Investimento de renda fixa paga até 135% do CDI; conheça

Apesar do nome, as letras de câmbio não têm nenhuma relação com o dólar ou com outras moedas internacionais

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SÃO PAULO – CDB, LCI, LCA. Essas siglas já são conhecidas dos investidores de renda fixa. Mas há uma outra aplicação, menos difundida, que também pode ser uma alternativa para a diversificação do portfólio e que oferece rentabilidade interessante. São as letras de câmbio.

Apesar do nome, este investimento não tem nenhuma relação com o dólar ou com outras moedas internacionais. As letras de câmbio são, na verdade, uma espécie de CDB emitidos pelas financeiras – elas emitem este título como forma de funding (capitalização) e, em troca, remuneram o investidor.

Uma das maiores vantagens das letras de câmbio é justamente a rentabilidade mais atrativa do que outras aplicações de renda fixa atreladas ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário). Como o risco de crédito das financeiras é maior do que o dos bancos (que emitem CDB), elas pagam mais em troca do ‘empréstimo’. Ao mesmo tempo, este risco é mitigado com a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que cobre aplicações de até R$ 250 mil por CPF em caso de ‘quebra’ da instituição.

Oportunidade com segurança!

De acordo com o gestor de investimentos e responsável pela área de RI (Relações com Investidores) da Dacasa Financeira, Felippe Henrique Feitosa, as letras de câmbio costumam remunerar com uma taxa que varia entre 108% e 118% do CDI – o que já pode ser considerado uma taxa bastante atrativa.  No entanto, é importante se atentar para a liquidez destes papéis. “Muitas instituições ‘travam’ a aplicação e em alguns casos o investidor só consegue sacar o valor depois de 3 anos, por exemplo”, explica.

A Dacasa possui letras de câmbio que pagam de 120% até 135% do CDI, dependendo do prazo e do volume da aplicação. O prazo mínimo de permanência é de 181 dias. A partir daí, o resgate será feito em uma data preestabelecida no momento da aplicação. “Você só consegue resgatar na data que escolheu. Tem que se programar”, diz o executivo.

De acordo com Feitosa, a remuneração acima da média é possível por conta do tipo de carteira de crédito que a instituição possui. “Temos um spread muito bom. Atuamos em um nicho especifico de mercado, com pessoas das classes C e D, não bancarizadas. Por isso, trabalhamos com uma margem bem maior em relação aos bancos”, afirma.

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Segundo ele, a taxa de juros média da carteira de crédito da financeira chega a 10% ao mês, o que explica o retorno dos títulos emitidos pela Dacasa. “O juros do crédito pessoal ficam em torno de 12,5% (ao mês), do CDC (Crédito Direto ao Consumidor) em 5,5% e no cartão de crédito a taxa de juros do refinanciamento é de 14,8% ao mês”, aponta.

Feitosa não revela os números da inadimplência dos empréstimos que a instituição efetua, mas afirma que ela é controlada. “Em média, 80% dos empréstimos são para clientes que já conhecemos, que são fiéis. Essa característica faz com que a inadimplência seja controlada”, afirma.

Ainda assim, é sempre importante lembrar que existe um risco maior de default para este tipo de carteira de crédito do que para os grandes bancos que emitem CDB, por isso é tão importante usar o limite do FGC a seu favor.

A emissão atual de letras de câmbio da Dacasa já atingiu a captação de R$ 65 milhões em pouco mais de 4 meses e a meta é que sejam captados mais de R$ 100 milhões. “Nós trabalhamos com clientes pessoa física, e o investimento mínimo é de R$ 20 mil”, diz Feitosa. Corretoras como a Ativa, XP Investimentos, Planner e SLW participam da distribuição das letras entre os investidores.

Diego Lazzaris Borges

Coordenador de conteúdo educacional do InfoMoney, ganhou 3 vezes o prêmio de jornalismo da Abecip