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A forte queda das taxas do Tesouro Direto nesta segunda-feira (5) ampliou os ganhos de quem comprou títulos públicos nos momentos de juros mais altos do ano. Na abertura, o Tesouro Prefixado 2032 e o Prefixado com Juros Semestrais 2037 tiveram a segunda maior queda diária de taxa da série histórica do Tesouro Nacional, iniciada em 2005, segundo levantamento do InfoMoney. O levantamento considera os prefixados com mais de um ano até o vencimento. Nos títulos IPCA+ com mais de três anos até o vencimento, a queda mediana também foi a segunda maior da série.
Quando as taxas caem, o preço dos títulos sobe. Esse efeito, conhecido como marcação a mercado, beneficia quem decide vender o papel antes do vencimento.
Para dimensionar o efeito, o InfoMoney simulou uma aplicação de R$ 10 mil em títulos sem pagamento de juros semestrais, feita no dia em que cada papel atingiu a maior taxa de abertura de 2026, e o resgate nesta segunda-feira, pelos preços de abertura. Para os prefixados, o valor de resgate desta segunda foi estimado a partir da relação entre os preços de compra e de venda de sexta-feira (2). Nos títulos IPCA+, o ganho inclui a correção pela inflação do período e o efeito da queda das taxas.
O maior ganho ficou com o Tesouro IPCA+ 2050. Quem investiu R$ 10 mil em 30 de julho, quando o título pagava IPCA + 7,54% ao ano, teria hoje R$ 12.953,47 no resgate, ganho bruto de R$ 2.953,47, ou 29,5%. Desse total, R$ 1.973,17 vieram entre a abertura de sexta-feira e a desta segunda.
No Tesouro IPCA+ 2040, comprado no mesmo dia a IPCA + 7,83%, a aplicação valeria R$ 11.865,03, ganho de 18,7%. Entre os prefixados, o Tesouro Prefixado 2032, adquirido em 22 de junho a 14,90% ao ano, renderia R$ 1.318,36, ou 13,2%.
| Título | Data e taxa da compra | Valor no resgate hoje | Ganho bruto | Ganho desde a abertura de sexta |
|---|---|---|---|---|
| IPCA+ 2050 | 30/07, IPCA + 7,54% | R$ 12.953,47 | R$ 2.953,47 (29,5%) | R$ 1.973,17 |
| IPCA+ 2040 | 30/07, IPCA + 7,83% | R$ 11.865,03 | R$ 1.865,03 (18,7%) | R$ 1.061,86 |
| Prefixado 2032 | 22/06, 14,90% | R$ 11.318,36 | R$ 1.318,36 (13,2%) | R$ 611,22 |
| IPCA+ 2032 | 22/06, IPCA + 8,56% | R$ 11.156,60 | R$ 1.156,60 (11,6%) | R$ 420,77 |
| Prefixado 2029 | 10/06, 15,02% | R$ 10.909,17 | R$ 909,17 (9,1%) | R$ 235,45 |
Os valores são brutos e não consideram a taxa de custódia. Como todas as aplicações simuladas têm menos de 180 dias, o Imposto de Renda seria de 22,5% sobre o ganho. Com o desconto, o ganho no IPCA+ 2050 cairia para R$ 2.288,94, ou 22,9%, e no Prefixado 2032, para R$ 1.021,73, ou 10,2%.
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A simulação considera a compra exatamente no dia da maior taxa de abertura do ano, o que só é possível identificar depois. Para Gesner Oliveira, economista, sócio da GO Associados e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), a marcação a mercado também pode jogar contra o investidor. Segundo ele, os títulos de renda fixa tendem a sofrer perdas relevantes se o resultado de 25 de outubro contrariar o que está nos preços hoje, já que a alta das taxas derruba o preço dos papéis no curto prazo. “O segundo turno é uma nova disputa, e a diferença entre os candidatos é reversível”, afirma.
Oliveira inclui a renda fixa prefixada e os títulos de inflação, sobretudo nos vencimentos longos, entre os grupos em que podem surgir oportunidades. Mas recomenda cautela, porque prazos muito longos trazem maior volatilidade se a percepção fiscal piorar. “A recomendação dominante é não perseguir o preço no dia de maior euforia”, diz.
A queda das taxas ocorreu no primeiro pregão depois do primeiro turno das eleições presidenciais. Flávio Bolsonaro (PL) ficou à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula (PT), e os dois disputam o segundo turno em 25 de outubro.
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