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SÃO PAULO – O Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou nesta terça-feira sua reunião mensal que deve terminar no final da quarta-feira com a divulgação da decisão do Banco Central acerca do patamar da taxa básica de juros no Brasil. A maior parte do mercado brasileiro espera pela manutenção da taxa Selic no seu atual patamar de 19% ao ano. A combinação de novas pressões inflacionárias e as incertezas que ainda cercam o país com relação ao cenário econômico na Argentina deve inibir o início da trajetória expansionista.
Inflação supera as expectativas
As duas primeiras prévias da inflação medida pelo IGP-M (Índice Geral dos Preços Mercado) da FGV vieram acima das expectativas em resposta às pressões dos preços reajustados no início do ano. Vale lembrar que mensalidades escolares, IPTU, IPVA e renovações de títulos foram os responsáveis pela elevação. Além disso, a queda dos preços dos combustíveis aquém dos 20% anunciado no início do ano pelo Governo também contribuiu para que a alta dos preços em janeiro fosse maior que a esperada.
No começo do ano, os gastos que mais pesam sobre o bolso dos brasileiros são os reajustes das mensalidades escolares, que elevaram a variação positiva registrada pelo segmento educação, leitura e recreação para 1,98%. Outra forte pressão neste início de ano ficou com os alimentos, que registrou uma variação positiva de 1,36% na segunda prévia do IGP-M. O clima chuvoso, que contribuiu para elevar os níveis dos reservatórios das hidroelétricas, também prejudicou a lavoura, o que se refletiu no aumento dos preços dos alimentos.
Queda dos combustíveis ficou menor que o anunciado
Uma modificação na tributação dos combustíveis para a abertura do mercado de importação de derivados de petróleo fez com que os combustíveis passassem a ser tributados pela Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (CIDE), o que abriu a possibilidade para uma redução de 25% nos preços nas refinarias. Contudo, os donos de postos de combustíveis não repassaram o menor preço integralmente para as bombas alegando que o ICMS sobre os produtos utilizava uma base de cálculo maior que o preço de venda.
Cenário externo ainda é incerto
A conjuntura econômica na Argentina ainda é bastante incerta e o governo do país vizinho é questionado por grande parte do mercado financeiro no sentido de apresentar um programa de recuperação sustentável capaz de atrair a atenção para novo apoio financeiro. Enquanto não há maiores definições acerca da economia argentina, o risco de contágio da crise ainda é grande e com isso, a deterioração dos fundamentos econômicos brasileiros poderia ser maior.
Outro fator de atenção para o Banco Central deve ser o ritmo de recuperação econômica apresentado pela economia norte-americana nos últimos meses, já que os EUA estão em recessão desde março do ano passado, o que prejudica o comércio exterior e o fluxo de moedas para países emergentes como o Brasil. Por outro lado, as projeções do mercado de investimentos externos no país chegam a US$ 20,60 bilhões, o que é melhor que o resultado de investimentos estrangeiros registrados no ano passado.
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Desta forma, a combinação dos fatores minou as apostas de corte dos juros na reunião do Copom que termina amanhã (23/1), formando assim o consenso do mercado para a manutenção dos juros em 19% ao ano. Entretanto, caso o BC surpreenda o mercado com juros menores, as respostas devem ser positivas, já que os investimentos crescem, ao mesmo tempo em que evita a pressão sobre a dívida pública, em que mais da metade indexada à correção da Selic.