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O forte ingresso de capital estrangeiro na bolsa brasileira em 2026 tem chamado a atenção. Apenas no primeiro trimestre, investidores internacionais aportaram mais de R$ 53 bilhões na B3, em um movimento impulsionado por juros elevados, câmbio mais favorável e busca global por retornos.
Apesar dos fundos imobiliários ainda não acompanharem esse fluxo na mesma intensidade observada em ações, atualmente, os investidores internacionais representaram cerca de 24% do volume negociado em março; em janeiro, esse patamar foi de 17%.
Entre os fundos imobiliários mais negociados por investidores estrangeiros em abril, o destaque ficou para o HSRE11 (HSI Renda Imobiliaria), com volume médio diário negociado por investidores internacionais de aproximadamente R$ 11,8 milhões.
Oportunidade com segurança!
Na sequência aparecem TRXF11 (TRX Real Estate), GARE11 (Guardian Real Estate) e HGLG11 (Patria Log).
| FII (Ticker) | ADTV Estrangeiro | ADTV TOTAL |
| HSRE11 | R$ 11,8 mi | R$ 24,3 mi |
| TRXF11 | R$ 5,4 mi | R$ 23,5 mi |
| GARE11 | R$ 4,4 mi | R$ 14,4 mi |
| HGLG11 | R$ 4,3 mi | R$ 13,5 mi |
| XPML11 | R$ 4,2 mi | R$ 14,2 mi |
| KNCR11 | R$ 3,8 mi | R$ 17,0 mi |
| BTLG11 | R$ 3,5 mi | R$ 11,6 mi |
| KNIP11 | R$ 3,5 mi | R$ 9,3 mi |
| MXRF11 | R$ 3,4 mi | R$ 13,1 mi |
| BRCO11 | R$ 3,3 mi | R$ 8,9 mi |
O “ADTV Total” representa o volume médio diário total negociado pelo fundo, somando investidores locais e estrangeiros.
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Fundos passivos ainda são ponte — não avenida
Uma das possíveis portas de entrada para o capital estrangeiro são os veículos passivos, como ETFs atrelados ao IFIX. No entanto, esse canal ainda tem alcance limitado.
“Os ETFs podem ajudar, mas hoje funcionam mais como ponte do que como avenida. O mercado ainda precisa de mais escala, liquidez e profundidade para atrair fluxo internacional relevante por esse caminho”, afirma Marcelo Boragini, especialista da Davos Investimentos.
“Já existem ETFs ligados ao IFIX, como o XFIX11, que replica um índice de FIIs de alta liquidez”, diz Boragini.
Quais os gatilhos de curto prazo?
Apesar das limitações estruturais, o mercado já identifica um conjunto de fatores que pode destravar o fluxo estrangeiro para FIIs.
“Para o investidor estrangeiro, acessar ativos reais com desconto e rendimento elevado em uma economia com juros reais altos é uma combinação relevante. Se esse cenário vier acompanhado de melhora adicional na liquidez, a capacidade de execução aumenta, e o fluxo tende a acelerar, já que liquidez e escala costumam se retroalimentar”, afirma Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos.
Na mesma linha, Aloisio Teles, CIO da 18ib, destaca que o movimento depende de uma combinação de variáveis macro e micro de mercado:
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“A combinação mais favorável envolve a continuidade do ciclo de queda da Selic, estabilidade cambial, compressão adicional dos descontos do IFIX em relação ao valor patrimonial e um novo salto de liquidez no mercado secundário. Esse contexto melhora a convexidade dos FIIs, especialmente os mais líquidos e mais fáceis de institucionalizar.”
O setor iniciou 2026 com alta de cerca de 2,5% no primeiro trimestre, ainda negociando com desconto relevante em relação ao valor patrimonial, enquanto a Selic foi reduzida para 14,75% em março — fatores que alinham esse cenário.
Câmbio ajuda, mas não é suficiente
Por sua vez, o fortalecimento do real melhora a leitura de retorno para o investidor estrangeiro, especialmente na conversão dos rendimentos distribuídos.
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Ainda assim, o fator cambial não é suficiente, isoladamente, para destravar um fluxo mais robusto para FIIs. Para Brás, o câmbio mais forte melhora a percepção de retorno e reduz o ruído na conversão, mas não é suficiente por si só.
“Um real próximo de R$ 5 por dólar, e em alguns momentos até abaixo disso, melhora a percepção de retorno em moeda forte, reduz o ruído cambial no carregamento e torna o yield em reais mais fácil de traduzir para o investidor externo. Ainda assim, um câmbio mais forte funciona mais como um fator de conforto do que como um gatilho suficiente”, diz.
“Para entrar de forma mais relevante em FIIs, o estrangeiro precisa acreditar não só que o real vai se manter, mas também que o prêmio do mercado imobiliário compensa os riscos de liquidez e de estrutura”, conclui ela.
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