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Tenho R$ 80 mil na poupança; existe alguma opção melhor?

Priscilla Nascimento, CFP, planejadora financeira certificada pelo IBCPF, responde a pergunta de leitora do InfoMoney

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(ThinkStock)

Pergunta:

Tenho cerca de R$ 80 mil na poupança. Existe alguma outra aplicação que possa ser recomendada?

Leitora: Ariancir

Priscilla Nascimento, CFP, planejadora financeira certificada pelo IBCPF:

Cara leitora, sua dúvida é pertinente e bastante comum visto que a poupança continua sendo um dos investimentos mais populares no Brasil. Apesar disso, o número de investidores que, assim como você, buscam informações sobre novas opções de investimento vem aumentando já que com a taxa de juros básica da economia – Selic – atualmente em 11%, o investimento preferido dos brasileiros começa a perder parte de sua atratividade.

A poupança hoje remunera 6% ao ano mais a taxa referencial, e fica atrás de muitos investimentos mesmo com sua isenção de imposto de renda. Outro fato importante a considerar é seu rendimento real (descontado a inflação). Em 2013 a poupança rendeu 6,3% na regra antiga e a inflação medida pelo IPCA fechou em 5,91%, logo o rendimento real de quem investiu em poupança foi próximo de 0,37% no ano. Na regra nova esse resultado foi ainda pior, chegando a um ganho real negativo em 2013 visto que seu rendimento foi de 5,82%.

No ano passado o Banco Central iniciou o ciclo de aumento da taxa de juros, como um instrumento de politica monetária para buscar conter a inflação, o que fez com que saíssemos de um patamar de juros de 7,25%a.a para 11%a.a. e o mercado ainda acredita em um novo ciclo de aumento de juros para o próximo ano, já que alguns ajustes, principalmente no que tange a preços administrados (gasolina, energia elétrica, transporte publico etc.) irão acontecer em algum momento, muito provavelmente não este ano por questões politicas, mas em 2015 terão que ocorrer o que favorecerá ainda mais a alta da inflação. Sendo assim, o mercado espera um IPCA próximo de 6.5% em 2014 e 6% em 2015 e aposta em uma Selic a 12% no próximo ano.

Neste contexto, é cada vez mais importante buscar alternativas que preservem o capital e almejem um rendimento real mais elevado, voltando a fazer sentido sair da poupança e aplicar em investimentos pós-fixados que acompanham taxa de juros por exemplo. Porém não indico que você aplique todos os seus recursos nesta classe de ativos. Com a atual realidade econômica onde o mercado está cada vez mais dinâmico, a diversificação passa a ser um importante aliado para quem deseja um retorno diferenciado no longo prazo, sendo a premissa básica para quem busca minimizar riscos e potencializar ganhos, de acordo com o objetivo, prazo e tolerância de risco de cada investidor.

Como um investidor de poupança, sugiro que você comece a diversificar aos poucos seus investimentos. As reservas para emergências e projetos de curto e médio prazo devem ser aplicadas em investimentos conservadores e com elevada liquidez como os fundos referenciados DI, a LFT - título público pós-fixado que remunera a Tx Selic -, e uma parcela menor (até 25% desta reserva) em um fundo de renda fixa crédito privado, que tem um pouco mais de risco de crédito, mas buscará um rendimento acima do CDI.

As reservas de longo prazo sugiro que diversifique em:

- LCI pós-fixada - Letra de Crédito Imobiliário - remunera um % do CDI e é isenta de IR para pessoa física;

- Renda fixa indexada a índices de preços, como NTN-B (título público que remunera um percentual pré-fixado mais IPCA) para preservação de poder de compra no longo prazo. Evite incialmente os títulos mais longos (com vencimento acima de 5 anos) e aplique somente se tiver um horizonte de investimentos no qual possa ficar com o titulo até o seu vencimento, pois caso contrário você tem liquidez mas " a mercado ". O que pode significar uma variação negativa.

