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O Itaú Unibanco (ITUB4) é a principal aposta de uma das gestoras de ações mais antigas do país para atravessar um momento de juros altos e crédito em compressão. A IP Capital Partners, que tem 38 anos de história e um fundo que multiplicou por 300 o capital investido desde o Plano Real, avalia que o maior banco privado do Brasil já está se antecipando às dificuldades enquanto os concorrentes ainda tentam entender o tamanho do problema.
Com ações negociadas a cerca de 8,5 vezes o lucro, dividendos entre 7% e 8% ao ano e crescimento de lucro em dois dígitos nos últimos cinco anos, o papel reúne, na visão da gestora, uma combinação rara: solidez e retorno. A IP voltou a carregar a posição em 2022, após quatro anos fora do ativo.
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A análise é de Gabriel Raoni, sócio e cogestor da IP Capital Partners, em entrevista ao programa Stock Pickers, da plataforma InfoMoney, apresentado por Lucas Collazo. Raoni usou uma metáfora para explicar a vantagem do Itaú sobre os rivais: “Ele está fazendo a curva aberta. Já está se preparando para uma curva fechada há um tempo.”
Oportunidade com segurança!
Mas a conversa mais instigante girou em torno dos papéis que mais caíram — e que, segundo o gestor, podem esconder as maiores oportunidades.
- Quando ninguém queria, eles compraram — e acertaram em cheio
- Ele fez uma pergunta ignorada por todos — e lucrou com o colapso da Gafisa
Quedas pesadas acendem o radar da gestora
As ações do Nubank (NUBR33) e do Inter (INBR32) acumulam perdas expressivas nos últimos meses, pressionadas pelo temor de deterioração na qualidade do crédito. Para a IP, esse movimento abriu uma janela.
“O mercado já antecipou bastante parte desse risco, e eu acho bem interessante os níveis de valor de ambas”
O MercadoLivre (MELI) também entrou na lista de ativos monitorados. O papel sofreu por conta das mesmas preocupações com crédito, mas o gestor aponta um dado que o mercado estaria ignorando: mais da metade do resultado operacional da empresa já vem do MercadoPago, o braço financeiro — um negócio que cresce de forma independente do varejo digital.
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A gestora ainda estuda as posições, sem ter entrado formalmente. Mas o interesse é explícito, e o raciocínio por trás dele é o mesmo que guia a casa em períodos de turbulência: quando o medo é generalizado, as distorções de preço criam assimetrias. “Sempre quando tem um período turbulento em renda variável, ou específico a algum setor, lembra desse ponto”, disse Raoni, referindo-se ao que chama de “a magia do caos”.
O ceticismo que virou argumento de compra no Nubank
O caso do Nubank mereceu análise à parte. Raoni traçou um paralelo entre a recepção que a fintech encontrou em cada mercado que tentou conquistar. No Brasil, os consumidores duvidaram; hoje são mais de 100 milhões de clientes. No México, o mesmo ceticismo inicial — e hoje são 15 milhões de usuários. Agora, a empresa mira os Estados Unidos, e a descrença se repete. “Os investidores estrangeiros falaram: aqui não. Você não vai conseguir aqui não”, relatou o gestor.
Raoni vê o momento político americano — mais aberto a novos negócios — como uma janela rara para o Nubank obter licenças bancárias no país. E o argumento de preço reforça a tese: com valor de mercado em torno de R$ 300 bilhões e lucro de R$ 20 bilhões, a empresa já figura entre as mais lucrativas do Brasil — posto que divide com pouquíssimas companhias.
Na conta da IP, o preço atual das ações não estaria incorporando nenhum valor pela expansão internacional.
