Mercado de ações transformou US$ 1 em US$ 124 mil desde 1900, mostra estudo do UBS

Banco destaca capacidade do investimento em bolsa de proteger patrimônio, e que impacto geopolítico sobre os preços não costuma ser maior do que o de crises econômicas

Paulo Barros

Bolsa de Nova York
22/09/2025. REUTERS/Jeenah Moon
Bolsa de Nova York 22/09/2025. REUTERS/Jeenah Moon

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Investir em ações foi, de longe, a estratégia mais lucrativa ao longo de mais de um século de história financeira. Segundo estudo do UBS, US$ 1 aplicado em ações nos Estados Unidos em 1900 teria se transformado em US$ 124.854 até o fim de 2025, superando com ampla margem títulos públicos, aplicações de curto prazo e a inflação.

No mesmo período, o mesmo valor teria crescido para US$ 284 em títulos de longo prazo e US$ 69 em Treasury bills, enquanto a inflação elevaria o índice equivalente a US$ 38. 

O relatório reúne dados históricos de retornos de ações, títulos, caixa, moedas e inflação em 35 mercados desde 1900, formando uma das séries mais longas disponíveis sobre desempenho de ativos financeiros no mundo. 

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“Esse padrão sustenta uma das leis duradouras das finanças, a lei do risco e retorno, e a ideia de que assumir risco deve trazer uma recompensa esperada”, diz o banco suíço.

O estudo também mostra que a superioridade das ações não foi um fenômeno isolado dos Estados Unidos. Entre os países com séries históricas completas analisadas no levantamento, as ações foram o ativo com melhor desempenho em todos eles. 

Economia pesa mais que geopolítica

Em meio à eclosão da guerra do Irã e do temor de que ela possa se prolongar mais do que se esperava, o banco se debruçou também sobre o efeito de crises geopolíticas nos mercados.

Spesar de guerras, conflitos e tensões internacionais dominarem frequentemente o noticiário econômico, o estudo indica que eventos geopolíticos nem sempre têm relação direta com o desempenho das bolsas no curto ou médio prazo.

“Usando uma regressão simples entre retornos futuros das ações globais e um índice de ameaça geopolítica, não encontramos relação, seja olhando um mês ou um ano à frente.”

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Isso não significa que conflitos não possam provocar quedas relevantes. O banco aponta que grandes choques geopolíticos estiveram associados a alguns dos piores episódios da história das bolsas globais, especialmente quando provocaram impactos econômicos amplos.

Entre os exemplos citados estão a Primeira Guerra Mundial, a Segunda Guerra Mundial e o choque do petróleo de 1973-74, que estiveram ligados a três dos seis piores períodos para os mercados acionários desde 1900. 

Ainda assim, a análise histórica indica que crises econômicas internas tiveram papel ainda mais decisivo para grandes quedas de mercado.

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“O risco econômico tem sido historicamente ainda mais importante para os investidores.” 

Segundo o estudo, três dos quatro maiores mercados de baixa em tempos de paz foram provocados por fatores econômicos, enquanto a queda de 1973-74 começou com um choque geopolítico, mas acabou se transformando em uma crise econômica mais ampla.

A conclusão é que, na maioria dos casos, “os investidores estariam corretos em ignorar o ruído da geopolítica.”

Paulo Barros

Jornalista há mais de 15 anos, editor de Investimentos no InfoMoney. Escreve sobre renda fixa e variável, alocação e o universo dos criptoativos