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Livro aponta investimentos imunes à crise

"Investimentos à prova de crise" mostra que o mais importante ao selecionar uma aplicação é olhar sua rentabilidade líquida real

SÃO PAULO – O ano de 2008 se tornou inesquecível para a maioria das pessoas, mas principalmente para os que investiam. Com a bolha imobiliária que estourou nos EUA e a quebra de bancos norte-americanos, uma bola de neve se formou levando a uma queda abrupta das bolsas de valores ao redor do mundo, o que causou perdas vertiginosas dos principais índices acionários, caso do Ibovespa (principal índice do mercado acionário brasileiro), que passou da casa dos 70 mil pontos para 30 mil em poucos meses.

Após o susto vieram as consequências. Problemas financeiros na zona do Euro, a situação delicada nos EUA e a menor demanda chinesa foram alguns dos efeitos que impactaram diretamente a vida das pessoas e seus investimentos financeiros.  Diante desse cenário de incertezas e dúvidas, o professor Marcos Silvestre decidiu reunir conselhos e informações no livro “Investimentos à prova de crise” sobre aplicações que combinam dinamismo e segurança frente aos resquícios da crise.

Alternativas
Dentre as alternativas para contornar um quadro de crise, Silvestre afirma que os títulos públicos ainda geram uma boa rentabilidade líquida mensal. No Brasil, é possível adquirir títulos por meio do programa Tesouro Direto. Com retornos líquidos reais (descontada a inflação) entre 0,10% e 0,15%, o que no ano equivale a 1,21% e 1,82%, respectivamente, o especialista acredita que esses números são “invejáveis” quando comparados a padrões internacionais, em questão de segurança e liquidez.

E, além de proporcionarem uma rentabilidade interessante, os títulos não possuem risco de mercado, já que a chance do governo quebrar é muito menor do que a de uma empresa, por exemplo. “Para o pequeno investidor que puder aplicar no médio prazo, o Tesouro Direto ainda é uma opção segura e lucrativa”.

Para ele, o mercado de ações é uma boa opção para quem pensa em um horizonte maior de tempo. Mesmo que a bolsa sofra com os problemas provocados por uma crise, o autor aponta que, no longo prazo, as ações tendem a ser uma alternativa mais lucrativa. “Os investimentos em ações líquidas de grandes empresas brasileiras de capital aberto, bem posicionadas em setores pujantes da economia global e nacional, bem administradas, perenemente lucrativas e com participação crescente em seus mercados, ainda deve propiciar, na aplicação no longo prazo, uma rentabilidade real seis ou mais vezes superior às opções dinâmicas mais convencionais, como Tesouro Direto”, afirma.

Para demonstrar a diferença entre as aplicações Silvestre considera um título do Tesouro Direto com uma rentabilidade líquida real de 0,10% ao mês. Levando em conta que o investidor tenha uma aplicação inicial de R$ 10 mil e aplique R$ 500 mensalmente, ele conseguirá R$ 41,5 mil em 5 anos. Já caso o investidor opte por um investimento que tenha rentabilidade mensal de 0,60% líquidos e reais, ou seja, descontando-se taxas impostos e inflação (o que é possível conseguir com as ações), o valor acumulado sobe para R$ 50,3 mil nos mesmos 5 anos.

“Investimentos à Prova de Crise transmite esta fundamental lição ao investidor: o que importa para multiplicar seu dinheiro é a rentabilidade líquida real acumulada, ou seja, o quanto se ganha de juros mês após mês, já descontando impostos, taxas e o desgaste da inflação”, frisa o professor. “Rentabilidade bruta nominal mensal pode encher os olhos, mas somente a rentabilidade líquida real acumulada enche o bolso”.

Em relação aos fundos de investimento, Silvestre se mostra mais cauteloso. De acordo com ele, existem fundos conservadores que pagam menos do que a poupança para o pequeno investidor, o que não compensa. Já no caso de fundos dinâmicos, que aplicam em todo tipo de ativo, o especialista frisa que existem alguns riscos ao aplicar neles e que muitos investidores os desconhecem. “Além disso, fundos dinâmicos com bom desempenho de rentabilidade passada e perspectiva projetada, normalmente pedem aplicações iniciais elevadas (acima de R$ 100 mil)”, pontua.

Educação financeira
Quando questionado pelo InfoMoney, Silvestre afirma que, atualmente, há mais vagas de emprego e a renda da população em geral melhorou, mas que ainda assim muitas pessoas não sabem poupar e investir. “Por isso vivem para ‘pagar contas’ e conquistar tão pouco em suas vidas financeiras, apesar de todo o esforço diariamente empenhado em seu trabalho”, ressalta.

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Portanto, investir tempo, energia e dinheiro em educação financeira pode gerar resultados muito positivos para os investidores que passaram a ganhar mais nos últimos anos. Ao que tudo indica, essa é uma boa maneira de conquistar seus principais sonhos de consumo e ter mais qualidade de vida.