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SÃO PAULO – “A maior proteção do investidor é sua decisão consciente e bem informada”. A afirmação é do superintendente da CVM (Comissão de Valores Mobiliário), José Alexandre Vasco, que disse que, quanto menor for a educação financeira em um país, maior deve ser a regulação, como forma de proteger os aplicadores.
“Há estudos internacionais que dizem que o custo da regulação será tanto maior quanto menor for a educação financeira. Se, de uma forma geral, o nível de educação para compreender produtos financeiros e tomar decisões conscientes for alto, menor é a necessidade de uma regulação mais rígida. Quanto menos amadurecido o investidor, maior tem de ser a proteção”, explicou.
A regulação ajuda o investidor, ao trazer uma série de exigências na venda de produtos financeiros, para que se compreenda melhor quais os seus riscos.
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“Do ponto de vista da CVM, ela tem cuidado de não permitir que certos produtos sejam oferecidos a investidores que não sejam qualificados. Isso tem objetivo de proteção, até para impedir que pessoas que não têm condições de compreender o risco façam a opção de investir naquilo. Quanto maior a qualificação, menor será a exigência no futuro”, afirmou.
Brasil x educação financeira
Em relação ao desenvolvimento da educação financeira no Brasil, Vasco afirmou que o país está avançado frente aos vizinhos latino-americanos, uma vez que existe desde 2007 uma estratégia nacional, passo que ainda não foi dado por outros países.
“O objetivo dessa estratégia é permitir que o cidadão faça melhores escolhas, conscientes, na administração de seus recursos, na tomada de decisões de vida que afetam ou têm relação com as finanças. Portanto, estimular uma cultura de educação financeira, de prevenção e de planejamento, é o objetivo e não promover nenhum mercado”, destacou.
Dentro desta estratégia, a CVM participa de um projeto piloto de educação financeira dentro das escolas. Material didático foi elaborado e distribuído e professores foram treinados para que se passe conteúdo financeiro de forma transversal, não com aulas direcionadas ao tema, mas para que ele possa ser incluído em outras disciplinas.
Além da sala de aula, a educação financeira está priorizando grupos organizados, como o de militares e meios de comunicação em massa.
“O Banco Central iniciou o planejamento financeiro com comandos do Exército e Aeronáutica. Esse é um canal que pode ser utilizado de forma organizada e permitir um resultado maior em um primeiro momento. Mas o desafio da educação financeira é gigantesco e diferentes canais devem ser usados. A estratégia nacional prevê uso intensivo de internet, programas de rádio, para atingir a grande população, que não teve isso na escola”.