Podcast Outliers

Mar Asset: fundadores explicam como usam apenas uma estratégia para gerar lucros acima da média

No 42º episódio do podcast Outliers, os sócios fundadores da Mar Asset explicam as táticas da empresa para obter retorno anual de CDI + 10%

Por  Equipe InfoMoney -

Os gestores da Mar Asset Management têm um objetivo ousado: com uma única estratégia de investimentos para seu fundo multimercado eles buscam um retorno anual de CDI + 10%. Para alcançar a meta, investem em micro e macro estratégias balanceadas, em uma equipe enxuta e trabalham com foco 100% dedicado à performance.

Bruno Coutinho e Philippe Perdigão, sócios fundadores da Mar Asset, explicam que a proposta da casa é justamente essa: ter dedicação total a apenas uma estratégia para criar uma empresa longeva e consistente. “Não queremos crescer de maneira demasiada, queremos ter o menor tamanho possível, um bom time, bem remunerado, e que não atrapalhe nossa rentabilidade”, afirma Philippe Perdigão.

Bruno e Philippe são os convidados do 42º episódio do podcast “Outliers”, apresentado por Samuel Ponsoni, gestor de fundos da família Selection na XP, e Carol Oliveira, coordenadora de análise de fundos da XP.

A Mar Asset surgiu quando Bruno e Philippe se uniram ao sócio investidor Luis Moura que, após fundar a 3G Capital em Nova York e ter trabalhado no BTG Pactual e Citibank NA, estava analisando como alocar seu próprio capital.

A parceria dos três foi a base para a Mar Asset, fundada em 2019, e para o único fundo da gestora, o Mar Absoluto. Assim, os sócios não apenas apresentam ao mercado um produto para os investidores em geral, mas também alocam seus próprios recursos no fundo multimercado.

“O dinheiro dos sócios é investido nas mesmas condições que o dos investidores. O fundo que está o nosso dinheiro é o que os investidores investem. Assim, temos muita consistência na nossa tomada de decisão. Muito dever de casa, equipe comprometida e alinhada”, resume Bruno Coutinho.

Hoje o patrimônio líquido do Mar Absoluto Multimercado é de cerca de R$ 700 milhões.

Três surfistas no mercado financeiro

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Um elemento que une os três sócios fundadores da Mar Asset é o surfe. O esporte serviu para ajudar na construção do nome da marca e até mesmo a forma como os gestores enxergam o mercado financeiro.

Bruno Coutinho, que chegou a ser surfista profissional, mas virou a carreira para o mercado financeiro, vê o mar como uma metáfora dos mercados.

“O mar é esse ambiente de variáveis inexoráveis que a gente não controla. E a única coisa que a gente controla é observar e reagir. Não controlamos o vento, a maré, o tamanho da ondulação. Mas a gente controla nossa reação, a hora de sair da água, de entrar, remar mais forte, devagar. E é isso que pensamos no mercado de maneira geral também”, compara ele.

Estratégias micro e macro reunidas

Na gestão da Mar Asset os principais pilares são o estudo e a alocação de risco controlada, aliados à constante reflexão sobre estratégias a serem adotadas e paciência na construção das teses e da empresa.

Os gestores entendem que combinar estratégias micro e macro são a chave para chegar ao almejado retorno de CDI + 10% ao ano. “O fundo tem risco, mas navegamos através dos ciclos, pois não precisamos obrigatoriamente estar alocados. E temos bastante caixa no fundo, que nos protege de eventos de falta de liquidez”, explica Bruno. Ele diz ainda que a gestora não investe em crédito para melhorar a rentabilidade do fundo, pois entende que isso gera fragilidade de liquidez nas crises.

A regra na Mar Asset é operar apenas ativos que os gestores conheçam com profundidade. Nossa complexidade está no estudo. E depois expressamos essas ideias de maneira muito simples e concentradas. São poucas ideias e que vão entregar retorno considerável para o fundo se estivermos certos em nossas teses”, pontua Philippe.

Divergências e oportunidades em meio às quedas

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Por conta das experiências prévias distintas, os três sócios da Mar Asset acreditam que complementam seus conhecimentos para gerar mais resultados.

A divergência de pensamentos é bem-vinda, destaca Bruno Coutinho. “Naturalmente não concordamos sempre. Entendemos que um ambiente produtivo deve ser aberto para divergências. O negócio é encontrar soluções para essas divergências”, afirma o sócio-fundador da companhia.

