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Pergunta:
Tenho 37 anos, casado, ainda sem filhos. Não tenho grandes dívidas, com exceção de financiamento imobiliário atualmente em R$ 40 mil, que venho amortizando e pretendo terminar de pagar antes do prazo utilizando recursos do 13º. Tenho perfil conservador e não tenho “estômago” nem conhecimento suficiente para arriscar em ações, então tenho investido sempre de forma bem conservadora. Meu portfólio atual consiste de:
– R$ 80 mil aplicado em CDB (sem prazo de uso). Não tenho aplicado mais pois o banco oferece apenas 84% do CDI para novas aplicações.
– R$ 29 mil em PGBL, com aporte mensal de R$ 250,00, visando aposentadoria (resgate aos 65 anos). Uso também para minimizar o pagamento de IR na declaração anual.
– R$ 2 mil em VGBL, com aporte mensal de R$ 50,00, como condição necessária para financiar meu imóvel no banco. Tenho pensado em usar para amortizar o saldo devedor do mesmo quando chegar mais próximo da quitação, ou se valer muito a pena, manter pensando em aposentadoria.
– R$ 32 mil em poupança, visando possível temporada morando 6 meses fora do Brasil ainda esse ano. Tenho colocado o dinheiro que sobra na poupança pela perspectiva de uso a curto prazo.
– Tenho lido bastante sobre Tesouro Direto e já timidamente iniciei algumas aplicações, porém sempre em NTN-B Principal de longo prazo (títulos para 2015, adquiridos em 2008 e para 2035, adquiriridos esse ano). Minha visão nesse caso foi a de me proteger da inflação, garantindo pelo menos rendimento real de IPCA + 6% ao ano, com vista a utilização a longo prazo.
Disponho de um valor variável entre R$ 500,00 a R$ 4.000,00 para aplicar todo mês. Meus objetivos reais são: sair da poupança (já que não está nem empatando com a inflação) sem obrigatoriamente entrar na renda variável (já que acho que não teria coragem suficiente para investir). Qual o caminho que vocês me indicariam? Estou certo no caminho que venho traçando? Onde investir esse valor entre R$ 500,00 e R$ 4.000,00, pensando em usar mais ou menos 50% desse investimento em um prazo de 2 anos e o restante para garantir uma aposentadoria decente? Tesouro Direto? Letras de Crédito Imobiliário?
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Leitor: André
Resposta de Marcos Vinícius Brízido, CFP, planejador financeiro certificado pelo IBCPF:
O ponto de partida é o seu perfil geral, e sem conhecer o seu perfil de forma mais ampla, só me resta comentar em resposta ao que você escreveu.
– Seu CDB remunera muito mal e não terá dificuldade em conseguir melhor taxa para a parcela que faça sentido manter em CDB.
– O mercado financeiro ressalta bastante a questão do diferimento do IR, no caso de previdência PGBL para os que se enquadram no benefício (limites de renda bruta tributável e tipo de declaração), mas o fato é que poucas são as opções para se começar uma previdência com custo que seja razoável e sem carregamento.
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– Você aponta um valor de R$ 32.000,00 em poupança para gastos no exterior. Um fundo DI no seu banco de relacionamento poderia ter sido uma melhor estratégia.
– O seu superávit de fluxo de caixa está entre R$ 500,00 e R$ 4.000,00 e a diferença entre os valores é muito alta para se comentar a respeito. Sugiro que verifique de fato qual é o seu superávit e determine o quanto quer destinar para um investimento mensal recorrente. Neste momento de construção de patrimônio, a relevância do uso do superávit de fluxo de caixa é maior do que uma gestão mais eficiente do que já conquistou até então.
– Por fim, quando comenta que pretende viver 6 meses no exterior e considerando que ainda está na fase inicial de construção de patrimônio (fase de Acumulação), posso afirmar que este pode vir a ser o melhor dos seus investimentos quando comparado a qualquer CDB, Tesouro Direto, Previdência ou similares. Estas últimas opções são opções de se investir em capital financeiro e investir em uma viagem em busca de nova cultura e eventual aperfeiçoamento dentro da sua carreira, é a opção de capital humano. Me parece que o capital humano continua sendo mais importante do que o financeiro na fase financeira em que você se encontra.
Não deixe de procurar o seu planejador financeiro e boa sorte.
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Marcos Vinícius Brízido é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF).
As respostas refletem as opiniões do autor. O IBCPF e o Infomoney não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para onde_investir@infomoney.com.br
Prezado Hildebrand,
Pouco a pouco é possível ver mudanças significativas no perfil de investimento dos brasileiros. Percebemos, por exemplo, o crescimento do numero de jovens que estão disponibilizando parte de sua renda para se planejar financeiramente para a sua aposentadoria. É um movimento que tende a crescer cada vez mais ao longo dos próximos anos, especialmente com a educação financeira em curso em nossa sociedade.
Sua iniciativa é digna de receber elogios e servir de exemplo a outros tantos…
Como seu planejamento para esse investimento tem um horizonte de 15 anos algumas observações importantes devem ser feitas. Em uma simulação com um investimento inicial de R$ 10.000 e aplicações regulares de R$ 500, com uma rentabilidade anual de 10%, atingiremos após 15 anos um capital de R$ 242.583, sem considerar a inflação no período. Com esse capital investido é possível viver com uma renda de aproximadamente R$ 2 mil/mês, complementando a sua aposentadoria. No entanto, a pergunta magica é como atingir essa rentabilidade para um baixo risco no investimento.
Com as informações presentes não é possível identificar qual o seu perfil de investidor, onde seria possível identificar o quanto de risco você esta propenso a aceitar em sua carteira de investimentos (para saber o seu perfil de investidor é aconselhável buscar sua instituição financeira e responder ao questionário “Suitability”). No entanto, podemos considerar que você segue o padrão brasileiro de conservadorismo em seus investimentos, bastante carregado de “renda fixa” , mas propenso a conhecer novos produtos para pequenos investimentos.
Sugiro, para você superar a rentabilidade apresentada na simulação, que divida seu patrimônio em 2 partes.
A primeira parte é separar R$ 5 mil inicial e 80% de suas aplicações regulares para um fundo de renda fixa com credito privado que supere consistentemente 100% do CDI. Muitos fundos conseguem superar esse benchmark, e possuem aplicações inicias bastante acessíveis. Prefira esse investimento as NTN-Bs e a sua aplicação em imóveis.
Para os outros R$ 5 mil iniciais, e 20 % de suas aplicações mensais (R$100,00), podemos ser um pouco mais arrojados, buscando atingir uma rentabilidade superior do que a renda fixa. Como sua disponibilidade atual é pequena para ser investida diretamente em ações (coma na sua atual carteira de ações de Vale e Itau), uma excelente alternativa são os fundos de ações.
Os fundos de ações são, para a grande maioria dos investidores, a melhor alternativa para seus investimentos em renda variável. Apresentam vantagens como liquidez, diversificação e uma gestão profissionalizadas dos seus investimentos. Com ele você estará bem atendido para atingir sua meta de longo prazo na aposentadoria. Procure gestoras com comprovada competência em sua equipe de analise, e fundos de ações que sejam considerados “Ibovespa ativo”, com a intenção de superar o bechmark. Prefira esses as ações propriamente ditas.
E lembre-se: o resultado do seu sucesso financeiro também depende de você!
*Fabiano Pessanha, CFP, planejador financeiro certificado pelo IBCPF