IA na gestão de recursos: empresas combinam tecnologias e criam soluções próprias

No Espresso Outliers, Clara Sodré comenta a Pesquisa IA na Gestão de Recursos, pesquisa da XP com empresas responsáveis por mais da metade do mercado brasileiro

Marcelo Moura

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“A inteligência artificial (IA) deixou de ser um experimento, para fazer parte da infraestrutura da indústria de investimentos. Hoje, 97% das gestoras de recursos usam IA”, diz Clara Sodré, analista de fundos da XP, no episódio #11 do podcast Espresso Outliers.

Em 12 minutos de podcast – o intervalo de tomar um café –, Clara explicou a primeira edição da Pesquisa IA na Gestão de Recursos, realizada pelo time de Análise de Fundos XP.

O estudo liderado por Fabiano Cintra, head de Seleção de Fundos da XP, e os analistas Clara Sodré e José Pini, reuniu 71 gestoras de recursos, que respondem por mais de R$ 5 trilhões em ativos sob gestão.

“Temos aqui mais da metade da indústria de fundos de investimentos brasileira, permitindo um diagnóstico significativo sobre o mercado”, diz Clara.

A estratégia de inteligência das gestoras se diferencia em IA generativa e IA não generativa. “A IA não é uma tecnologia única: existe uma divisão entre ferramentas focadas em produtividade de processos e ferramentas usadas em complexidade de decisões”, afirma a apresentadora.

IA generativa acelera atividades básicas

De acordo com a pesquisa, as gestoras de recursos usam IA generativa para organizar informações úteis para a tomada de decisões.

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“Relatórios, resultados de empresas, notícias, discursos do Banco Central, dados macroeconômicos, preços de ativos… A quantidade de informações que precisa ser analisada hoje é enorme. Nesse contexto, a inteligência artificial se torna valiosa para organizar dados e automatizar processos que antes demandavam horas”, diz Clara, na bancada do Espresso Outliers.

As gestoras de recursos afirmam que o maior impacto da IA generativa está no auxílio à programação de códigos, seguido por análise de dados e elaboração de relatórios.

“A inteligência artificial não substitui o trabalho de um gestor: ela ajuda encontrar padrões e acelerar análises, mas no final do dia a decisão de investimento continua dependendo de contexto, experiência e julgamento”

— Clara Sodré, analista de fundos da XP e apresentadora do podcast Espresso Outliers

IA não generativa aprofunda decisões complexas

As gestoras de recursos afirmam usar IA não generativa em monitoramento e alerta, além de modelos preditivos. “Enquanto a AI generativa acelera o trabalho do analista, a não generativa começa a alimentar os motores da decisão de investimentos”, diz Clara Sodré. “Ela é fundamental para a seleção de um portfólio ótimo”.

Acima das IAs, a inteligência humana

A inteligência artificial trouxe agilidade e profundidade de análise, sem automatizar as escolhas das gestoras. Mesmo que com mais dados, mais velocidade e mais capacidade de processamento, investir continua sendo um processo de interpretação.

“A inteligência artificial não substitui o trabalho de um gestor: ela ajuda encontrar padrões e acelerar análises, mas no final do dia a decisão de investimento continua dependendo de contexto, experiência e julgamento”

Diversidade de IAs

A maioria das gestoras usa mais de uma inteligência artificial: 16 empresas escolhem duas IAs, 18 preferem três e 17 combinam quatro tecnologias.

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O ChatGPT é a principal opção (93%), seguido por Gemini (70%) e Claude (54%). Chama atenção a presença de sistemas desenvolvidos internamente, presente em 16% das gestoras.

“Nos próximos estudos, queremos aprofundar o uso de inteligência artificial proprietária, olhando para a proteção de dados e informações dentro das gestoras de recursos”, diz Clara.

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