Philippe Perdigão complementa que “não existe não errar” no mercado financeiro. “Errar é parte integrante do nosso trabalho. A gente erra, mas a gente tem que corrigir e acertar”, pontua.  

Segundo Bruno, uma grande variável que afeta negativamente a performance ao longo do tempo é a ansiedade. Casas grandes têm um adicional de ansiedade e isso afeta de forma negativa a tomada de decisão.

A expectativa de volatilidade do portfólio da Mar Asset fica entre 10% a 15%. Mas uma das grandes métricas da gestora é o stress. “A volatilidade ou VaR (Valor em Risco) é uma medida com 95% de confiança do que se pode perder em um dia. Nós queremos olhar o que está fora da confiança, para os 5%. A volatilidade em si não nos preocupa tanto porque na maioria das vezes é oportunidade. E é essa baixa ansiedade que nós carregamos que nos faz acreditar que a volatilidade traz oportunidades”, destaca Bruno.

O stop nas posições também é outra regra de risco levada a sério na Mar Asset. Se um fundo tem dropdown (queda de valor) de 15%, a gestora reduz 50% do risco total. “É como a gente se protege do ponto cego. Nossa profissão é como um trapezista. Quando você é um trapezista bom os riscos são minimizados. Mas a gente quer ser um trapezista com uma rede embaixo. E não um trapezista que quando erra cai no chão e morre”, compara Bruno.

Decisões durante a pandemia

Momento de incerteza para todo o mercado financeiro, a crise do coronavírus foi também de oportunidades e reflexões para os gestores da Mar Asset.

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Em março de 2020, quando estourou a crise, o fundo Mar Aberto estava com grande exposição em ações e, no ápice da crise, todos os ativos de risco iam mal. Após grandes reflexões, os gestores entenderam que aquela era uma grande crise e de difícil mensuração de todos os efeitos. Assim, eles apostaram que o Banco Central iria reduzir os juros ao longo de 2020.

“Estávamos vendendo ações com prejuízo para liberar orçamento de risco para montar posições em juros. Tínhamos 60% do fundo em ações e fomos para 10%. E montamos posição acreditando nessa queda de juros. Foi muito acertado. Recuperamos muito mais rápido do que o próprio mercado”, relembra Philippe Perdigão.

Aprendizados com ponto cego

Ray Dalio, um dos empresários mais bem sucedidos do mercado financeiro mundial, afirma que o ponto cego foi uma das principais barreiras de sua vida. O ponto cego são aquelas áreas que não vemos de maneira clara e objetiva, mas acreditamos que estamos tendo a visão do todo. Bruno Coutinho destaca a lição de Ray Dalio para exemplificar um de seus maiores erros e que o levou a muitas reflexões.

Na eleição presidencial de 2014, Marina Silva era vice na chapa de Eduardo Campos. Segundo Bruno, a candidata ideal por conceito era Marina pelas pesquisas qualitativas. Quando caiu o avião de Eduardo Campos no Guarujá (SP), Bruno diz que rapidamente identificou que poderia ser Eduardo. “Se fosse, a probabilidade de Dilma [Rousseff] vencer as eleições em primeiro turno aumentaria”. O mercado agiu de maneira muito negativa, com um selloff agressivo.

Porém, Bruno acreditava que a pergunta naquele momento seria se Marina estava no avião. Se não estivesse, ele tinha certeza que ela seria a candidata – e uma forte concorrente. O gestor descobriu com pessoas que financiavam a campanha de Marina que ela estava em agenda em Minas Gerais naquele momento.

Assim, Bruno pensou que Marina seria a candidata natural no lugar de Eduardo Campos e que as pesquisas viriam com o nome dela forte. Na contramão do mercado, ele aproveitou para fazer posições positivas, pois pensava que, com Marina, as chances de Dilma vencer diminuiriam de maneira relevante.

“Só que eu me apaixonei pela ideia da Marina conseguir ir para o segundo turno e ser candidata real. E demorei para reconhecer o derretimento da [candidatura da] Marina. Esse ponto cego de você achar que teve uma ideia original tão boa é um dos maiores riscos que o gestor corre. O fato hoje de sermos três gestores sêniores na Mar Asset ajuda muito a evitar isso”, ensina Bruno. 

A entrevista completa e os episódios anteriores podem ser conferidos pelo SpotifyDeezerSpreakerApple e demais agregadores de podcasts.

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