Aperto monetário

Juros terão de subir mais do que o previsto no Focus, indica Campos Neto

Segundo o relatório Focus mais recente, taxa Selic deverá subir 6,25% ao ano até o fim deste ano e 6,50% até dezembro de 2022

(Reuters) – O Banco Central precisará adotar uma política de juros mais restritiva do que a prevista pelo mercado no relatório Focus para garantir o cumprimenta da meta de inflação em 2022, afirmou nesta quinta-feira o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Em entrevista coletiva à imprensa, ele lembrou que o balanço de riscos do Comitê de Política Monetária (Copom) para a inflação é assimétrico, ou seja, os riscos de que a inflação fique acima do projetado no próximo ano são maiores do que os riscos baixistas.

“Quando o balanço é assimétrico significa que você tem que elevar os juros acima do que está projetado no Focus”, afirmou Campos Neto ao ser questionado se o BC terá que levar os juros acima do nível considerado neutro para garantir o cumprimento da meta de inflação em 2022.

As projeções do Focus incorporadas ao cenário-base do BC apontam Selic de 6,25% ao final deste ano e de 6,50% no fim de 2022. Campos Neto afirmou que a taxa real de juros neutra está atualmente em 3%.

O diretor de Política Econômica, Fabio Kanczuk, complementou o raciocínio de Campos Neto, lembrando que, no cenário do BC, o juro do Focus deixa a inflação de 2022 em 3,5%, centro da meta para o ano.

“Como há uma assimetria no balanço de riscos, isso significa que você tem que mirar uma inflação um pouco mais abaixo, tem uma gordurinha por causa da assimetria, você tem que praticar uma política monetária menos estimulativa do que os juros do Focus”, afirmou.

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