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SÃO PAULO – O volume negociado pelos investidores institucionais no segmento Bovespa ultrapassou o dos estrangeiros no mês de março, segundo dados da BM&F Bovespa divulgados nesta quarta-feira (6).
Enquanto a participação dos institucionais subiu de 33,47% em fevereiro para 34,73% no mês passado, os estrangeiros tiveram a fatia reduzida de 34,05% para 32,44% no mesmo período.
De acordo com especialistas, uma das consequências da menor participação dos investidores estrangeiros é a diminuição da volatilidade (oscilação) da bolsa. “Eles [os investidores estrangeiros] costumam entrar com grandes volumes e a volatilidade aumenta por conta disso”, afirma o analista-chefe da corretora Souza Barros, Clodoir Vieira.
O gerente do INI (Instituto Nacional de Investidores), Paulo Portinho, concorda: “Se a redução de participação do investidor estrangeiro e o aumento do institucional for uma tendência e não uma coisa esporádica, pode ser que a volatilidade seja reduzida”, diz Portinho.
Mas, de acordo com o especialista, para que isso seja confirmado, é preciso que em outros meses a participação dos investidores institucionais continue maior. “O investidor institucional não tem porque “girar” (comprar e vender ações em prazos curtos). Por isso, as oscilações são menores”, ressalta.
Reposicionamento dos fundos
Entretanto, para o especialista, é difícil que essa maior participação dos institucionais se confirme como uma tendência. Segundo ele, uma das explicações pode ser o reposicionamento dos ativos dos fundos.
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“É possível que, em março, os fundos estejam se reposicionando para o ano, já saíram análises e balanços”, acredita o profissional.
Mais liquidez
Para o analista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger, quando os investidores estrangeiros entram com mais força no mercado, aumenta a facilidade de compra e venda dos ativos, conhecida como “liquidez”, por conta do maior volume de negócios.
“A bolsa tende a ter correlação com o fluxo positivo do investidor estrangeiro”, diz Brugger. “Se este fluxo estiver positivo, a tendência é que a bolsa suba”, afirma o profissional.
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De acordo com dados da BM&F Bovespa, no mês de março, o saldo do investidor estrangeiro na Bovespa ficou negativo em R$ 1,771 bilhão, em resposta ao ingresso de R$ 42,977 bilhões e à saída de R$ 44,748 bilhões.
Além disso, o aumento da participação dos estrangeiros, assim como um maior saldo de negociação deste tipo de investidor na bolsa, também tem efeito psicológico nos investidores de varejo.
“Quando o estrangeiro está com apetite por investimentos no País, fica uma sensação de que a bolsa está boa e que tende a subir”, diz Brugger.
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Fuga dos estrangeiros
Para os especialistas, a diminuição da participação dos investidores estrangeiros é reflexo da instabilidade, principalmente no cenário externo. “Vários fatores, guerra na Líbia, Japão, situação fiscal em Portugal. Em momentos de incertezas, o investidor acaba ficando fora dos mercados emergentes, esperando uma definição um pouco maior”, diz Brugger.
Clodoir Vieira, da Souza Barros, tem opinião semelhante e acrescenta. “Também acredito que isso seja um reflexo das medidas do governo para evitar a valorização do real em relação ao dólar”.