De olho no próximo ano

Janus Henderson elenca os principais riscos subestimados pelos investidores para 2021

Alta da inflação nos EUA e durabilidade das vacinas contra a Covid-19 estão entre os principais eventos que devem ser monitorados no próximo ano

(Getty Images)
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SÃO PAULO – Com menos de 50 dias para o fim do ano, investidores têm focado cada vez mais suas atenções no comportamento dos mercados em 2021. E embora algumas questões pareçam já estar nos preços dos ativos, como o lançamento de vacinas contra o coronavírus, há riscos sendo subestimados, ofuscados por um otimismo de curto prazo, porém essenciais para o equilíbrio de um portfólio.

Durante teleconferência com jornalistas realizada nesta segunda-feira (16), gestores da Janus Henderson, que tem sede em Londres e é responsável por cerca de US$ 358 bilhões, pontuaram alguns eventos que devem ser monitorados de perto nos próximos meses.

Entre os principais riscos que podem estar fora do radar dos investidores, Greg Wilensky, head de renda fixa americana da Janus Henderson, chamou atenção para a alta da inflação nos Estados Unidos.

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Ainda que no curto prazo o desempenho da atividade e o desemprego devam continuar a atuar como “ventos contrários” à alta dos preços, a taxa deve aumentar em 2021 e 2022 para um patamar “moderado”, consistente com o que o Federal Reserve (o banco central americano) espera, afirmou.

Na visão do gestor, as intervenções do banco central americano na crise foram apropriadas, mas criaram riscos no horizonte.

Wilensky afirma que, mesmo com os estímulos econômicos, a opção de companhias e consumidores tem sido a de guardar dinheiro em vez de gastar, diante das incertezas.

“Mas com a pandemia no espelho retrovisor e a economia retomando com força própria, se o Fed não se mexer rápido e controlar o ‘oxigênio’, do ponto de vista monetário, as pessoas podem se comportar de forma irresponsável, e as preocupações com a inflação podem ser maiores”, afirmou.

Ele destacou que, caso essa possibilidade se transforme em realidade, deverá se manifestar antes na China, uma vez que foi o primeiro país a registrar casos de contaminações pela doença. “É algo que precisamos acompanhar de perto.”

Para Paul O’Connor, head de Multi-Asset da Janus Henderson, uma das grandes preocupações no horizonte recai sobre a possibilidade de a imunidade das vacinas contra o coronavírus ter vida curta.

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Ele destacou que, caso essa possibilidade se transforme em realidade, deverá se manifestar primeiro na China, uma vez que foi o primeiro país a registrar casos de contaminações pela doença. “É algo que precisamos acompanhar de perto.”

Munições chegam ao fim

Em um ano ditado pela alta liquidez dos mercados globais, Ashwin Alankar, head de alocação global da Janus Henderson, avalia que os bancos centrais ao redor do mundo já usaram todas as suas munições, do lado monetário, e que agora os investidores devem monitorar os estímulos fiscais.

“Os juros vão continuar baixos por bastante tempo, mas os bancos centrais podem não ter tanto poder daqui para frente e o aumento da dívida pode ser dolorido”, disse.

A falta de munição dos bancos centrais, que deve seguir pressionando o dólar, e os impactos de uma segunda onda de coronavírus na Europa e nos EUA devem continuar a suportar os preços de ativos como ouro e ações de mercados emergentes, afirmou O’Connor.

Rotação de setores

Em termos globais, diante do excesso de liquidez nas economias, a avaliação de Alex Crooke, co-head de ações da Janus Henderson, é de que o mercado deve ver uma rotação dos setores preferidos da Bolsa.

“Com o F.O.M.O. [medo de ficar de fora, na sigla em inglês], se as ações acharem novos temas ou setores, elas podem puxar dinheiro, porque tem muito capital esperando por confiança para ser investido”, disse.

Entre os segmentos, ele citou aqueles relacionados a consumo, indústria e ao setor financeiro.

“O que vimos semana passada, com as notícias das vacinas, foi suficiente para ajudar o mercado e deve ser o tema do ano. Se continuarmos a ter boas notícias, vamos ver uma luz no fim do túnel e uma continuidade de rotação [na Bolsa], com mais confiança na retomada da economia global”, avalia O’Connor.

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