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SÃO PAULO – A pergunta que não quer calar: o que fazer com os investimentos em épocas de crise? Como comprovado por diversas pesquisas, o ser humano age de forma emocional, principalmente em momentos de pressão, quando as perdas parecem inevitáveis e o sentimento de frustração toma conta.
Diante deste quadro, é possível reverter a situação e pensar de forma racional? “Muita calma nesta hora”! Essa é a principal dica da psicanalista e representante no Brasil da Iarep (International Association for Research in Economic Psychology), Vera Rita de Mello Ferreira.
Segundo ela, é normal, em momentos assim, de forte oscilação do mercado, que o primeiro sentimento que passa na cabeça do investidor seja o de vender as ações, na tentativa de perder menos. “No entanto, é nessa hora que a pessoa deve parar e analisar seus objetivos iniciais, antes de tomar qualquer decisão imediatista e impensada”.
Fácil? Nem um pouco. Mas a psicanalista dá algumas dicas que podem ajudar o investidor a driblar a emoção e agir de maneira mais racional nesta hora.
Informação é o segredo
“Não sabemos o que vai acontecer daqui para frente”, afirma Vera Rita, por isso, segundo ela, é importante que o investidor esteja atento a todas as informações do mercado.
O cuidado que deve ser tomado, neste caso, é o de não ficar atento apenas ao que interessa. “Mais uma vez, por conta da predominância do lado emocional, é comum que as pessoas fiquem atentas apenas ao que interessa, ou seja, dividam a informação em partes e descartem aquilo que causa desprazer ou provoque frustração”, explica a psicanalista.
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O oposto desta atitude, para não correr o risco de entrar em contato com fatos desagradáveis, é a pessoa ficar alienada e simplesmente não se informar sobre os acontecimentos.
Portanto, segundo Vera Rita, é importante que a busca por informação esteja acompanhada da capacidade de entrar em contato com ela. “Se o investidor estivesse realmente cuidando do investimento, não seria pego de surpresa. A crise já vinha sendo anunciada, mas absorver o que é bom e abstrair o que causa preocupação é normal no ser humano”.
Encarar o longo prazo
Em momentos de crise, é que se reconhece o verdadeiro investidor de longo prazo. “Devia ter alguém no mercado que não deixasse ninguém sem essa noção de prazo investir em ações”, opina Vera Rita.
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O investidor principiante, que entrou na Bolsa depois dos ótimos resultados do ano passado, principalmente, está encarando essa fase pela primeira vez. “Antes de entrar no mercado de ações, é necessário ter consciência dos riscos. Quanto maior o retorno que se espera, maior o risco que se corre, não dá para fugir disso”.
Confira, abaixo, as dicas da psicanalista para encarar esse momento e, principalmente, aprender com ele:
- Não mexer na aplicação, a não ser que o dinheiro seja extremamente necessário. “Se não houver um destino certo, não é hora de tirar”.
- Calcular os custos de sair do mercado e avaliar se vale a pena.
- Avaliar se outras aplicações estão de acordo com seus objetivos.
- Comparar com o aporte inicial. “Mas é importante não se deixar influenciar pelos grandes picos. É necessário considerar exatamente o você aplicou”.
“Quem pretende ficar no mercado deve aprender com os erros e usar a experiência no futuro”, conclui.