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A mudança do Banco Central que pode levar o investidor a ganhar dinheiro

Gestoras estão atentas a nova queda dos juros, que levaria à valorização adicional de títulos públicos como NTN-Bs

Banco Central
(REUTERS/Ueslei Marcelino)

SÃO PAULO - O mercado financeiro está ansioso para ter acesso no fim da tarde de hoje à linha de raciocínio do novo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que faz sua estreia nas reuniões do Copom. O Comitê de Política Monetária decide a cada 45 dias o rumo da taxa básica de juros da economia, a Selic, que é referência para as aplicações de renda fixa no Brasil.

Ainda que não seja esperada nenhuma surpresa para a reunião em si, com a provável manutenção dos juros anuais no patamar de 6,5%, marcando um ano da taxa nesse patamar, qualquer investidor mais atento está de olho no posicionamento de Campos Neto após a reunião.

Todo anúncio do Copom é feito via comunicado e o texto que acompanha a decisão já dá algumas pistas do que está por vir, pistas essas que são mais destrinchadas uma semana depois, na terça-feira que vem (26), com a ata do encontro.

Na prática, o que está em pauta é o futuro dos juros ainda neste ano. Até bem pouco tempo atrás, o mercado tinha um discurso praticamente uníssono, com uma expectativa de taxa Selic estável ao longo de todo ano de 2019 e alta dos juros em 2020.

A aceleração da inflação, em meio à expectativa de retomada da economia brasileira, levariam o Banco Central a aumentar a Selic, que encerraria 2020 a 8% ao ano, conforme o boletim Focus, que reúne as projeções médias do mercado financeiro.

Na última semana, contudo, o mercado diminuiu a previsão para a alta dos juros, que caiu de 8% para 7,75% em dezembro do próximo ano, e, mais do que isso, um número maior de instituições financeiras têm indicado a necessidade de queda adicional da Selic ainda em 2019.

Conforme mostrou hoje levantamento da XP Investimentos com 30 gestoras de fundos multimercado macro, um terço (10 casas) já espera corte da Selic até dezembro. Na pesquisa anterior, feita em fevereiro, apenas 21% dos consultados esperavam mais queda da Selic e uma parte, inclusive, projetava aumento dos juros até o fim deste ano.

Por trás dessa revisão está uma expectativa de menor crescimento da economia, com a estimativa para alta do PIB em 2019 reduzida de 3,10%, em fevereiro, para 2,50%, agora.

Otimismo cauteloso

Em evento promovido hoje para clientes da XP Private, gestores expressaram um tom mais otimista com Brasil, mas demonstraram cautela com o processo de aprovação da reforma da Previdência e com os sinais de desaquecimento global.

Para Carlos Eduardo Rocha, o Duda, que comanda a Occam Brasil, depois da Bolsa, juros são os melhores ativos atualmente. Mesmo que demore mais do que o desejado e esperado, passada a reforma da Previdência, os juros devem cair para um nível entre 5% e 5,5% ao ano. “Ainda tem um prêmio a se capturar no Brasil”, apontou Duda.

Bruno Marques, gestor da XP Asset, disse acreditar em uma atividade ainda fraca no Brasil por um bom tempo, o que tende a pressionar os juros para baixo. Ainda que tenha reduzido um pouco de sua alocação, a gestora virou o ano com uma posição em NTN-Bs.

Vale lembrar que o movimento de queda das taxas de juros é inverso ao dos preços dos papéis. Portanto, se as taxas das NTN-Bs caírem ainda mais, o investidor tem a possibilidade de vender títulos públicos antecipadamente por valores maiores dos que os de investimento para embolsar os ganhos.

Desde o início do ano, os juros reais pagos pelas NTN-Bs com vencimento em 2024 e 2035 já caíram de 4,45% para 3,91% e de 4,95% para 4,30%, respectivamente. Em setembro do ano passado, os mesmos papéis pagavam taxas em torno de 6% ao ano.

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