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SÃO PAULO – O brasileiro é bastante conservador na hora de aplicar seu dinheiro. A grande maioria ainda prefere a segurança das aplicações em renda fixa do que se arriscar a investir em câmbio ou ações. De certa forma, esta estratégia se justifica pelo fato de que, com a taxa básica da economia em 17,75% ao ano, os juros pagos nestas aplicações seguem bastante atrativos.
Assim, ao analisarmos o retorno ajustado pelo risco da aplicação, que neste caso é medido como a volatilidade da aplicação, as aplicações em renda fixa seguem bastante atrativas, sobretudo para quem está começando a investir agora. Por volatilidade, entenda-se o grau médio de variação da cotação de um título ou determinado mercado de subir, ou cair, intensamente em um curto período de tempo.
Juros devem manter tendência de queda
Ainda que nos quatro últimos meses a seqüência de cortes da taxa básica de juros tenha sido interrompida diante de novas pressões inflacionárias, a expectativa do mercado é que esta tendência seja retomada em 2005, ainda que a queda prevista seja menor do que se esperava inicialmente.
Segundo o último relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira, dia 13 de dezembro, a projeção média dos cerca de 100 analistas de mercados entrevistados é de que a Selic caia do seu patamar atual para 15,50% ao final de 2005, o que representa um recuo de 2,25 pontos percentuais.
Decisão de migrar depende da inflação
Temerosos de que a renda fixa não irá mais garantir retornos adequados, muitos investidores já consideram outras alternativas de investimento. Porém, este procedimento não se justifica, e uma decisão acertada de onde investir vai depender, sobretudo, do que deve acontecer com a inflação neste mesmo horizonte.
Nesse sentido, o relatório Focus do Banco Central projeta que a inflação em 2005 varie entre 5,40% (IPC-FIPE) e 6,50% (IGP-DI). Com relação ao IPCA, que é usado no estabelecimento das metas de inflação do Governo e como medida da inflação oficial do País, a projeção para 2005 é de 5,78%.
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Por sua vez, no que refere ao ano de 2004, a projeção é de que a inflação varie entre 6,51% (IPC-FIPE) e 12,63% (IGP-M), sendo que a projeção para o IPCA é de 7,38%.
Neste contexto, os analistas projetam que a taxa de juros real, ou seja, aquela depois de descontada a inflação medida pelo IPCA, deve baixar de 9,7% em 2004 para 9,2% em 2005.
Assim sendo, por mais que haja expectativa de novos cortes dos juros, quando colocados em uma base real os mesmos não parecem significativos o suficiente, apenas meio ponto percentual de recuo, para justificar uma revisão drástica dos seus investimentos em renda fixa – que devem continuar oferecendo uma das melhores relações de retorno e risco do mercado.
Investidor não pode ignorar inflação
O exercício acima deixa evidente a importância de se considerar a inflação na análise dos seus investimentos. Isso porque, mais do que o retorno em termos absoluto é importante analisar quanto a aplicação está lhe pagando uma vez descontada a inflação.
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Quanto maior a inflação, menor é o seu poder aquisitivo, pois o preço dos bens se eleva, e maior deve, portanto, ser o retorno da sua aplicação, se você quiser proteger o seu patrimônio de ser mordido pela inflação.
Porém, antes de se precipitar e migrar todo o seu dinheiro para o mercado acionário caso a inflação suba, espere para ver qual será o impacto do aumento dos preços na taxa de juros. É bem provável que, se a inflação seguir em alta, os juros voltem a subir, ou alternativamente, caiam de forma menos acentuada, o que significa que em termos reais a aplicação em renda fixa continuaria atrativa.
Da mesma forma, antes de se desesperar com a queda nos juros, analise qual o impacto desta queda depois de descontada a inflação. Talvez o retorno ainda continue atrativo, especialmente se considerarmos que se tratam de aplicações muito mais estáveis e seguras do que as aplicações em ações ou câmbio, por exemplo.