Ao aplicar nos fundos, atente-se para a taxa de administração (procure fundos com taxa de administração de no máximo 1%a.a), bem como a rentabilidade e consistência na entrega de resultados de acordo com o benchmark. Para aplicar em títulos públicos fique atento nas taxas que a corretora irá cobrar (o mercado cobra em média de 0,20% a 0,6% de corretagem).

É importante também que você reavalie seu portfólio de tempos em tempos. Procure um consultor financeiro que lhe ajude a avaliar seu planejamento e investimentos para perseguir seus objetivos com mais assertividade e segurança.

Priscilla Nascimento é planejadora financeira pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). 

As respostas refletem as opiniões do autor. O IBCPF e o Infomoney não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para onde_investir@infomoney.com.br

Prezado Hildebrand, 

Pouco a pouco é possível ver mudanças significativas no perfil de investimento dos brasileiros. Percebemos, por exemplo, o crescimento do numero de jovens que estão disponibilizando parte de sua renda para se planejar financeiramente para a sua aposentadoria. É um movimento que tende a crescer cada vez mais ao longo dos próximos anos, especialmente com a educação financeira em curso em nossa sociedade. 

 Sua iniciativa é digna de receber elogios e servir de exemplo a outros tantos...

 Como seu planejamento para esse investimento tem um horizonte de 15 anos algumas observações importantes devem ser feitas. Em uma simulação com um investimento inicial de R$ 10.000 e aplicações regulares de R$ 500, com uma rentabilidade anual de 10%, atingiremos após 15 anos um capital de R$ 242.583, sem considerar a inflação no período. Com esse capital investido é possível viver com uma renda de aproximadamente R$ 2 mil/mês, complementando a sua aposentadoria. No entanto, a pergunta magica é como atingir essa rentabilidade para um baixo risco no investimento.

 Com as informações presentes não é possível identificar qual o seu perfil de investidor, onde seria possível identificar o quanto de risco você esta propenso a aceitar em sua carteira de investimentos (para saber o seu perfil de investidor é aconselhável buscar sua instituição financeira e responder ao questionário “Suitability”). No entanto, podemos considerar que você segue o padrão brasileiro de conservadorismo em seus investimentos, bastante carregado de “renda fixa” , mas propenso a conhecer novos produtos para pequenos investimentos.

 Sugiro, para você superar a rentabilidade apresentada na simulação, que divida seu patrimônio em 2 partes.

 A primeira parte é separar R$ 5 mil inicial e 80% de suas aplicações regulares para um fundo de renda fixa com credito privado que supere consistentemente 100% do CDI. Muitos fundos conseguem superar esse benchmark, e possuem aplicações inicias bastante acessíveis. Prefira esse investimento as NTN-Bs e a sua aplicação em imóveis.

 Para os outros R$ 5 mil iniciais, e 20 % de suas aplicações mensais (R$100,00), podemos ser um pouco mais arrojados, buscando atingir uma rentabilidade superior do que a renda fixa. Como sua disponibilidade atual é pequena para ser investida diretamente em ações (coma na sua atual carteira de ações de Vale e Itau), uma excelente alternativa são os fundos de ações.

 Os fundos de ações são, para a grande maioria dos investidores, a melhor alternativa para seus investimentos em renda variável. Apresentam vantagens como liquidez, diversificação e uma gestão profissionalizadas dos seus investimentos. Com ele você estará bem atendido para atingir sua meta de longo prazo na aposentadoria. Procure gestoras com comprovada competência em sua equipe de analise, e fundos de ações que sejam considerados “Ibovespa ativo”, com a intenção de superar o bechmark. Prefira esses as ações propriamente ditas.

 E lembre-se: o resultado do seu sucesso financeiro também depende de você!

 *Fabiano Pessanha, CFP, planejador financeiro certificado pelo IBCPF

 


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