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Diante do crescimento do mercado de renda fixa privada, a XP está colocando na rua a X.Bridge, uma plataforma eletrônica de negociação de ativos como debêntures, CRIs e CRAs (certificados de recebíveis imobiliários e do agronegócio), além de papéis de emissão bancária. O objetivo é facilitar e dinamizar as negociações, aumentando a liquidez no mercado secundário.
Se a imagem de operadores ao telefone repassando ordens de compra e venda de ações está enterrada no passado, o mesmo não vale para o mercado de renda fixa. Até hoje, uma parcela considerável dos negócios são fechados – um a um – com a tomada de preços entre os vendedores e a consulta à demanda entre os compradores ocorrendo pelo telefone ou por meio de chats.
“A plataforma automatiza esse vaivém dos brokers“, diz Pedro Sturm, head da mesa institucional de crédito privado da XP.
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A X.Bridge está disponível apenas para investidores institucionais, como fundos de investimento e fundações de previdência, que operam volumes na casa das centenas de milhares ou de alguns milhões de reais por operação. Para os operadores dessas instituições, acessar a plataforma permitirá enxergar preços, volumes e características da última melhor oferta enviada pela plataforma.
Lucas Rabechini, diretor de Produtos Financeiros da XP, explica que não se trata de uma bolsa de produtos de renda fixa, e, sim, de uma plataforma de negociação especificamente criada para atender aos clientes da casa. As operações são todas registradas na Cetip sempre que são fechadas.
O modelo desenvolvido se inspira em experiências internacionais, onde plataformas como a Tradeweb e a Market Axess – ambas sediadas em Nova York – lideram a negociação de renda fixa entre investidores institucionais. Mas as especificidades do mercado brasileiro demandaram desenvolvimento próprio e um investimento na casa das “dezenas de milhões de reais”, segundo Rabechini.
Um exemplo: no exterior, operadores e investidores tomam o preço dos papéis como referência, enquanto no Brasil o foco está nas taxas oferecidas. Além disso, a remuneração, por aqui, é calculada em cima de um ano com 252 dias úteis – enquanto os gringos fazem as contas a partir de 360 dias corridos.
“Quanto mais transparência você dá a esse mercado, maior a tendência de aumentar a liquidez e estreitar os spreads [diferença de taxas] entre compradores e vendedores”, diz Rabechini. “É um ganha-ganha: a corretora vê o crescimento do volume de negociação e o cliente tem mais poder de escolha e melhor execução”.
Os investidores individuais não poderão negociar debêntures diretamente através da plataforma – porém, deverão ser beneficiados também, afirmam os executivos. Isso porque, segundo Rabechini, os preços apurados na X.Bridge serão utilizados como referência pela equipe que seleciona os produtos de renda fixa voltados à pessoa física que ficam disponíveis no home broker.
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Mercado em expansão
O mercado secundário de ativos de renda cresceu muito nos últimos anos no Brasil– especialmente nos últimos meses. Março foi o mês com maior volume de debêntures negociadas desde o início da série histórica, superando R$ 40 bilhões, conforme os cálculos do Bradesco BBI. A maior atratividade dos papéis, com spreads elevados, e o volume de resgates em fundos de renda fixa são apontados como motivos para a robustez das negociações, avalia a instituição.
Em abril, as compras e vendas somaram R$ 36,6 bilhões, um recuo de 12%. O mês, no entanto, foi o que registrou o maior número de debêntures trocando de mãos: foram 1.022, representando um percentual próximo de 40% dentre todas as debêntures do mercado. Além disso, 122 debêntures foram negociadas em 100% dos dias úteis de abril.
Na mesa institucional de crédito privado da XP, o avanço no último ano também foi exponencial. Em janeiro do ano passado, foram fechadas cerca de 3 mil operações – todas “manuais”. Atualmente, são cerca de 22 mil negócios por mês, sete vezes mais, sendo mais de 80% deles já feitos por meio da plataforma eletrônica de negociação. “Temos mais de mil papéis para compra e venda lá”, diz Sturm.
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No segmento de papéis bancários – CDBs, LCIs e LCAs (letras de crédito imobiliário e do agronegócio – as operações fechadas manualmente eram cerca de 50 por dia. De março para cá, quando esses ativos entraram na plataforma, o volume de negócios subiu para 200 por dia.
Atualmente, além do envio de ordens de compra e venda, a X.Bridge inclui funcionalidades como o envio de ordens em lotes, recebimento de alertas e negociação de taxa direto na tela, garantindo o anonimato e com duplo fator de autenticação. Novos recursos devem ser acrescentados ao longo deste ano e do próximo.