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O mercado brasileiro vive um momento de intensa atenção ao cenário político e macroeconômico. Entre vendas expressivas de investidores locais e oportunidades identificadas em empresas de menor liquidez, gestores de fundos destacam como movimentos recentes podem antecipar o comportamento do mercado nos próximos meses.
“Tem empresas de capitalização média, que concentram grande parte do mercado. Mas elas são muito mais correlacionadas com as empresas domésticas. E aí você teve um fluxo de saída muito grande para essas companhias”, disse José Rocha, sócio e gestor da Dahlia Capital.
Segundo ele, a pressão sobre setores específicos como shoppings, varejo e consumo criou um “spread amassado”, devido à menor liquidez desses papéis. Ele ressalta que, mesmo com recuperação parcial, índices como o SMLL ainda estão distantes das máximas do IBOV, reforçando oportunidades de investimento fora do índice tradicional.
“O SMLL tá muito melhor que o IBOV. Se você olhar um período razoável, o IBOV agora tá na máxima e o SMLL tá ainda longe”, explicou.
O programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo, reuniu especialistas para discutir essas tendências. Além de Rocha, participaram Andrew Reider, sócio e gestor do WHG Long Biased, e Christian Keleti, CEO da Alpha Key.
Durante a conversa, os gestores debateram estratégias para capturar oportunidades em empresas menos expostas aos grandes índices e em companhias altamente endividadas.
“Empresas que estão muito alavancadas, muito endividadas, começam a entrar nesse ciclo de melhora e desalavancagem. Elas devem transferir uma parte da dívida para equity”, afirmou Rocha.
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O gestor destacou ainda que o ciclo de cortes de juros pelo Banco Central pode gerar movimentos expressivos no mercado.
“Se o juro cai e esses caras começam a conseguir pedalar, o mercado começa a melhorar para eles. Aí você tem várias histórias, desde um Assaí (ASAI3) que tem mais de R$ 10 bilhões de dívida líquida, e eventualmente cada ponto é R$ 100 milhões no lucro”, explicou.
Small caps e empresas off-index: oportunidades em meio a incertezas
Para Rocha, o momento favorece investimentos em empresas que não concentram grande peso no índice principal. “Oportunidades que a gente conseguiu capturar nos últimos anos estão no off-index ou nas empresas que pesam menos no índice”, disse.
Ele exemplificou com casos como Ecorodovias (ECOR3), que pode se beneficiar da queda de juros para otimizar sua estrutura de capital. “Se tiver o bull market, empresas que vão dobrar e triplicar, não tenho dúvida nenhuma”, destacou.
A discussão também abordou a influência de nomes específicos na política local. “Se for o Tarcísio [Freitas; Republicanos-SP), o mercado vai antecipar. Se for o senador Flávio [Bolsonro; PL- RJ], provavelmente o mercado vai achar que a eleição vai ser mais apertada e a gente vai ficar com o negócio mais em aberto até novembro”, disse Rocha.
Ele ressaltou, porém, que a influência do cenário externo continua sendo um fator determinante: “Os mesmos ventos de cauda do externo que ajudaram o Brasil a melhorar em 2025 continuarão presentes pelos próximos três meses”.
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O debate destacou como a combinação de política interna e fatores globais, como dólar e petróleo, impacta o mercado brasileiro.
“O Brasil acaba sendo, muitas vezes, um play alavancado de dólar no mundo. Muita da melhora que a gente viu aqui não teve nada a ver com Brasília, muito pouco pelos nossos estudos”, disse Rocha, referindo-se ao desempenho de ativos brasileiros em comparação com outros emergentes.
Entre as variáveis externas, a recente redução de juros pelo Federal Reserve (Fed) e a possibilidade de indicação de um presidente mais dovish (postura mais suave) também foram apontadas como fatores que podem enfraquecer o dólar e favorecer a valorização de ativos locais.
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“Petróleo para baixo, inflação para baixo, juros para baixo, bolsa para cima. É um pouco do que a gente está vendo esse ano”, resumiu Rocha.
