Investidor do Tesouro Direto perde até 13% em 2024; o que fazer: segurar ou vender?

Aplicações ficaram com até 7% de prejuízo somente em junho; especialistas explicam opções na mesa diante das taxas em alta

Leonardo Guimarães

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Quem investiu em títulos públicos no início de junho e vendeu os papéis na última semana causou prejuízo ao seu portfólio. Todos os papéis atrelados à inflação e prefixados do Tesouro Direto disponíveis para compra atualmente fecharam junho com rentabilidade negativa. 

Os resultados ruins vêm acontecendo há alguns meses e o prejuízo chega a 13% em 2024. No mês passado, o pior resultado foi do Tesouro IPCA+ 2045, com retorno de -6,99%. 

Entre os principais papéis do Tesouro Direto, o Tesouro Selic é exceção porque tem a rentabilidade pós-fixada, atrelada à taxa básica de juros, e não sofre influência da marcação a mercado

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O Tesouro IPCA+ e o Tesouro Prefixado sofrem marcação a mercado, uma atualização diária no preço dos ativos que depende das condições de mercado naquele momento. Os preços mostram se o investidor ganharia ou perderia dinheiro ao vender o ativo imediatamente. No momento, quem sair desses ativos antecipadamente vai ter prejuízo relevante na carteira. Porém, quem carrega os títulos até o vencimento vai conseguir a rentabilidade prometida no momento do investimento. 

TituloRentabilidade em junho (%)Rentabilidade em maio (%)Rentabilidade no ano (%)Rentabilidade em 12 meses (%)Taxa de compra (%)Taxa de venda (%)
Tesouro Selic 20270,910,815,4212,060,080,09
Tesouro Selic 20290,810,775,3311,970,160,17
Tesouro Prefixado 2027-0,78-0,411,7911,91
Tesouro Prefixado 2031-3,02-1,712,4112,53
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2035-2,16-1,0512,1812,3
Tesouro IPCA+ 2029-0,910,28-0,913,16,46,52
Tesouro IPCA+ 2035-3,37-0,6-6,67-3,236,416,53
Tesouro IPCA+ 2045-6,99-2,76-13-7,936,426,54
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2035-2,27-0,18-3,640,466,416,53
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2040-2,87-0,44-4,78-0,026,346,46
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2055-4,12-1,29-8,11-2,936,396,51
Fonte: Tesouro Direto

Taxas podem subir ainda mais?

Para Kaique Fonseca, economista e sócio da A7 Capital, é improvável que os juros dos títulos públicos sigam em alta consistente. “Não vejo motivos paras as taxas de juros reais estarem nos mesmos patamares de períodos como em 2014 e 2015”, diz o especialista, que completa: “acredito que esses preços de hoje estão muito relacionados a um exagero do mercado, somado ao cenário externo mais complexo”. 

Enquanto a percepção de risco fiscal no Brasil segue subindo, o mercado pede mais prêmio para investir e as taxas sobem para a casa dos 6,60% de juro real (Tesouro IPCA+) e 12,60% de juro nominal (Tesouro Prefixado), em um movimento visto pela última vez há mais de um ano, em março do ano passado.

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Para o Itaú BBA, o risco à frente é que o governo siga sem dar respostas que agradem o mercado para resolver a questão fiscal, o que pode reforçar “a perspectiva de embutida na curva de juros de alta na Selic ainda neste ano, acarretando mais uma rodada de desvalorização por aqui”, diz Lucas Queiroz, estrategista de renda fixa para pessoa física do Itaú BBA, em relatório. 

O especialista ainda destaca que, nos Estados Unidos, o destaque de julho é a agenda de indicadores, que será importante para que o mercado antecipe o movimento do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) na condução da política monetária. 

O que fazer agora?

Confiante na queda dos juros, Fonseca recomenda segurar os títulos por pelo menos mais dois anos ou “dobrar a aposta”. No primeiro caso, a estratégia é esperar que os juros do Tesouro IPCA+ e Tesouro Prefixado caiam nesse período e a rentabilidade acumulada passe a ser positiva, o que permitirá que o investidor possa vender os títulos com lucro. “Acreditamos que o investidor com horizonte de tempo de pelo menos dois anos terá retornos maiores nas NTN-Bs (Tesouro IPCA+) do que no Tesouro Selic”, diz Fonseca.

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Quem quer aproveitar os juros altos e também aposta no fechamento das taxas nos próximos meses ainda pode comprar mais papéis do Tesouro Direto. “Gostamos de títulos mais curtos do Tesouro Prefixado e de vencimentos intermediários no Tesouro IPCA+, entre seis e onze anos”, aconselha o economista. 

Por fim, o investidor que está com rentabilidade negativa na carteira de títulos públicos e precisa sair do investimento antes do vencimento vai precisar aceitar o prejuízo. Fonseca explica que, “vendendo antecipadamente, o investidor provavelmente terá deságio, levando um retorno menor do que o contratado”.