Negociações de debêntures da Americanas despencam após escândalo

Estudo mostra que o destaque ficou por conta do papel BTOW15, que viu a quantidade de dias de negócio cair de 198, em 2022, para apenas 22 no ano passado

Bruna Furlani

Loja da Americanas (AMER3) no shopping Market Place, na zona sul de São Paulo (Lucas Sampaio/InfoMoney)

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A descoberta de uma fraude contábil e os imbróglios em torno do plano de recuperação da Americanas (AMER3) penalizaram também o volume financeiro negociado de debêntures da varejista ao longo de todo o ano passado.

Segundo dados levantados pela Quantum Finance, o volume financeiro negociado de cinco debêntures das Americanas caiu de R$ 1,97 bilhões em 2022 para R$ 466,67 milhões em 2023. Os números levam em conta informações da Cetip (Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos Privados) e tratam apenas das debêntures ativas da companhia. São elas: BTOW15, LAMEA4, LAMEA5, LAMEA6 e LAMEA7.

A queda mais significativa foi vista com as debêntures BTOW15, que viram o montante financeiro negociado sair de R$ 163,15 milhões em 2022 para apenas R$ 3,15 milhões um ano depois.

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O número de dias com negócios de debêntures da varejista também sofreu uma redução significativa ao longo de 2023. O destaque também ficou por conta do título BTOW15, que viu a quantidade de dias de negociação cair de 198, em 2022, para apenas 22 no ano passado.

Balanço da Americanas

Nesta segunda-feira (26), a companhia divulgou o seu balanço. A varejista registrou um prejuízo líquido de R$ 4,61 bilhões nos nove primeiros meses de 2023 (9M23), o que representa uma redução de 23,5% em relação ao prejuízo líquido de R$ 6,02 bilhões nos nove primeiros meses de 2022.

Um dos números mais esperados pelos analistas era o do endividamento da rede de varejo. No encerramento do terceiro trimestre de 2023, as dívidas líquidas somaram R$ 33,443 bilhões, um aumento de 10,6% na comparação com setembro de 2022. Já a dívida bruta chegou a R$ 38 bilhões.

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Segundo a companhia, o endividamento está em patamares altos, mas tem tendência de “relevante redução” com a execução do Plano de Recuperação Judicial.

O caixa da empresa, que chegou quase a zerar logo depois da descoberta do rombo, encerrou setembro em R$ 4,929 bilhões, baixa de 49,5% em 12 meses. “Hoje já podemos dizer que superamos a fase mais crítica pela qual a Americanas passou”, afirmou o comando da empresa no balanço.

Justiça homologa RJ

Após meses à espera de uma definição, a 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro homologou, na manhã desta segunda-feira (26), o plano de recuperação judicial da Americanas (AMER3), que tinha sido aprovado em 19 de dezembro de 2023 em Assembleia Geral de Credores.

“A Americanas, de acordo com o PRJ [Plano de Recuperação Judicial] aprovado e homologado judicialmente, divulgará comunicados aos credores e ao mercado a respeito dos prazos a serem iniciados com a publicação da decisão judicial que homologou o PRJ”, destacou a companhia em comunicado, ressaltando que manterá seus acionistas e o mercado em geral informados sobre o desenvolvimento do plano. A dívida da Americanas a ser reestruturada é de R$ 50 bilhões.

A varejista pediu recuperação judicial no começo do ano passado, dias após revelar um rombo contábil de R$ 20 bilhões, em um dos maiores escândalos corporativos da história do Brasil.

As ações AMER3 chegaram a ter a negociação interrompida perto das 12h desta segunda-feira (26) pela iminência do fato relevante sobre o tema. Horas depois, ao redor de 14h50 (horário de Brasília), os papéis eram negociados, com alta de 1,92%, aos R$ 0,53.