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Citi nos EUA fecha contas offshore de brasileiros abaixo de US$ 200 mil; saiba o que fazer

Fontes ouvidas pelo InfoMoney afirmam que cerca de 20 mil clientes da América Latina, incluindo muitos brasileiros, terão suas contas encerradas neste processo.

Dólares e bandeira dos EUA
(Shutterstock)

SÃO PAULO – O Citi nos Estados Unidos está encerrando as contas offshore de clientes latino-americanos que possuem menos de US$ 200 mil. As contas jurídicas, conhecidas como PIC (Private Investment Company) e trusts com menos de US$ 500 mil também serão encerradas pela instituição financeira. Em um comunicado enviado aos clientes por e-mail, o Citi informa que a decisão é baseada exclusivamente em uma revisão dos objetivos de negócios de longo prazo e se coloca à disposição para instruir a migração da conta para outras instituições financeiras.

Fontes ouvidas pelo InfoMoney afirmam que cerca de 20 mil clientes da América Latina, incluindo muitos brasileiros, terão suas contas encerradas neste processo. As pessoas estão sendo comunicadas gradativamente sobre o encerramento das contas, por meio e-mail e correspondências - o processo de desligamento  de 100% dos clientes deve ser concluído nos próximos 18 meses. “Possivelmente as pessoas que têm  valores mais baixos serão comunicadas primeiro e os outros clientes vão sendo comunicados ao longo do ano”, disse uma fonte próxima do assunto.

A desistência do Citi de atender clientes brasileiros e latino-americanos com valores abaixo de US$ 200 mil mostra uma tendência que vem se consolidando nos últimos anos: os grandes bancos estão abrindo mão desta fatia de mercado. Entre os entraves para as instituições estão dois acordos internacionais assinados pelo Brasil, um com os EUA e outro com os países da OCDE, que preveem mais rigor na troca de informações entre governos sobre o patrimônio de estrangeiros no exterior. Os bancos que não repassarem informações aos governos sobre correntistas não-residentes podem receber sansões pesadas, o que fez com que muitas instituições financeiras americanas optassem por dificultar a abertura de contas por estrangeiros. O processo de cadastro ficou muito burocrático e os limites mínimos de dinheiro necessário para se tornar cliente foram aumentados.

“Os bancos agora colocam na balança todo o seu resultado global e a relação entre o risco e o retorno dos clientes nao-americanos com menos de US$ 200 mil. No final desistem de atende-lo”, disse uma fonte do mercado financeiro. Com o aumento da régua, a maioria dos bancos americanos não atende clientes com menos de US$ 1 milhão.  Mas há exceções à essa regra, afirma Bernardo Amaral, CEO da XP Securities, que comanda o escritório em Miami desde 2014. Para abrir uma conta offshore na corretora, por exemplo, é preciso ter a partir de US$ 100 mil. “O investidor brasileiro que tem menos de US$ 200 mil offshore não tem para onde ir. Nós temos interesse neste tipo e cliente”, diz Amaral.

 O cliente que já tem uma conta nos EUA e quer apenas transferir o dinheiro ou a custódia dos ativos passa por um processo relativamente simples. O próprio Citi descreve no e-mail enviado aos clientes o procedimento para mandar o dinheiro para outro banco: é necessário abrir uma conta na instituição que deseja receber os recursos e solicitar a transferência dos valores ou da custódia dos papeis por meio de uma carta enviada ao banco.

 Nos EUA, quando o cliente abre uma conta offshore em um banco ou corretora todos os seus ativos ficam custodiados em uma plataforma independente – e grande parte dos bancos que oferecem este tipo de conta aos brasileiros utiliza a plataforma Pershing, inclusive o Citi. “Isso facilita ainda mais a transferência dos recursos”, destaca Amaral.

Além disso, os produtos que o cliente do Citi tinham acesso na plataforma Pershing, como fundos de investimentos e bonds (títulos do governo), também sao encontrados nas outras instituições que trabalham com a mesma plataforma.

Saída do Citi no Brasil

A decisão de encerrar as contas de latino-americanos com saldo menor do que US$ 200 mil nos EUA acontece poucos meses depois da venda de ativos de varejo do Citi no Brasil para o Itaú Unibanco. O valor da operação foi de R$ 710 milhões, abaixo das expectativas do mercado, e inclui empréstimos, depósitos, cartões de crédito, agências, gestão de recursos e corretagem de seguros.

Em nota ao InfoMoney, o Citi afirmou que o encerramento das contas “trata-se de uma decisão do negócio nos EUA, que não se restringe a clientes do Brasil e não tem relação com os negócios do banco no país”.

 

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