Gestora de US$ 970 bi

Incertezas são “grandes demais” para chamar o momento de oportunidade de compra, diz CIO da Schroders

Para Johanna Kyrklund, a hora é de cautela e exige diversificação e aumento de proteções na carteira

Por  Mariana Zonta d'Ávila -

As incertezas causadas pela nova variante da Covid-19, a ômicron, têm levado mercados globais a ampliar as quedas, de olho em uma possível desaceleração econômica e novos lockdowns ao redor do mundo.

Ainda que o mundo tenha vivido avanço na ciência e na cobertura vacinal desde 2020, o ambiente exige cautela dos investidores na alocação doo portfólio. A avaliação de Johanna Kyrklund, CIO e head de alocação da gestora Schroders, que possui mais de US$ 970 bilhões em ativos sob gestão.

“Não acho que é hora de os investidores fugirem totalmente do risco. Mas as incertezas são grandes demais para que isso seja chamado de oportunidade de compra”, disse a executiva, durante coletiva online com a imprensa nesta quarta-feira (1).

Segundo ela, a Schroders tem adotado uma postura mais cautelosa, ainda com ações na carteira, em especial as de empresas americanas e chinesas, mas também, ampliando a fatia de hedge (proteção) no portfólio – seja via compra de dólar, seja por meio de posições em commodities e ouro, que protegem o investidor da forte pressão inflacionária.

Johanna lembra que nesta mesma época, no ano passado, foram anunciadas as primeiras vacinas contra a Covid-19 – e o mercado, por sua vez, começou a mudar suas apostas. Em vez de empresas de tecnologia, muitos investidores optaram por ativos cíclicos, principalmente aqueles ligados à reabertura da economia.

Por mais que isso tenha se mostrado uma escolha certa, destaca, os mercados evoluíram desde então. “O ciclo econômico amadureceu e os valuations estão mais altos agora. Com a nova variante representando um risco adicional para o crescimento, não acho que seja o momento para amplos calls de cenário macro. É hora de dar mais nuances”, disse.

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Dito isso, a recomendação é diversificar ao máximo o portfólio, buscando posições mais defensivas e que protejam contra a alta dos preços. Segundo ela, as criptomoedas não substituem o ouro, metal que ainda é uma boa reserva de valor e que pode ficar ainda mais atrativo em um cenário de novas correções dos índices de renda variável.

As moedas digitais, por outro lado, não devem ser usados como hedge, avalia Johanna, dado que são ativos mais especulativos e que se beneficiam de novas tecnologias, como blockchain.

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A executiva da Schroders destaca ainda que investidores precisam ter em mente que o surgimento da nova variante da Covid pode levar os bancos centrais a adiar o aperto da política monetária.

“Já pensávamos que os bancos centrais estavam atrasados em termos de reação à inflação mais alta. Se eles atrasarem ainda mais o aperto, isso pode continuar a apoiar os valuations“, avalia.

“Tenho me perguntado: neste estágio final do ciclo, o que eu estaria fazendo, mesmo se essa nova variante não tivesse aparecido? E a resposta é: ampliando a diversificação, ajustando a exposição cíclica e saindo de ações expostas à reabertura econômica. Tudo isso ainda é verdade”.

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