Ajuste fino

Kashkari diz que novo plano do Fed pode repetir erros anteriores

Presidente do Fed de Minneapolis discordou dos colegas na quarta-feira, quando BC americano indicou juros estáveis até retomada consistente do emprego

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(Bloomberg) — A nova orientação do Federal Reserve sobre quando poderá elevar as taxas de juros deixa a porta aberta novamente para um aperto prematuro da política monetária e deveria ser substituída por um compromisso mais forte do BC americano de cumprir seus mandatos, disse o presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari.

“Não aumentar as taxas por cerca de um ano após o núcleo da inflação superar 2% é consistente com a estratégia de almejar uma modesta ultrapassagem a fim de atingir uma inflação média de 2%”, disse Kashkari em um artigo postado no Medium.com na sexta-feira. A alta de juros só aconteceria “quando tivéssemos demonstrado estarmos no nível máximo de emprego, porque o núcleo da inflação teria de realmente atingir ou superar 2% de forma sustentada” para permitir o aperto monetário.

Kashkari, considerado o membro dovish do Comitê Federal de Mercado Aberto do Fed (Fomc) que mais fala sem rodeios, discordou da decisão de quarta-feira, na qual o BC americano emitiu a orientação de que a taxa de referência permaneceria perto de zero “até que as condições do mercado de trabalho atinjam níveis consistentes com as avaliações do comitê de emprego máximo” e de que a inflação subiu para 2% e está a caminho de ultrapassar moderadamente esse percentual por algum tempo.

Os membros do Fomc reduziram a taxa de juros de referência para perto de zero em março, no início da pandemia. Na quarta-feira, divulgaram projeções mostrando que a maioria deles espera manter o juro nesse nível pelo menos até o final de 2023.

O presidente do Fed de Minneapolis disse que a nova orientação arrisca-se a uma repetição do que ele considera erros que o Fomc cometeu de 2015 a 2018, quando elevou as taxas de juros antes de atingir suas metas de emprego e inflação. Em 2019, o comitê reverteu parcialmente o seu curso, autorizando três cortes nas taxas em resposta a uma desaceleração econômica global que foi exacerbada por tensões comerciais.

“Este novo forward guidance provavelmente teria adiado a alta de juros de dezembro de 2015 para janeiro de 2017, um pouco mais de um ano depois”, disse Kashkari.

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