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Onde investir R$ 500 por mês e quanto eu vou ganhar de rentabilidade?

Diego Augusto Gulla, CFP, planejador financeiro certificado pelo IBCPF, responde a pergunta de leitora do InfoMoney

Dúvida
(ThinkStock)

Pergunta
Posso investir R$ 500 por mês, porém, não sei que tipo de aplicação fazer. Qual investimento seguro me sugerem e qual rendimento anual?

Leitora: Zoraia

Resposta de Diego Augusto Gulla, CFP, Planejador Financeiro Certificado pelo IBCPF
Cara Zoraia,

Com seus R$ 500 mensais é possível fazer uma excelente poupança. Antes de lhe indicar os produtos mais adequados, seria interessante você refletir se existe um prazo no qual pretende utilizar estes recursos. Com um horizonte de investimento de longo prazo podemos conseguir resultados melhores na rentabilidade. Mesmo assim, todo bom portfólio deve ser diversificado o suficiente para atender eventuais necessidades de liquidez e para proteger a carteira dos riscos inerentes às classes de ativos. O importante é ter em mente que sua iniciativa de poupar, apesar de ser o primeiro passo, é, o mais importante.

Como você pode investir mensalmente o montante de R$ 500 e, pelo tom de sua pergunta, entendo que não quer correr muito risco, seria interessante começar pelos títulos de renda fixa emitidos pelo governo federal, através do Tesouro Direto. Neste sentido, para se proteger da inflação galopante vigente em nosso país, sugiro uma alocação nas Notas do Tesouro Nacional (NTN-B), que recentemente passaram a se chamar Tesouro IPCA+. São títulos indexados à inflação (através do IPCA - Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) que pagam uma taxa pré-fixada mais a variação do IPCA e o principal na data de vencimento.

Por exemplo, a NTN-B com vencimento em maio de 2017 está pagando por volta de IPCA + 6,45%, ou seja, temos um rendimento real de 6,45% ao ano. Como o IPCA dos últimos 12 meses está em 8,89%, temos uma rentabilidade neste título de mais de 15% ao ano. É importante ter em mente que mesmo que a inflação venha a cair nos próximos meses/anos, o poder de compra é a variável mais relevante em um investimento e neste ativo estamos protegidos da inflação (que poderia corroer seu poder de compra) e garantindo um bom nível de juro real.

Você pode estar se perguntando se não seria melhor investir em um produto vinculado diretamente à taxa de juros, pois se a inflação cair ganharia menos com o Tesouro IPCA+. Vale uma pequena nota de macroeconomia: A taxa de juros é função da inflação, ou seja, com uma inflação declinante, mantida as demais variáveis constantes, o caminho natural do Banco Central é de reduzir os juros (meta para a taxa básica de juros - Selic).

Outro questionamento que pode surgir seria a comparação com os ativos com isenção fiscal (isentos de IR para pessoa física, as famosas LCAs e LCIs - Letra de Crédito do Agronegócio e  Letra de Crédito Imobiliário). Estes produtos ganharam bastante “fama” nos últimos anos e realmente têm taxas bastante atrativas, mas são modalidades de investimento um pouco diferentes.São indexadas à taxa de juros (através de percentual do CDI) e o entrave no nosso caso seria que os bancos emissores destes títulos exigem um valor maior para iniciar uma aplicação, geralmente a partir de R$ 20.000,00 e o dinheiro não pode ser movimentado durante certos prazos (seis meses, um ano, dois anos... quanto maior o prazo maior a remuneração).

No Tesouro Direto, é possível investir a partir de R$ 30,00 e mesmo com datas de vencimento longas, é possível vender os papéis antes do vencimento, claro que não é o mais indicado, pois estaríamos sujeitos às condições de mercado, mas existe essa possibilidade. Além disso, diferentemente dos bancos, no Tesouro Direto não existe diferença de taxa pelo volume aplicado e seus R$ 500,00 mensais serão remunerados da mesma maneira que um investidor que aplique um milhão de reais por mês.

O Tesouro também oferece a possibilidade de investir em títulos prefixados e pós-fixados, que será a próxima etapa de suas aplicações, Zoraia. Depois de um tempo você vai começar a diversificar seus investimentos. Uma boa carteira é composta tanto por títulos indexados à inflação, como por pós-fixados e isentos como as LCAs e LCIs. Também é importante direcionar uma parte dos investimentos para produtos que possuam liquidez em D+0 caso precise de uso imediato de seu dinheiro. Os fundos Referenciados DI, que têm taxas de administração baixas (considere baixa até 0,80% ao ano) são uma boa alternativa. Atualmente, um bom fundo DI acumula rendimento anual de aproximadamente 12% ao ano nos últimos 12 meses. São ativos que têm imposto de renda sobre os rendimentos, mas ainda assim rendem bem acima da poupança.

Resumindo, sugiro começar pelo Tesouro IPCA+ e pelos fundos Referenciados DI em uma proporção de 80% e 20%, respectivamente. A partir do momento em que suas aplicações forem ganhando volume, podemos acrescentar LCAs/LCIs e fundos mais sofisticados, sempre de acordo com seu apetite por risco.

Zoraia, para comprar o título é preciso abrir uma conta em um banco ou corretora que possibilite o acesso ao Tesouro Direto. Procure uma boa instituição, com taxas justas e comece a garantir seu futuro. 

Diego Augusto Gulla é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). 

As respostas refletem as opiniões do autor. O IBCPF e o Infomoney não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

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