Kinea reforça apostas em real, bolsa e juros com foco no impacto eleitoral de 2026

Gestora destaca que tanto Brasil quanto EUA precisarão lidar com um grande desafio no ano que vem, e que os pleitos eleitorais serão os maiores vetores para ativos

Paulo Barros

Notas de real e dólar em imagem de ilustração
18 de dezembro de 2024
REUTERS/Amanda Perobelli
Notas de real e dólar em imagem de ilustração 18 de dezembro de 2024 REUTERS/Amanda Perobelli

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A Kinea Investimentos detalhou nesta segunda-feira (1º) as posições que pretende carregar para 2026 e reforçou apostas em real, bolsa brasileira, queda de juros e inflação implícita. A gestora afirma que o comportamento dos ativos no próximo ano dependerá principalmente das decisões fiscais e eleitorais no Brasil e nos Estados Unidos, e aponta assimetria no pleito local caso haja alternância de poder.

A principal posição segue no câmbio, com a gestora mantendo aposta comprada no real via carry. O racional é que o diferencial de juros continuará relevante no início de 2026 e que a volatilidade tende a permanecer contida, mesmo diante da eleição presidencial brasileira. 

Na bolsa doméstica, a Kinea permanece comprada. A gestora entende que, se houver sinalização fiscal consistente ao longo do ciclo eleitoral, a parte longa da curva pode aliviar, abrindo espaço para reprecificação dos ativos. Segundo o texto, a combinação entre inflação mais baixa e futuro ciclo de afrouxamento monetário reforça a tese de valorização. 

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Em juros, a Kinea mantém aposta em cortes mais profundos do que os atualmente embutidos na curva. A carta afirma que “o Banco Central deverá começar a reduzir o aperto monetário no primeiro trimestre”, amparado pela desaceleração da atividade e pela trajetória benigna dos núcleos de inflação. A gestora também continua comprada em inflação implícita como forma de proteger o cenário de queda das taxas. 

No Brasil, a disputa entre continuidade e mudança é tratada como determinante para o prêmio de risco. A Kinea avalia que o governo “não tem margem para arranjos expansivos”, e que o posicionamento fiscal dos candidatos será decisivo para o comportamento da curva. O cenário de menor inflação, desaceleração econômica e limites fiscais é o que, na visão da gestora, cria as condições para o ciclo de corte de juros e respalda as posições em renda fixa e renda variável.

Seletividade lá fora

No exterior, a seleção é mais restrita. A gestora mantém exposição em empresas de tecnologia com maior capacidade de transformar investimentos em inteligência artificial em receita, afirmando que “a batalha do CAPEX chegou ao fim, agora começa a batalha da receita”. Também mantém ouro na carteira como proteção diante do ambiente de déficits elevados e acompanha o gás natural como ativo vinculado à demanda energética da IA. 

A Kinea avalia que os EUA também entrarão em 2026 sob pressão fiscal, com o governo Trump discutindo devolver parte das receitas extras das tarifas à população, algo que equivaleria a cerca de 0,5% do PIB em estímulo adicional. Para a gestora, a combinação de inflação de serviços ainda acima da meta e um mercado de trabalho enfraquecido tende a manter a curva longa pressionada. 

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)