Mais ebulição no petróleo? Verde se prepara para nova disparada

Gestora de Stuhlberger avalia que impasse no Estreito de Ormuz pode levar a uma fase de destruição de demanda em meados de junho e voltou a montar proteções via opções da commodity

Paulo Barros

Guerra no Irã força os principais produtores de petróleo a iniciar corte da produção nas refinarias (Foto: Ahmad Al-Rubaye /AFP/Getty Images/Fortune)
Guerra no Irã força os principais produtores de petróleo a iniciar corte da produção nas refinarias (Foto: Ahmad Al-Rubaye /AFP/Getty Images/Fortune)

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O fundo Verde, de Luis Stuhlberger, voltou a comprar opções de petróleo e alerta que os mercados globais podem enfrentar pressão energética a partir de meados de junho, caso o impasse no Estreito de Ormuz não se resolva.

Em carta mensal, a gestora avalia que o Irã tenta construir alavancagem negocial a partir da percepção de que Trump tem baixa tolerância para retomar ataques militares, e menciona indicativos de um possível acordo com colaboração da China, mas diz que não está “plenamente confortável” com essa conclusão.

O risco de os iranianos “exagerarem na dose” durante as negociações é relevante, diz a casa, e, enquanto isso não se resolve, os estoques globais de petróleo bruto e derivados vão sendo consumidos. “Em meados de junho podemos entrar numa fase mais aguda
de necessidade de destruição de demanda”, alerta a gestora.

Oportunidade com segurança!

Foi esse cenário que levou o fundo a reconstruir a posição na commodity. Na segunda metade de abril, a alta do petróleo já havia revertido boa parte do otimismo com o cessar-fogo, e a Verde passou a carregar opções de compra como proteção para um novo movimento de alta nos preços.

O fundo encerrou abril com retorno de 2,71%, contra 1,09% do CDI no período, acumulando 7,41% no ano ante 4,54% do benchmark. Os ganhos do mês vieram do book de ações, da posição comprada em real, e da alocação em juros reais nos Estados Unidos. As perdas ficaram com os metais preciosos e com o hedge em crédito da Arábia Saudita.

No posicionamento atual, o fundo mantém exposição em renda variável no Brasil e no exterior. Na renda fixa local, não há posições direcionais. Nos Estados Unidos, a alocação está aplicada em juro real e comprada na inflação implícita. A Verde zerou a maior parte das posições de moedas por disciplina de risco, mantendo apenas opções de compra no real, e segue alocada em ouro e prata. Além das opções de petróleo, o fundo carrega uma proteção de crédito da Arábia Saudita e mantém a alocação em crédito local.

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Paulo Barros

Jornalista há quase 20 anos, editor de Investimentos no InfoMoney. Escreve principalmente sobre renda fixa e variável, alocação e o universo dos criptoativos