para Graham, resultado está diretamente relacionado à intensidade de trabalho. Quanto mais tempo dispendido, maiores retornos serão atingidos. No caso do investidor não ter tempo ou vocação para se aprofundar nos seus investimentos, sugere que busque aplicar diretamente em índices ou em carteiras que repliquem índices. “Trata-se da melhor alternativa ao investidor passivo, por garantir um retorno médio favorável, sem demandar dedicação”. De maneira resumida, o investidor passivo deve buscar montar estratégias que vislumbrem o longo prazo, sem tentar prever ou se antecipar aos movimentos do mercado.

PUBLICIDADE

Uma segunda classificação seria seria Especulador versus Investidor. Segundo Graham, nem todas as pessoas do mercado são efetivos investidores. Mas o que diferencia um do outro? Simples, o investidor seria aquela pessoa que se considera sócio da empresa na qual investe seu dinheiro. O especulador, por outro lado, vê ações como papeis sem valor intrínseco e, por essa razão, entende que seu valor é determinado pelo montante que alguém está disposto a pagar. Parafraseando Graham, existem investidores inteligentes, assim como especuladores inteligentes. A questão é você entender “em qual time você joga”. O grande erro é pensar como investidor e agir como especulador.

Todos os princípios sugeridos por Graham são, de certa forma, de fáceis ententendimento e execução. A pergunta que fica é: seguindo os preceitos à risca me tornarei Warren Buffett? Difícil de prever e, sinceramente, mais provável que não, mas, dado o potencial de ganho, não custa tentar, não acha? O fato é que trazer os ensinamentos de Graham para sua vida representará um divisor de águas para o seus investimentos. Isso sim posso lhe garantir!

O texto reflete as opiniões da autora. O Infomoney não se responsabiliza pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

Gostou das explicações? Tem mais dúvidas sobre investimentos e planejamento financeiro? Mande um e-mail para a Carolina: carolina@portofinoinvestimentos.com.br