Não compre ações do setor de telecomunicações do Brasil, diz BofA

Citando queda nos preços do wirelles e aumento do risco regulatório, banco corta recomendação para Telefônica Brasil e reduz preço-alvo de Oi e TIM

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SÃO PAULO – O clima de tensão no setor de telecomunicações, que ganhou força com as recentes suspensões de vendas anunciadas pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) a empresas como Oi (OIBR3, OIBR4) e TIM Participações (TIMP3), deve se manter por um bom tempo, pressionando as ações dessas companhais na bolsa, acredita o Bank of America Merrill Lynch, que rebaixou suas estimativas para Telefônica Brasil (VIVT4), TIM e Oi.

Em relatório divulgado nesta terça-feira (21), os analistas Mauricio Fernandes e Rodrigo Villanueva apontaram dois fatores como os principais motivos dessas mudanças: o aumento do risco regulatório, sobretudo por conta da atuação mais incisiva da Anatel no setor; e a queda nos preços do serviço de wirelles. Eles citam ainda que mesmo diante da expectativa de recuperação da economia brasileira no segundo semestre, o setor de telecom tende a ser “menos sensitivo a ciclos econômicos”, não devendo tirar muito proveito desse cenário.

Por conta disso, mesmo que as ações do setor de telecomunicações estejam performando abaixo da média do mercado, a expectativa é de que esse mal desempenho permaneça no curto prazo, atestam os analistas.

Telefônica: recomendação cortada
A recomendação dada aos ADRs (American Depositary Receipts) da Telefônica Brasil passou de compra para neutra, enquanto o preço objetivo estimado foi reduzido em US$ 5 – passando de US$ 31 para US$ 26. Eles também incorporaram um novo preço-alvo para as ações VIVT4, de R$ 53 – o que representa um potencial de valorização de apenas 8,12% em relação ao fechamento da última segunda-feira (20).

Embora acreditem que a empresa é a opção mais defensiva dentro do setor de telecomunicações no Brasil, os analistas acreditam que o maior risco regulatório e o aumento da competitividade nos segmentos de telefonia fixa e de wirellles devem arrefecer o ânimo dos investidores em relação à nova empresa. Aliado a tudo isso, Fernandes e Villanueva acreditam que os investimentos em fibra ótica da companhia, que estão próximos de serem lançados, devem demorar para dar resultado.

TIM e Oi: preço-alvo reduzido
Para as ações da TIM, a recomendação neutra foi mantida, com o preço-alvo passando de R$ 11 para R$ 10 – upside de 17,37% frente ao último fechamento -, repercutindo os fracos números apresentados no balanço do 2º trimestre. Para os analistas do BofA ML, a desaceleração no crescimento do Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) deverá forçar a companhia a reduzir os preços do wirelles para recuperar os níveis de vendas.

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Por fim, o target dado às ações preferenciais da Oi passou de R$ 10,50 para R$ 9,00 (upside de 24,84%) muito por conta da expectativa de maiores dividendos a serem distribuídos pela empresa – Fernandes e Villanueva elevaram suas projeções de dividend yield (dividendo pago por ação/cotação da ação) de 12% para 13%. Sobre a empresa, os analistas afirmam que apesar da nova gestão do grupo já tenha mostrado bons sinais de progresso desde a integração de todas as empresas do grupo em abril, a queda nos preços do wirelles e o aumento do risco regulatório tornaram esses papéis mais “arriscados” para o investidor. A recomendação neutra também foi mantida.

Thiago Salomão

Idealizador e apresentador do canal Stock Pickers