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O Morgan Stanley e a Cliffwater limitaram resgates em seus fundos bilionários de crédito privado depois que investidores tentaram sacar volumes muito acima do que os veículos permitem.
O principal veículo de crédito privado da Cliffwater, com US$ 33 bilhões, limitou os resgates a 7% das cotas no primeiro trimestre, após investidores pedirem a retirada de um recorde de 14%. O North Haven Private Income Fund, do Morgan Stanley, com quase US$ 8 bilhões em ativos, devolveu cerca de US$ 169 milhões, ou menos da metade dos pedidos de resgate feitos pelos investidores, após limitar os resgates a 5% das cotas.
Os movimentos estão entre os exemplos mais claros até agora de fundos de crédito privado lidando com uma onda de pedidos de resgate em meio ao aumento das preocupações com a qualidade de seus empréstimos, especialmente para empresas de software ameaçadas pela inteligência artificial. Embora a maioria dos fundos tenha tentado atender à demanda dos investidores por caixa, a BlackRock Inc. decidiu na semana passada limitar resgates, movimento que desde então foi seguido por outros gestores.
Representantes da Cliffwater e do Morgan Stanley se recusaram a comentar.
Enquanto isso, o mercado de crédito privado, de US$ 1,8 trilhão, enfrenta pressão adicional com o escrutínio sobre o valor de seus empréstimos ilíquidos.
O JPMorgan Chase & Co. está restringindo parte do crédito concedido a fundos de crédito privado após reduzir o valor atribuído a determinados empréstimos ligados a empresas de software em suas carteiras. A queda no valor desses ativos vai limitar quanto o banco pode emprestar aos fundos, embora a medida afete apenas um pequeno grupo de tomadores e não tenha provocado, até agora, chamadas de margem relevantes.
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Quanto à onda de resgates, os fundos de crédito privado voltados ao investidor de varejo normalmente são obrigados a oferecer recompras trimestrais de suas cotas, mas não são estruturados para acomodar facilmente uma corrida por saídas.
A Cliffwater disse que o pagamento de 7% era o “máximo regulatório” em carta de quarta-feira assinada pelo fundador e diretor-presidente Stephen Nesbitt, vista pela Bloomberg News. Um porta-voz da gestora confirmou o conteúdo da carta.
Os gestores do Cliffwater Corporate Lending Fund vinham debatendo se limitariam os resgates em 5% ou 7%, diante da expectativa de que os pedidos superassem o teto mais alto, informou anteriormente a Bloomberg News.
Na carta, Nesbitt disse aos investidores que o desempenho do fundo da Cliffwater “permanece forte”. Ele destacou retorno anualizado de cerca de 9,4% desde junho de 2019 e um “histórico próximo de zero em perdas realizadas”. A liquidez do fundo como percentual do valor patrimonial líquido é de 21%, segundo a carta.
O fundo atendeu resgates de 7% durante a pandemia de Covid e concordou, no trimestre passado, em recomprar 5,3% das cotas, disse Nesbitt aos investidores.
Em sua própria carta aos clientes, o Morgan Stanley apontou desafios enfrentados pela indústria de crédito privado de forma mais ampla, incluindo contração nos yields dos ativos e incerteza em torno do ambiente de fusões e aquisições. Ainda assim, o banco espera que “algumas dessas pressões possam diminuir em breve”.
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O North Haven tinha mais de US$ 2,2 bilhões em liquidez disponível em 31 de janeiro, disse o Morgan Stanley na carta, ao mencionar também retorno líquido anualizado de 8,9% em três anos para o fundo.
“A estrutura da companhia foi desenhada intencionalmente para equilibrar o desejo de oferecer aos investidores a oportunidade de liquidez periódica com as características menos líquidas dos ativos privados nos quais a companhia investe”, escreveu o Morgan Stanley.
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