Renda fixa

Investidor dá preferência a títulos públicos pós-fixados e de curto prazo, mostra balanço do Tesouro Direto

Dados indicam ainda que número de investidores cadastrados cresce em ritmo mais acelerado que o de investidores ativos (com saldo de aplicações) no sistema

Por  Mariana Segala

O balanço das operações realizadas em janeiro no Tesouro Direto – sistema que permite a negociação de títulos públicos federais – mostra que os investidores têm dado preferência aos papéis pós-fixados (cujo rendimento acompanha a variação da taxa básica de juros, a Selic) e de prazo curto.

Praticamente 60% dos títulos públicos adquiridos pelos investidores no mês passado tinham vencimento em um a cinco anos. E pouco mais da metade dos papéis negociados (50,5%) foram os pós-fixados – batizados Tesouro Selic.

Os dados do Tesouro Direto mostram ainda que o número de investidores cadastrados para negociar não para de crescer – no entanto, a quantidade de pessoas que efetivamente possuem saldo em títulos públicos não tem aumentado na mesma proporção.

Em janeiro, havia mais de 1,8 milhão de pessoas com saldo em aplicações, que o Tesouro Direto considera investidores “ativos”. O número representa um crescimento de 13,2 mil em relação ao mês anterior, dezembro de 2020.

Os investidores ativos representam 10,79% do total de investidores cadastrados para comprar e vender títulos públicos através do sistema do governo federal. É a menor proporção identificada na série histórica do Tesouro Direto, que traz esses dados desde agosto de 2005.

Um ano atrás, em janeiro de 2021, a proporção de investidores ativos em relação ao total de cadastrados alcançava 15,29%. O número cai, mês após mês, desde fevereiro de 2016, quando atingiu 38,73%. Nessa época, havia 262 mil investidores ativos para 675 mil cadastrados.

Segundo o Tesouro Direto, o número de investidores cadastrados no programa cresce mais rapidamente do que o número de investidores posicionados porque as instituições financeiras adotam como prática no processo de abertura de contas de novos clientes o cadastro automático no Programa Tesouro Direto – sem que, necessariamente, eles realizem investimentos em títulos públicos imediatamente.

Para Stefan Castro, gestor de renda fixa da AF Invest, os dados podem refletir uma migração de investidores do sistema bancário tradicional – que não aplicavam em títulos públicos – para as plataformas de investimento. “Como o número de cadastros está sendo maior que o de investidores ativos, significa que a base de pessoas elegíveis a aplicar nesses papéis está maior”, afirma. “Podemos ter um potencial fluxo [de recursos para o Tesouro Direto] à frente”.

Investimentos de R$ 3,5 bilhões em janeiro

Em janeiro, o volume de títulos públicos comprados pelos investidores somou R$ 3,5 bilhões, enquanto os resgates ficaram em R$ 2,47 bilhões.

No mês, foram contabilizadas 552.466 operações de investimento em títulos. Do total resgatado, R$ 1,556 bilhão é referente a recompras, enquanto R$ 920,7 milhões são relativos a papéis que venceram e tiveram os recursos devolvidos aos investidores.

Os títulos mais procurados foram os indexados à taxa básica de juros (Selic), com uma participação de 50,5% no volume de títulos adquiridos pelos investidores. Já os títulos atrelados à inflação – como o Tesouro IPCA+ e Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais, que oferecem como remuneração uma taxa de juros mais a variação do IPCA – somaram 35,7%. Os prefixados, por sua vez, responderam por 13,8%.

Nas recompras (resgates antecipados), predominaram os títulos indexados à taxa Selic, somando R$ 856,45 milhões (55,03%). Os títulos remunerados por índices de preços totalizaram R$ 427,27 milhões (27,45%) e os prefixados, R$ 272,69 milhões (17,52%).

Segundo os dados divulgados pelo Tesouro, 12,9% dos títulos adquiridos pelos investidores no Tesouro Direto em janeiro tinham vencimentos acima de dez anos. As vendas de títulos com prazo entre cinco e dez anos representaram 27,2%. Já as com prazo de até cinco anos representam 59,8% do total.

Estoque

O estoque total do Tesouro Direto ficou em R$ 80,91 bilhões, valor que representa aumento de 2,2% na comparação com dezembro de 2021, quando foram registrados R$ 79,19 bilhões. Na comparação com janeiro do ano passado, quando o estoque total estava em R$ 62,51 bilhões, o resultado representa um aumento de 29,4%.

Os títulos remunerados por índices de preços respondem pelo maior volume no estoque, alcançando 55,6%. Na sequência, aparecem os títulos indexados à taxa Selic, com participação de 27,2%, e os títulos prefixados, com 17,2%.

Em relação à composição do estoque por prazo, 3,5% dos títulos vencem em até um ano. A maior parte – 62,0% – é composta por títulos com vencimento entre um e cinco anos. Os títulos com prazo entre cinco e dez anos correspondem a 11,3%, e aqueles com vencimento acima de dez anos, a 23,2%.

As aplicações de até R$ 1 mil representaram 62,38% das operações de investimento no mês, enquanto o valor médio por operação ficou em R$ 6.342,02. Com relação à rentabilidade acumulada em doze meses, o destaque ficou com o título Tesouro IPCA+ 2026, que obteve alta de 1,18%.

(Com informações da Agência Brasil)

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