Home broker deve facilitar acesso a mercado de renda fixa privada

Pelo mesmo canal por onde negocia ações, o investidor vai poder negociar títulos de renda fixa privados

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SÃO PAULO – A negociação de títulos de renda fixa privados – como debêntures e letras financeiras – por meio do home broker deve trazer mais facilidade para os investidores negociarem estes títulos, na opinião do gerente de renda fixa da BM&FBovespa, Danilo Pitarello.

“A negociação pelo sistema do home broker vai facilitar para o investidor. Isso porque, pelo mesmo canal por onde se negociam ações, ele vai poder negociar títulos de renda fixa privados”, disse Pitarello, durante seminário sobre letras financeiras realizado em São Paulo.

De acordo com o executivo, a negociação destes títulos pelo home broker deverá estar disponível a partir do segundo semestre de 2012. “Vamos melhorar o sistema que nós já temos. Parte dessas melhorias consiste na migração das operações do Bovespa Fix [sistema integrado para negociação, liquidação e custódia de títulos de renda fixa] – para o Megabolsa [sistema de negociação do mercado acionário]. No momento que ocorrer esta migração, os títulos de renda fixa vão estar disponíveis para negociação no home broker, automaticamente”, afirmou Pitarello.

Liquidez
De acordo com ele, o fato de os títulos de renda fixa privados ficarem acessíveis para compra no home broker também deve aumentar a liquidez deste tipo de investimento. “À medida em que ele está disponível num sistema que tem uma capilaridade grande, acessado por 600 mil investidores (número aproximado de investidores cadastrados na BM&FBovespa), a liquidez tende a aumentar naturalmente”, disse.

Ele lembra que boa parte das debêntures já possui formador de mercado – agente formador de liquidez -, o que também garante uma certa liquidez para estes ativos. Já as letras financeiras ainda não possuem este tipo de recurso. “Este é um ponto que ainda não foi definido”, afirmou Pitarello.

O problema de falta de liquidez é discutido há algum tempo pelos agentes. Entre as atitudes, a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) anunciou recentemente a criação do Novo Mercado de Renda Fixa, com o objetivo de “criar um ambiente institucional diferenciado, que dê maior segurança e conforto ao investidor, por meio de maior transparência, menor risco e aumento da liquidez no mercado secundário”.

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Segundo o executivo da bolsa, a criação do Novo Mercado pela Anbima deve estimular o aumento de liquidez e aumentar a facilidade de negociação dos títulos de renda fixa pelo investidor pessoa física. “É o setor privado e o setor público trabalhando para organizar e fomentar o mercado, abrindo uma janela de oportunidades”, diz.

O que são
Os títulos de renda fixa privados são uma espécie de títulos de dívidas de empresas. Ao adquiri-los, o investidor está “emprestando” dinheiro para a empresa, em troca de uma rentabilidade mensal, definida no contrato de aquisição do título.

As debêntures são títulos de dívidas privados emitidos por empresas de capital aberto (só estas empresas podem fazer emissões públicas de debêntures). Já as letras financeiras tem o mesmo objetivo de captação de recursos, mas são emitidas por instituições financeiras – que, pela lei, não podem emitir debêntures.

Diego Lazzaris Borges

Coordenador de conteúdo educacional do InfoMoney, ganhou 3 vezes o prêmio de jornalismo da Abecip