Investidores ESG têm finalmente critérios mais claros para ler relatórios de sustentabilidade; veja quais são

Ausência de padronização gerava cenário confuso para investidores; medida é apoiada por empresas como Bank of America e Deutsche Bank

Bloomberg

(RomoloTavani/Getty Images)

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A pauta de investimento ESG atingiu um marco importante recentemente, quando o International Sustainability Standards Board (ISSB) lançou diretrizes para a padronização de relatórios de sustentabilidade. A novidade abre caminho para que empresas de todo o mundo divulguem informações uniformes sobre impactos climáticos e sustentabilidade.

A estrutura publicada pelo ISSB, no final de junho, pretende reformular as normas de relatórios ESG. A padronização também afeta as informações que as empresas incluem em seus relatórios financeiros, para indicarem melhor os riscos ambientais, sociais e de governança.

Sem uma estrutura global de relatórios ESG, “o cenário ficou muito confuso”, disse Sue Lloyd, vice-presidente do ISSB, em entrevista. Com os novos padrões, “os investidores podem ter certeza de que, quando comparam empresas, o fazem de maneira semelhante ao tomar suas decisões de investimento”.

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Os padrões, que compreendem estruturas separadas para relatórios climáticos e de sustentabilidade, marcam o ápice de um esforço de anos. A sigla ESG foi cunhada pela primeira vez em 2004 por uma equipe afiliada às Nações Unidas. Nos anos seguintes, no entanto, os reguladores praticamente não atuaram e o rótulo foi associado a um número cada vez maior de produtos e atividades financeiras, transformando-se em um negócio multibilionário.

Nos últimos anos, reguladores na Europa, Estados Unidos e Ásia tentaram trazer ordem a um mercado no qual o greenwashing – a rotulagem incorreta de produtos ESG – tornou-se uma preocupação generalizada. A União Europeia criou uma classificação e foi a primeira a lançar um conjunto de regras ESG para investidores. Agora, o órgão está avançando com regulamentações para empresas, como parte de um pacote completo que, em última instância, redesenha as linhas do capitalismo.

Nos Estados Unidos, a Securities and Exchange Commission (SEC, equivalente à CVM no Brasil), está trabalhando para que as empresas reportem suas pegadas de carbono. Esses esforços incluem exigir que as companhias relatem dados absolutos de emissões, o que encontrou resistência de JPMorgan, Exxon Mobil, Goldman Sachs, entre outros. A hostilidade do Partido Republicano nos Estados Unidos em relação ao ESG também complicou os esforços para formular as regras do ESG nos país.

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Os regulamentos ESG em todo o mundo dispararam 155% na última década, de acordo com a ESG Book, uma empresa de tecnologia e dados de sustentabilidade. Lloyd diz que “paradoxalmente”, há “muita informação por aí”. Mas essa informação existe dentro de “uma paisagem muito confusa”, por causa das “estruturas com diferentes abordagens, diferentes áreas de foco”, disse ela.

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Reações

Brian Moynihan, CEO do Bank of America, classificou os padrões ISSB como “um primeiro passo importante para o desenvolvimento de uma base global de padrões abrangentes de sustentabilidade para o mercado”. O desenvolvimento significa “que o capitalismo e os mercados podem continuar a se concentrar no desenvolvimento sustentável de longo prazo”.

Zhongming Zhu, vice-ministro das Finanças da China, disse que “a China está totalmente comprometida em apoiar o trabalho do ISSB e o desenvolvimento de padrões globais de divulgação de sustentabilidade”.

Jane Goodland, diretora de sustentabilidade do London Stock Exchange Group, disse que o ISSB “forneceu a base global prática, flexível e interoperável para relatórios de sustentabilidade corporativa de que precisávamos urgentemente” e acrescentou que “incentivamos os formuladores de políticas a adotar os novos padrões do ISSB como base global até 2025.”

Já Gerald Podobnik, CFO do banco de investimento, do banco corporativo e ESG do Deutsche Bank, disse que os padrões devem ser vistos como uma “caixa de ferramentas para medir o desempenho e um catalisador para impulsioná-lo. Uma chance de mitigar riscos e aproveitar oportunidades. Um campo de jogo nivelado”.

Christopher J. Ailman, CIO do Sistema de Aposentadoria dos Professores do Estado da Califórnia (CalSTRS, na sigla em inglês) disse que os novos padrões ISSB se baseiam em esforços focados no investidor. “É imperativo melhorarmos as informações financeiras relacionadas à sustentabilidade para nos ajudar a gerenciar os riscos de nosso portfólio, para podermos proteger as pensões dos educadores públicos da Califórnia, e os padrões ISSB nos ajudarão a atingir esse objetivo”, disse ele.

Nicolette Bartlett, diretora de impacto do CDP Global, chamou os padrões ISSB de “passo importante”. Os relatórios de emissões têm aumentado, “mas não tanto quanto precisamos”, disse ela.

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Por enquanto, as melhores práticas para o planejamento da transição climática são seguidas por menos de 1 em cada 100 empresas, de acordo com um relatório de fevereiro do CDP.

As empresas podem começar a aplicar a estrutura do ISSB no próximo ano, o que significa que os primeiros relatórios usando os padrões estarão disponíveis para os investidores em 2025. Cada país terá que decidir se torna a estrutura do ISSB obrigatória. O Fórum Econômico Mundial concordou em fornecer relatórios regulares ao ISSB sobre o progresso que as empresas fazem na adoção de seus padrões.

O anúncio, realizado no final de junho, vem após um processo de consulta que durou mais de 18 meses. As organizações sem fins lucrativos já deixaram claro que acham que a estrutura do ISSB fica aquém de um pilar fundamental dos relatórios de sustentabilidade: a dupla materialidade. Os padrões não exigirão que as empresas divulguem seu impacto ambiental ou social no mundo ao seu redor, uma decisão que o ISSB argumenta ser determinada pelos limites de seu mandato.

A versão final também reflete um ajuste devido às demandas corporativas relacionadas às dificuldades na coleta de dados. Como resultado, as empresas poderão limitar os relatórios de emissões do primeiro ano aos Escopos 1 e 2 e excluir as emissões das cadeias de valor, conhecidas como Escopo 3. Além disso, as empresas estarão livres para se concentrar primeiro nos relatórios climáticos e atrasar as divulgações de sustentabilidade em um ano.

Confira o que os padrões climáticos ISSB exigirão que as empresas façam:

Veja o que os padrões de sustentabilidade do ISSB exigirão que as empresas façam:

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