Nova bolsa também focará investidor de varejo, diz executivo da Bats

"Na bolsa potencial para a qual estamos trabalhando em uma solução, qualquer participante pode negociar", diz Ken Conklin

SÃO PAULO – Investidores pessoas físicas também serão alvo da nova bolsa de valores que pretende atuar no Brasil. Na terça-feira (15), a gestora de recursos Claritas e a Bats Global Markets, uma plataforma eletrônica com sede nos EUA, confirmaram que estão mesmo estudando oportunidades no mercado brasileiro, como haviam apontado rumores de mercado.

“Nosso foco será o mesmo que temos em todos os nossos mercados, o qual é permitir a todos os participantes com qualificação negociar em nossa bolsa”, disse o vice-presidente sênior de desenvolvimento de Negócios e Marketing da Bats, Ken Conklin, em entrevista ao portal InfoMoney.

Ele completou: “Na bolsa potencial para a qual estamos trabalhando em uma solução, qualquer participante pode negociar – seja ele institucional, de varejo ou corretores. Nós tentamos ser o máximo inclusivos que podemos, sob qualquer regulação que estamos lidando”.

Pessoas físicas
O número de pessoas físicas na BM&F Bovespa, a única bolsa em operação no Brasil, atingiu 603.512 em janeiro. O número do primeiro mês do ano mostra uma alta de 8,38% sobre o mesmo período do ano passado, quando havia 556.830 investidores em posição de custódia.

Os investidores pessoa física mantiveram a terceira posição no ranking de participação dos investidores no volume financeiro do segmento Bovespa em janeiro, com 21,76% do total, ante 20,46% registrados no mês imediatamente anterior.

Em relação à estratégia que será adotada entre estes investidores, Conklin afirmou que a Bats está conversando com alguns participantes do mercado e que, portanto, não pode comentar sua estratégia.

Foco nos estrangeiros
A princípio, na opinião do professor da Faculdades Integradas Rio Branco e especialista em investimentos, Luiz Antonio Fernandes Silva, a nova bolsa deve focar mais intensamente nos investidores estrangeiros.

“O Brasil é interessante para os estrangeiros, embora eles não estejam contentes agora. Mas temos uma única bolsa que cobra o que quer e tem cliente internacional que não concorda com isso. O interesse da nova bolsa é em pessoas que mexem com grandes volumes”, afirmou.

De acordo com Silva, é interessante para o Brasil que chegue uma outra bolsa, o que trará melhora em serviços e em tecnologia, sem contar os custos para se investir.

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“Os custos de compra e venda de ações seriam diminuídos em função da concorrência. Com essa possível nova Bolsa atrelada a mercados globais, o investidor brasileiro poderá operar daqui em outros mercados com despesas de comissões reduzidas e que ficariam aqui no País”, ponderou.