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Grandes conglomerados financeiros reduziram apostas ou encerraram posições na Vale no último trimestre de 2025, mostram documentos regulatórios submetidos nos Estados Unidos. As divisões de gestão dos bancões UBS e JPMorgan, por exemplo, se desfizeram metade das ADRs (recibos negociados nos EUA) da mineradora que tinham ao fim do trimestre anterior, o equivalente a 4,7 milhões (51%) e 4,3 milhões (49%) de papéis, respectivamente.
Já o braço de asset management do Bank of America informou a venda de mais de ainda mais, 7 milhões de recibos da ação, uma redução de sua posição em 41% ao fim do ano passado em relação ao terceiro trimestre.
Outras vendas de destaque ficam por conta da Bridgewater Associates, fundada por Ray Dalio, reduziu a fatia em Vale em 18%, vendendo 1,3 milhão de ações; e a asset Morgan Stanley reduziu outros 12%, ao se desfazer de mais de 1,7 milhão de ADRs.
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Gestoras brasileiras também diminuíram a exposição à Vale. O destaque fica com a SPX, que praticamente zerou posição nos recibos negociados nos EUA: de cerca de 11 milhões ao fim do terceiro trimestre, passou a deter apenas 395 mil no final do ano, queda de 96%.

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Os dados têm como base os formulários 13F, relatório exigido pela SEC, a “CVM americana” que obriga gestores institucionais com mais de US$ 100 milhões sob gestão a divulgar, até 45 dias após o fim de cada trimestre, suas posições compradas em ativos listados nos Estados Unidos. O documento, porém, não reflete o portfólio completo dos investidores, pois não inclui posições vendidas, renda fixa, derivativos de balcão, caixa ou ativos internacionais fora do escopo da regra, o que significa que eventuais exposições à Vale podem existir fora do que é reportado nesses formulários.
A reportagem entrou em contato com a SPX para entender as razões da redução e questionar se a casa mantém posição relevante na Vale na bolsa brasileira, mas não obteve resposta até a publicação. As posições consolidadas dos fundos locais ao fim de 2025 ainda não estão integralmente disponíveis nos sistemas da Comissão de Valores Mobiliários.
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Também brasileira, a Kapitalo informou a venda integral de uma posição menor, de cerca de 289 mil ADRs da mineradora.
Outras que venderam totalmente fatias na Vale foram a Macquarie Group, que havia reportado mais de 4,2 milhões de ações no terceiro trimestre, e a Adage Capital Partners, com 1,4 milhão de papéis no período anterior. Também encerraram posição a Nomura Holdings, a Schonfeld Strategic Advisors e a Brevan Howard Capital Management, entre outros.
No agregado, no entanto, os formulários 13F mostram aumento no número total de investidores e no volume de ações reportadas ao fim de 2025, apesar das vendas relevantes por parte de grandes investidores.
Entre os que iniciaram posição nos ADRs no quarto trimestre estão a Two Sigma Advisers, com 2,4 milhões de ações, a Optiver Holding, com 2,3 milhões, e a Point72 Asset Management, com cerca de 419 mil papéis. Também abriram posição a Moore Capital Management, a Grantham Mayo Van Otterloo, e a Tudor Investment Corp, de Paul Tudor Jones.
Altos e baixos
A Vale registrou um prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões no quarto trimestre de 2025, mais de cinco vezes maior que o registrado no mesmo período do ano anterior, em meio a baixas contábeis significativas em ativos de níquel no Canadá e outras provisões não recorrentes, apesar de um desempenho operacional robusto em suas principais divisões de minério de ferro e cobre.
Mesmo com esse resultado negativo na última linha do balanço, o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) ajustado ficou acima das expectativas do mercado, apoiado por volumes de vendas maiores e preços mais elevados de commodities, e contribuiu para que o desempenho operacional fosse visto positivamente por analistas.
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Esse contexto de resultados mistos se refletiu na avaliação dos investidores: as ações da mineradora caem mais de 6% desde então, apesar de ainda acumularem alta de quase 16% em 2026 até o fechamento da última quinta-feira (19), enquanto o mercado avalia uma nova joint venture da companhia no cinturão de níquel Thompson, no Canadá.
Em relatório, o JPMorgan afirma que a estrutura “limita a carga de capital ao mesmo tempo que preserva a ligação econômica” e destaca que a operação “reduz a exposição a uma operação madura, ao mesmo tempo que retém a vantagem de potenciais extensões de recursos e sucesso de exploração”.