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Os multimercados de estratégia macro que lideraram em maio apostaram no exterior, especialmente em tecnologia, acompanhando a disparada das bolsas americanas. No último mês, o S&P 500 subiu 5,3% e o Nasdaq Composite avançou 8,9%, e o segmento de tecnologia disparou 16%. Os fundos brasileiros seguem uma tendência global de rotação para o setor, com os hedge funds monitorados pelo Goldman Sachs elevando a exposição a inteligência artificial em 853 pontos-base.
No topo do levantamento do InfoMoney com dados da Economatica, que analisou 240 fundos com mais de R$ 100 milhões de patrimônio, aparece o Adam Macro, da Adam Capital, que subiu 17,80% no mês, o equivalente a mais de 1.600% do CDI, que avançou 1,07%. Logo atrás veio o Kapitalo Zeta, com alta de 2,97%. As líderes, porém, conviveram com mais risco.
As duas líderes foram também as de maior volatilidade da amostra, com 12,69% ao ano no Adam Macro Master e 13,27% no Zeta, bem acima dos fundos de retorno mais modesto.
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Onde Investir no 2º semestre
| Fundo | Patrimônio (R$ mi) | Maio (%) | 2026 (%) | 12 meses (%) | Volatilidade |
|---|---|---|---|---|---|
| Adam Macro Master | 220 | 17,80 | 22,47 | 29,10 | 12,69 |
| Kapitalo Zeta | 1.036 | 2,97 | 1,07 | 14,50 | 13,27 |
| Safra Global Equities | 144 | 2,72 | 8,90 | 19,10 | 6,08 |
| Legacy Capital Alpha | 2.519 | 2,27 | 3,62 | 15,97 | 10,52 |
| Kapitalo Estrat. Kappa | 221 | 2,15 | 3,39 | 15,42 | 7,84 |
| Ibiuna Hedge St Master | 2.698 | 1,78 | -0,22 | 8,40 | 8,51 |
| Gávea Estratégia Macro | 364 | 1,67 | 4,12 | 9,12 | 5,52 |
| Legacy Capital Master | 3.106 | 1,64 | 4,53 | 15,81 | 5,31 |
| Asa Gauss Ci Mult | 260 | 1,64 | 4,58 | 17,31 | 8,64 |
| Jubarte Migration | 366 | 1,57 | 7,08 | 19,46 | 5,05 |
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O que explica os desempenhos?
Por trás do resultado da Adam está a volta de uma aposta em ações específicas, os chamados single names, segundo o gestor Marcio Appel. Em entrevista concedida em maio ao InfoMoney, ele atribuiu o desempenho à concentração em papéis selecionados, estratégia que a casa retomou no fim de 2025 após cinco anos sem adotá-la. Appel não revelou quais são esses papéis. A carteira está comprada em tecnologia americana e em dólar, vendida na bolsa brasileira e no euro, e posicionada para alta dos juros e da inflação implícita no Brasil, conforme a carta de maio da gestora.
A tese que costura essas posições é a de que a revolução da inteligência artificial vai concentrar capital nos Estados Unidos, fortalecer o dólar e expor os emergentes, em especial o real. “Nunca teve nada tão óbvio”, disse Appel sobre a oportunidade na tecnologia americana. Para ele, o real está artificialmente valorizado e a correção, quando vier, será intensa. “O preço devia ser 8 e não 5”, afirmou, sobre onde deveria estar o dólar. Na carta, a Adam reforça que o crescimento brasileiro é artificial, sustentado por estímulo fiscal, e que o Banco Central errou ao cortar a Selic para baixo de 15%.
O Kapitalo Zeta, que reúne os 13 times de gestão da casa, chega a 70% de exposição ao exterior e também mantém viés otimista com os EUA e a IA, segundo Bernardo Feijó, COO da gestora. Ele observa que os resultados fortes das empresas de tecnologia em maio reforçaram o fluxo para as bolsas americanas e favoreceram o dólar.
Appel, da Adam, vê espaço para mais. “O nosso cenário ainda não começou a aparecer. Se ele aparecer, o resultado vai ser muito superior ao que aconteceu até aqui”, afirmou.
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Classe ainda enfrenta dificuldades
Ainda assim, o desempenho de maio não significa euforia para a classe, e os ganhos vêm desiguais. O IHFA, índice da Anbima que acompanha os multimercados, subiu 0,62% em maio, abaixo do 1,07% do CDI, e piorou em junho, com queda de 1,42% até o dia 10, contra alta de 0,32% do CDI. Em 12 meses, o índice rende 9,55%, ante 14,87% do CDI.
A captação reforça o quadro. Em maio, os multimercados lideraram os resgates da indústria de fundos, com saída líquida de R$ 6,4 bilhões, o quarto mês seguido de captação negativa, segundo a Anbima, enquanto a renda fixa seguiu como principal destino dos recursos. No acumulado do ano, a classe ainda fica positiva, mas por uma margem estreita de R$ 1,4 bilhão, depois de resgates de R$ 58,9 bilhões em 2025 e perda de quase R$ 700 bilhões desde 2022, no quarto ano seguido de saídas, em meio à concorrência da renda fixa isenta.