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SÃO PAULO – A psicanálise define o ser humano como precário, frágil e limitado, que evita situações que levem à frustração e que age, na maioria das vezes, de acordo com suas emoções, mesmo que acredite estar sendo racional.
Diante destas definições, como avaliar o comportamento dos investidores em situações de incertezas, como as que o mercado financeiro vive ultimamente?
Questão de expectativa
A oscilação da bolsa, notada nos últimos pregões, retrata o quadro de incerteza pelo qual passa a economia mundial. A diferença entre as expectativas é muito grande, o que leva investidores a comprar, ou vender, ações de acordo com o que acreditam que vá acontecer no futuro.
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Mas como afirma o professor da Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras), Alexsandro Broedel Lopes, “ninguém tem certeza de nada. Hoje é impossível prever o que pode acontecer amanhã”.
Superstições
Estudo norte-americano, da Universidade do Texas e da Universidade Evanston, de Illinois, mostra que, em situações fora de controle, as pessoas tentam, mesmo que inconscientemente, impor a ordem, criando ilusões. Segundo os pesquisadores, este sentimento pode levar as pessoas a interpretarem informações de forma incorreta.
De acordo com a pesquisa, como a sensação de controle é essencial para o bem-estar, na falta dela, a mente humana cria situações ilusórias e superstições.
Segundo a psicanálise, o ser humano vive de acordo com o princípio do prazer, sempre em busca de bem-estar e evitando sensações desagradáveis.
Para a psicanalista Vera Rita de Mello Ferreira, representante no Brasil da Iarep (International Association for Research in Economic Psychology), uma das formas de fugir de frustrações, e que vai de encontro ao estudo norte-americano, é o chamado “efeito framing”, no qual a pessoa, diante de várias informações, separa apenas o que lhe dá prazer, lhe conforte, descartando o que pode frustrar.
“Nas escolhas financeiras, o efeito framing pode levar o investidor a decisões erradas, como a compra de um papel ruim ou a venda de outro que poderia ficar mais um pouco em sua carteira. Para um bom negócio, a informação é essencial, mas é preciso saber analisá-la na íntegra”, esclarece.
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Irracionalidade
Diversos estudos já comprovaram que, quando o assunto é investimento, a emoção fala mais alto do que a razão. Na última semana, na expectativa sobre os desdobramentos da crise norte-americana, que já tomou âmbito mundial, especialistas avaliaram que a irracionalidade tomou conta dos investidores.
Conheça algumas definições que a psicanálise e a psicologia econômica dão para o comportamento dos investidores e saiba como agir, caso se enquadre em alguma, ou algumas, delas:
Comportamento de manada: esse é o famoso “Maria vai com as outras”. No caso de investimentos, faz com que a pessoa siga o comportamento do grupo. Se todos estão vendendo, a pessoa também vende, e se todos estão comprando, ela também compra. É importante lembrar que a decisão de investir é personalizada e depende do perfil de cada um. Não é porque todos estão tomando determinada atitude, que você também vai tomar. Analise seu perfil, suas metas, objetivos e necessidades, sem se influenciar por opiniões da maioria. Nem sempre o que é bom para um, é bom para outro.
Aversão à perda: antes de escolher onde aplicar o seu dinheiro, é normal que as pessoas tentem identificar seu perfil de risco, para ver até que ponto estão dispostas a arriscar com o objetivo de auferir ganhos maiores. Nessas horas, muitos dizem ter aversão ao risco, quando, na verdade, têm aversão à perda, o que é bem diferente. Por exemplo: se um papel que antes dava bons lucros começa a cair, ao invés de vender para evitar perdas maiores, o investidor mantém a aplicação, corre o risco de perder ainda mais, na tentativa de esperar que a ação se recupere. Ou seja, o medo maior é de encarar a perda, e não o risco do investimento.
Confiança excessiva e ancoragem: ninguém gosta de admitir que errou e de encarar as próprias limitações. Assim, mesmo em situações de perda, é normal preferir encarar o prejuízo a admitir que fez bobagem ou que escolheu a aplicação errada. Além disso, existe a tal da meta (importante em planos financeiros, mas que deve ser revista sempre, principalmente em situações adversas). A pessoa escolheu determinada aplicação e projetou que, com ela, ganharia uma quantia X. Mesmo que o comportamento do mercado indique que, pelo menos por enquanto, essa quantia dificilmente será alcançada, o investidor mantém o investimento, “ancorado” naquele valor pretendido.
Informações em excesso: essa se encaixa perfeitamente bem no momento atual. Crise internacional, eleições nos EUA, eleições no Brasil etc. Ninguém tem certeza de nada e a cada hora uma informação nova é divulgada. É importante informar-se sobre tudo, de maneira correta, para saber como agir, mas também é necessário avaliar a qualidade das informações. Quando desnecessárias, imprecisas e irrelevantes, informações demais atrapalham suas ponderações e reduzem seu poder de decisão. Cuidado, no entanto, para não cair no erro de prestar atenção apenas ao que considera interessante e confortante – efeito framing, já citado anteriormente.
Confiança excessiva e ancoragem: ninguém gosta de admitir que errou e de encarar as próprias limitações. Assim, mesmo em situações de perda, é normal preferir encarar o prejuízo a admitir que fez bobagem ou que escolheu a aplicação errada. Além disso, existe a tal da meta (importante em planos financeiros, mas que deve ser revista sempre, principalmente em situações adversas). A pessoa escolheu determinada aplicação e projetou que, com ela, ganharia uma quantia X. Mesmo que o comportamento do mercado indique que, pelo menos por enquanto, essa quantia dificilmente será alcançada, o investidor mantém o investimento, “ancorado” naquele valor pretendido.
Informações em excesso: essa se encaixa perfeitamente bem no momento atual. Crise internacional, eleições nos EUA, eleições no Brasil etc. Ninguém tem certeza de nada e a cada hora uma informação nova é divulgada. É importante informar-se sobre tudo, de maneira correta, para saber como agir, mas também é necessário avaliar a qualidade das informações. Quando desnecessárias, imprecisas e irrelevantes, informações demais atrapalham suas ponderações e reduzem seu poder de decisão. Cuidado, no entanto, para não cair no erro de prestar atenção apenas ao que considera interessante e confortante – efeito framing, já citado anteriormente.
Conhecimento e experiência
Quem se enquadrou em algum, ou alguns, dos exemplos acima, não deve se preocupar: você não está sozinho! Sabemos que o ser humano é emocional e que esse lado comanda as tomadas de decisão. No entanto, para evitar que as emoções nos leve a escolhas erradas e precipitadas, o primeiro passo é reconhecer essa precariedade e, a partir de então, tentar dosar, antes de dar a palavra final em qualquer situação, quais os efeitos que determinada escolha podem causar.
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Sobre as experiências e escolhas que fizemos até agora, entre erradas e certas, o importante é aprender com os erros e tentar minimizá-los, ao máximo, da próxima vez!