IA e juros altos impulsionam mercado de crédito privado nos EUA, diz Blue Owl

Logan Nicholson, da Blue Owl, destaca oportunidades em infraestrutura e softwares corporativos, além de ressaltar retornos atraentes com taxas elevadas

Victória Anhesini

(Foto: Fabio Rizzato / InfoMoney)
(Foto: Fabio Rizzato / InfoMoney)

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A expansão acelerada da inteligência artificial (IA) e o cenário de juros nos Estados Unidos estão transformando o mercado de crédito privado local. Para Logan Nicholson, diretor e gestor de fundos de crédito privado da Blue Owl, em vez de ameaçar os fundos que financiam grandes empresas, a tecnologia tem ajudado a indicar quais setores tendem a ser mais seguros e rentáveis para os investidores.

Em entrevista a um episódio especial Stock Pickers feito na Expert XP 2026 e apresentado por Lucas Collazo, Nicholson explicou que a IA não vai substituir os grandes sistemas de tecnologia usados diariamente nas companhias, mas que será integrada às plataformas que as empresas já utilizam, permitindo a cobrança por novos serviços.

“Vejo o software corporativo como algo de missão crítica e também como um canal de distribuição para que os desenvolvedores — que investem pesado em IA e grandes modelos de linguagem (CapEx) — recuperem seu capital e obtenham, de fato, o retorno sobre o investimento”, disse.

Para os credores, esse movimento é positivo, pois transforma os grandes provedores de software na principal ponte para rentabilizar os bilhões de dólares investidos em infraestrutura e modelos de inteligência artificial, garantindo a saúde financeira de quem toma empréstimos.

Vencedores no portfólio

Ao apontar onde estão as melhores oportunidades para os fundos de crédito privado, Nicholson destaca setores que dependem de processos manuais e podem usar a tecnologia para cortar custos operacionais. Ele usa a indústria de seguros como exemplo, mencionando a gestão de sinistros, onde a IA poderia se responsabilizar por tarefas repetitivas e burocráticas.

“Isso vai ajudar os profissionais altamente qualificados a focar no que realmente importa: risco, transações – e não na criação de documentos, inserção de dados ou suporte ao cliente. Isso nos permitirá focar em receitas, consultoria e no que é essencial para o nosso negócio”, afirmou.

Outro pilar de crescimento é a infraestrutura necessária para manter a inteligência artificial funcionando. O funcionamento de novos data centers exige uma quantidade massiva de energia elétrica.

Os fundos de crédito da Blue Owl não incluem data centers diretamente no portfólio, mas a gestora financia os fornecedores, consultores e distribuidores da rede elétrica e de serviços públicos (utilities).

“É tremendo o volume de pedidos acumulados (backlog) que essas empresas têm, e isso é ótimo para o crédito. Se eu puder olhar três anos para a frente e dizer que meu backlog está cheio, sei que receberei meus pagamentos de juros de volta”, disse o executivo.

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Essa visibilidade de caixa traz segurança para os credores, garantindo a capacidade de pagamento das dívidas mesmo em cenários incertos.

Relação com juros

As oportunidades abertas pela tecnologia ocorrem em um momento em que os juros altos nos Estados Unidos voltam a favorecer a renda fixa e os fundos de empréstimo direto (direct lending), que operam com taxas flutuantes.

Com a expectativa de que os juros continuem em patamares elevados por mais tempo para conter a inflação nos EUA, somada a um aumento nas taxas cobradas pelos empréstimos (spreads de crédito), os fundos de crédito privado voltam a oferecer retornos ainda mais atraentes para quem busca rendimento com menor risco.

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Nicholson explica que a recente redução nos rendimentos da classe de ativos foi provocada por movimentos da política monetária norte-americana, e não por estresse financeiro nas companhias investidas.

“A questão é: esses cortes foram decorrentes de inadimplências, problemas de crédito e perdas, ou esses cortes nos dividendos foram por causa das taxas básicas? Realmente o segundo caso”, destacou Nicholson.

Com a inflação persistente e a curva de juros apontando para taxas elevadas por mais tempo nos EUA, os retornos das carteiras de crédito voltaram a se valorizar. Esse ambiente é favorecido pela postura do novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, e pelo alargamento nos spreads de crédito.

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“Então, o que tudo isso significa? Taxas básicas ligeiramente mais altas, spreads ligeiramente maiores e melhores retornos. Portanto, é um momento muito interessante para pensar em investir”, ressaltou o gestor da Blue Owl.

O executivo acrescenta que as tomadoras de recursos construíram margens robustas de cobertura de juros nos últimos anos, permitindo operar com tranquilidade no ambiente atual.

“Quando as taxas básicas estavam 150 pontos-base mais altas, não vimos nenhum aumento material na inadimplência. Portanto, achamos que temos muito espaço para as empresas operarem por causa da cobertura de fluxo de caixa que elas têm”, concluiu.

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