Apetite ao risco continua

Investidores dobram aplicação em fundos de ações em 2019 até agosto

Com taxa de juros na mínima histórica, brasileiros buscam alternativas mais rentáveis e veem oportunidades na renda variável

(Shutterstock)

SÃO PAULO – Diante de um cenário de taxa Selic na mínima histórica, que exige do investidor uma maior movimentação em direção ao risco para encontrar melhores rentabilidades, o brasileiro tem se mostrado mais arrojado em sua aplicações financeiras.

Entre janeiro e agosto deste ano, os fundos de ações tiveram captação líquida de R$ 38,8 bilhões, praticamente o dobro dos R$ 19,5 bilhões registrados no mesmo período de 2018, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Apesar de um acirramento da guerra comercial e de outros eventos externos que contribuíram para uma queda de 0,7% do Ibovespa no último mês, os fundos de ações tiveram em agosto o melhor resultado do ano, com investimentos maiores que os resgates em R$ 7,4 bilhões.

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“É um reflexo do cenário de juros baixos, com expectativa de leve redução até o final de 2019, que estimula as pessoas a tomarem mais protagonismo frente às suas aplicações”, afirmou, em nota, Carlos André, vice-presidente da Anbima.

Em renda fixa, embora os fundos tenham fechado agosto com resgate líquido de R$ 9,2 bilhões, no ano, mesmo com o atual patamar de juros no Brasil, a classe segue com captação positiva de R$ 10,2 bilhões. O resultado é impulsionado principalmente pelo desempenho em maio, quando os aportes superaram os resgates em quase R$ 14 bilhões. Vale lembrar que, naquele mês, houve um vencimento no valor de R$ 9 bilhões em recursos aplicados por meio do Tesouro Direto, no Tesouro IPCA+ com vencimento em 2019.

Multimercados seguem como destaque

Neste ano, além dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FDICs), que captaram R$ 41,7 bilhões nos primeiros oito meses, chamam atenção os aportes líquidos nos fundos multimercados, de R$ 44 bilhões, um aumento de 11% em relação ao total do mesmo período de 2018.

Destaque ainda para os fundos de previdência, que têm estado nos holofotes em meio à reforma previdenciária. No ano, a categoria apresenta captação líquida de R$ 22,6 bilhões, alta de 70% em relação a igual intervalo de 2018.

Já os fundos cambiais são os únicos que acumulam resgate líquido em 2019, no valor de R$ 792 milhões, em meio à alta da ordem de 10% do dólar em relação ao real em agosto e de 6,8% no ano.

Panorama na indústria

A indústria de fundos de investimento como um todo encerrou o mês de agosto com aportes líquidos de R$ 4,5 bilhões, resultado inferior à média mensal de R$ 21,5 bilhões no ano. A Anbima atribui o resultado ao aumento das incertezas políticas e econômicas, principalmente no ambiente externo.

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Em 2019, a indústria soma captação líquida de R$ 172,4 bilhões, montante 153% acima do registrado no mesmo período do ano passado, de R$ 68,2 bilhões.

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